segunda-feira, agosto 25, 2014

Ontem foi uma coisa mais de tios


[5163]

Ontem foi em Cascais. Como só há quatro feridos e um esfaqueado com gravidade presumo que a Fernanda Câncio terá entendido que os polícias de Cascais não eram tão modelo como os do Vasco da Gama. Pelo menos ela ainda não disse nada, ou então está-se a guardar para um outro meet qualquer que vem aí, acho que para a Póvoa de Santo Adrião. Vai-se a ver os homens de pele mais escura aqui em Cascais já viraram betinhos por razões ambientais e já não fazem tanta confusão. Os próprios polícias serão, provavelmente, mais polidos. Na Póvoa de Santo Adrião há bem mais fortes possibilidades de as peles mais escuras serem em maior número e os polícias mais modelo.

*
*

Etiquetas: ,

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Gato por lebre...estou a precisar de mais férias!




Restaurante Galeria - Rua Afonso Sanches (rua da PSP) Cascais 

[4815]

Como frequentemente num restaurante aqui em Cascais, com o improvável nome de Galeria, posto que nem lá dentro nem cá fora vejo galeria alguma. Cá fora há um cavalete em ardósia com a indicação do prato do dia, há um lugar de fruta, uns metros abaixo a PSP e, quase em frente, a Segurança Social. Lá dentro há uma dúzia de mesas frugais, um jovem louro a servir e que é filho do senhor Gato, o dono, marido de uma senhora que, na cozinha, faz verdadeiros milagres que nos mimam o palato com os pratos do dia.

O senhor Gato é um homem curto, rápido e de poucas falas e nunca o vi sorrir uma vez que fosse, enquanto atende eficientemente as mesas. Por razões que não descortino, mesmo sem rir acaba por se tornar simpático, aquele tipo de pessoa que a gente gosta não sabe bem porquê e que acaba por fazer parte do inventário, sem esforço nem cunha.

Ontem entrei, sentei-me, vi apenas o jovem servindo. Do senhor Gato, nada. Estranhei. Pela primeira vez ele não estava presente. Deve estar doente, pensei eu. Morreu. Teve de ir às Finanças. Fugiu com uma ucraniana… enfim, coloquei-me mentalmente uma série de hipóteses até que o moço chegou ao pé de mim para me perguntar o que é que eu queria comer. Antes de escolher, perguntei:

- Onde pára o senhor Gato?

Nesse preciso momento, a cozinheira entrou na sala com uma travessa na mão que colocou na mesa de um cavalheiro ao lado da minha, cumprimentou e perguntou-me se eu queria o prato do dia.

- E o que é? Perguntei eu:

- Coelho assado no forno. E apontou para a travessa que acabara de trazer.

Olhei, mirei bem o leporídeo, assado entre batatinhas e diabos me levem se não vi ali mesmo o senhor Gato, esturricado, lançando-me um olhar lancinante. Engoli em seco e pedi uma posta de peixe-espada grelhada. Devo andar a ver muitos filmes de terror!
.

Etiquetas: , ,

quinta-feira, junho 14, 2012

HD's em Cascais


[4662]

Há dias em que reparo como é bom viver em Cascais. Hoje, por exemplo, calhou almoçar no centro histórico. O sol brilhante chegava até nós em regime de carícia, filtrado que era por aquele ar fresquinho e leve dos bons climas. Sentado numa esplanada daquelas que não são caras nem são baratas, degustei com uma sensação a roçar o pecado da gula uma dose de sardinhas bem douradas pelas brasas, acompanhadas pela inevitável salada de alface, cebola e pimento e aquelas batatinhas cozidas… coisa que pode até denotar alguma falta de imaginação, mas que acho ser a ÚNICA maneira de comer sardinhas. Apesar de já ter visto, no Algarve, servir sardinhas assadas com batatas fritas a um daqueles ingleses vermelhuscos com cara de quem come mutton («temperado» com chutney) todos os dias, Yorkshire pudding e acha que come a melhor comida de mundo. A acompanhar as sardinhas fui mandando a etiqueta às malvas, molhando pedaços de pão de côdea rija e miolo fofo naquela molhanga da sardinha, aprimorada por um fio de azeite e umas gotas de vinagre. Só não digo o que bebi porque estraga o post… quem me conhece sabe do que falo! O desfecho de um momento destes, casadas a gastronomia e a magia do cenário não é fácil de descrever.

A rua estava pejada de gente ruidosa e sorridente. Muita dela pela minha idade, de cabelos longos e loiros, com uma fita vermelha na testa e uns blusões de cabedal preto pregados de botões de latão bem esfregado com solarine e umas calças justas afuniladas em botas tipo militar. Um ou outro usava uma tatuagem. Parecia uma versão reduzida e revisitada de um Woodstock caseiro, mesmo que not being sure to wear flowers in your hair. Muitos deles a pé, muitos de moto, umas motos eternas que os americanos inventaram, assim mais ou menos como o design dos óculos Ray Ban ou as garrafas de Coca-Cola. Não há nada a fazer… parece que a culpa é dos americanos, dizem os europeus que os americanos mesmo só sabem inventar estas coisas porque quando se trata de coisas mais sérias e mais eficazes, como a bomba atómica, têm de ir buscar e pagar aos alemães.

Para quem não saiba, decorre em Cascais o European H.Q.G Rally 2012 Cascais, um evento que juntou nesta terra umas centenas das tais motos, as HD, pois claro, de toda a parte da Europa. Cascais está pejada destas motos. A foto em cima, de resto roubada, à sorrelfa, à minha filha mais nova, dá uma pálida ideia da quantidade de HD’s em Cascais. Ficam cá até Domingo. E Cascais vai acolhê-las com gosto, hospitalidade e pundonor. Deixando-as circular, vistosas, coloridas e com aquele brrruuummmm assustador e único. De resto, aconselho uma visita aqui, ao site do Rally, e onde se lê photo gallery, vale a pena uma «clicadela». Está lá Cascais todo… sem motos, mas com a graça e o tique que fazem desta terra o mais aprazível local do mundo para se viver.

.

Etiquetas: , ,

quinta-feira, janeiro 12, 2012

E o mar aqui tão perto

[4516]

Às vezes distraio-me. E não dedico o merecido apreço a uma rotina boa como a de acordar e encher a sala com o aroma inconfundível dos nossos cafés e depois degustar umas fatias fininhas de queijo de Nisa, hoje por hoje um dos melhores queijos do mundo a um preço honesto, com pão estaladiço, sentar-me ao PC e, com um simples movimento, afastar um pouco a cortina e contemplar o Atlântico, azul, magnífico e oceano de tantas proximidades para mim. E pensar que daqui a poucas horas ele será banhado também pela incomparável luminosidade de Lisboa.

Se me lembrar que depois do duche me meto no carro, cumpro uma rotina já longa, a de percorrer a marginal, cheia de luz, cheia de mar, cheia de maresia até desaguar no magnífico cenário de Belém e me embrenhar na cidade para ir trabalhar, concluo que realmente vivo num país de eleição. Com um dos melhores climas do mundo, excelente gastronomia, cenários magníficos, segurança relativamente aceitável e gente bonita. Resumindo, o país é óptimo. Eu sei que nós, os portugueses, nos esforçamos imenso para o estragar e, justiça seja feita, o conseguimos fazer com frequência, mas ele vai resistindo estoicamente e, aqui e ali, encarrega-se de nos recordar que é um país de excelência.

Como hoje, quando uma qualquer «energia» me fez afastar a cortina da vidraça e reparar no mar que me mima, aqui a poucas dezenas de metros.
.

Etiquetas: ,

segunda-feira, agosto 16, 2010

Falando de Cascais…


[3863]

…não resisto a postar, com a devida vénia, esta foto linda de Cascais. A Luísa tem fotos deliciosas no (s) blogue (s) dela. O Corta-Fitas está lá, mas o Nocturno-LA ainda não consta da minha lista do lado direito. Pura preguiça. Um dia destes calha. Porque é mais do que justo.

.

Etiquetas: ,

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Lá trá que ser...

[3509]

Se há coisas com que embirro é tirar partido de um sistema de altas pressões no Golfo da Biscaia, desde Sexta, não fazer rigorosamente nada no sábado e no Domingo que não fosse deambular pela oferta do ócio cascaense, fazer ponte na Segunda, continuar a fazer nenhum à Terça e acordar na Quarta a ouvir que a A5 está entupida por mor de dois acidentes, que a marginal não é alternativa por causa de um acidente no Alto da Boa viagem. Junta-se a TV a anunciar que o desemprego atingiu os 10%, Sócrates a ralhar com o rebanho a propósito de uma treta qualquer mas que me pareceu ser exactamente sobre o desemprego, uma menina do preclaro departamento de filologia da RTP a dizer que a palavra malagueta escreve-se com u a seguir ao Guê (de gato) por que a letra Guê antes do i e do e diz-se de jota !!!! (repare-se na confusão armada por se chamar guê ao G, em vez de o chamar pelo nome correcto, com a fonética apropriada) e, finalmente, reparar que o queijo acabou.

Tudo isto somado é uma estimável razão para não ir trabalhar. Não dá, tenho mesmo que fazer. Mas estes indícios de preguiça precoce e intolerância por meninas a dizer porque é que os guês precisam de u a seguir senão liam-se jês, Sócrates a a ralhar e o trânsito a provar que os portugueses não resistem a uma chuvinha para conduzirem as suas viaturas como se o piso estivesse seco, o que os faz entrar num esquema de marrada contínua e chapa amolgada, amarrotando-se uns contra os outros e depois ficarem muito admirados por terem batido, quando não mesmo a acusarem o traçado e a sinalética das estradas, uma reconhecidamente lusa etiologia de comportamento na estrada, estes indícios de preguiça precoce, dizia eu, preocupam o mais pintado..

Vou trabalhar. Logo se vê…
.

Etiquetas: , ,

terça-feira, abril 28, 2009

Autárquicas em Cascais


[3092]

Neste pequeno texto, Carlos Castro (CC) explica que Cascais deixou de ter o dinamismo e a projecção que um concelho como o de Cascais pode e deve ter. E que Leonor Coutinho tem todas as condições para dar. CC não explica bem o decréscimo da projecção e dinamismo de Cascais. É uma afirmação meio vazia ou meio cheia de nada. Nada concretiza, apenas diz que Cascais perdeu dinamismo, ponto parágrafo, o que é uma forma no mínimo vaga de se argumentar. E depois, que Leonor Coutinho tem todas as condições para dar. Não diz que condições, não diz como, CC só diz que Leonor Coutinho tem. Por isso, diz CC, as pessoas estão nervosas.

Por mim, não conheço Leonor, lembro-me apenas de umas notícias esparsas veiculadas pela imprensa de que ela emprestava o BMW de serviço (do Estado, o que não é bem uma viatura de empresa particular) ao namorado. Mas acredito que a senhora tenha condições. Só gostava é que CC me dissesse quais são. Assim, a frio e sem mais pormenores, não vou lá. Não que tencione mudar o meu voto em Capucho, mas já agora gostava de conhecer melhor a senhora, não vá eu estar a perder uma autarca melhor. E eu quero o melhor para Cascais.

.

Etiquetas: ,

domingo, dezembro 14, 2008

Ir ao talho II


[2830]

Dois posts abaixo fui injusto. Na conversa trivial entre o corte de um acém e o fatiamento de uma alcatra, fiquei a saber que a Quinta da Bicuda devia o seu nome ao facto de esta zona de Cascais ser o refúgio de arribação das aves que regressavam das Américas e de África, ponto de escala no seu caminho de volta a casa, após o interregno migratório. Daí que todas as ruas da Quinta da Bicuda tenham o nome de pássaros (eu desconhecia, por exemplo, que havia um pássaro chamado maçarico e descobri pássaros com nomes lindos como o chapim…).

Mas isto era quanto tudo era pinhais e urze. Hoje há casas, condomínios, hotéis e campos de golfe. Dos pássaros, aparentemente, só ficaram os nomes.

Nota: Curioso, tentei pesquisar na net a origem do nome Quinta da Bicuda. Não consegui. Talvez este confrade ou esta vizinha possam ajudar…

.

Etiquetas: ,

O homem do talho


Senhor José, os bifes são tenrinhos?
São porreiros, pá!

[2828]


Ontem, um impulso estranho levou-me ao talho. Eu tinha uma ideia dos talhos consistente com um espaço cheio de meias-carcaças de animais, penduradas por um gancho de ferro das quais o homem do talho ia cortando umas peças que depois subdividia num balcão de madeira surrado de sangue e gretado por mil golpes de cutelo.

O senhor Luís (a minha recordação vai a esse ponto do “homem do talho” da minha infância) era um homem feio, careca e semiobeso que ia falando enquanto cortava as peças de carne que as clientes (só me lembro de ver mulheres no talho…) lhe iam pedindo, não sem lhe perguntarem primeiro “se os bifes eram tenrinhos”, ou dizerem que era “só um bocadinho para assar”. Já nessa altura a minha índole curiosa me espicaçava no sentido de ver a primeira vez em que o senhor Luís diria a uma cliente “não, D. Libânia, não compre os bifes que estão cheios de nervo” ou, “não leve as costeletas que o porco era magro e é só osso" (faltou referir que entre as meias-carcaças, havia quase sempre, também, uma cabeça inteira de porco).

E por entre a algaraviada do Sr. Luís e das perguntas das clientes, a actividade do talhante continuava e as mulheres seguiam de volta a casa sobraçando um punhado de bifes tenrinhos, carne para coser com pouca gordura ou umas costeletas que eram um regalo com pouco osso, satisfeitas por haver um senhor Luís que lhes garantia carne de qualidade. Enquanto esperavam, muitas delas conversavam. Mulheres esperando por qualquer coisa, inevitavelmente tagarelam, e os temas espraiavam-se pela vida que estava muito cara, pelas doenças que apoquentavam a família, a D. Irene que, sabia-se, andava a dormir com o senhor Silva, uma pouca vergonha lá no bairro, ou o senhor Freitas que, imagine-se, agora até já tinha dinheiro para comprar um carro. Um quadro, simples, português suave, aquele que me ficou de algumas vezes que fui ao talho em pequenino.

Desde aí, sinceramente que não me ocorre ter ido de novo ao talho. Por isto ou por aquilo, nunca tal voltou a acontecer e mesmo das vezes em que circunstancialmente comprei carne, apercebi-me que o acto se fazia através da retirada de travessinhas higiénicas e práticas, devidamente embrulhadas em celofane e um pequeno rótulo a dizer-nos o que acabáramos de comprar.

Até ontem. Como disse, fui a um talho. Ao olhar para um grelhador pequeno de cozinha que me ofereceram, senti uma pulsão estranha de grelhar um bife. Mais do que propriamente comê-lo. E, assim, fui ao talho. O senhor Luís não estava lá, mas estava um sujeito magro, cabelos grisalhos e, embora feio como o senhor Luís, mantinha a pose do homem de meia-idade que acha que ainda ali está para as curvas. O balcão de madeira já não é de madeira nem há meias-carcaças penduradas. Tudo o mais, está exactamente na mesma. Os mesmos cutelos, o mesmo ritual de afiar as facas num limatão grosso antes de se talhar a peça de carne e, surpresa, exactamente as mesmas perguntas que eu ouvira há muitos anos sobre a qualidade da carne. Se “os bifes eram tenrinhos” e se a carne para cozer (não sei bem o que é carne para cozer, presumo que seja uma carne… que se coze, não há outra explicação) tinha pouca gordura. A conversa também não divergiu muito da que eu conhecia. A diferença é que já não é em tipo “português suave” dos meus tempos de criança. Do que ouvi, a ideia generalizada de que estamos rodeados de políticos malandros, corruptos, ricos e incompetentes é permanente. Tudo dito com raiva mal contida e "isto" vai acabar mal, um dia destes vai ser como na Grécia. E que é bem feito para eles aprenderem. E já agora, que Nossa Senhora nos guarde de levar com uma bala de ricochete, como a “criança” da Grécia.

Como só fui esta vez ao talho, não sei se os temas de conversa são recorrentes, mas pareceu-me que sim. Outra coisa que me pareceu igual foi aquela cortina de fios metálicos pendurados cuja utilidade não resisti a perguntar ao "homem do talho". "É por cósa das moscas", disse-me ele. E lembrei-me, então, que o senhor Luís também tinha uma coisa daquelas à entrada por causa das varejeiras. No tempo em que as clientes não sabiam bem que havia políticos malandros, corruptos, ricos e incompetentes.

.

Etiquetas: ,

domingo, novembro 23, 2008

Há dias assim...


Clicar no bife para apetecer mais

[2788]


Ontem não vi o Sporting mas ganhei um novo poiso aqui pelas minhas bandas. Acredite-se ou não, há nove anos que existe um restaurante sul-africano em Cascais e eu não sabia. Chama-se A Carvoaria e oferece-nos alguma da genuína south african cuisine, embora algo escassa. Mesmo assim, não faltam a tradicional mealie pap and boerwors e uma panóplia de steaks que são o forte da casa. Boa carne, bom corte e boa assadura, com competentes sauces, acompanhada pelos inevitáveis chips e onion rings.

Indesculpável a falta do sul-africaníssimo monkey gland steak e dos internacionais porterhouse e T-Bone. Tal como aliás não se perdoa não haver kinglip ou Cape salmon. Mas em matéria de steaks, várias versões de rump, sirloin e fillet de claimmed to be genuine charolais estão lá, com aquela apresentação de quem sabe que os olhos também comem e de qualidade e gosto insuperáveis. Há vinhos nacionais mas também os há sul-africanos (ocorre-me um Chardonnay e um Sauvignon brancos e um Pinotage tinto, tal como um ou dois sparkling cujo nome não me recordo) e, para os mais saudosistas e indefectíveis da cerveja, uma Castle lager à maneira. De sobremesas não há muito a dizer para além do velho cheese cake.

E pronto. Antes que o Expresso me contrate e ponha o José Quitério na rua, aqui fica a sugestão para serem atendidos por uma casal simpático e fruírem um steak à maneira. Aqueles que sabem do que falo poderão lá ir á confiança. Aqueles que não souberem, vão lá à mesma e não se arrependerão.

A Carvoaria fica na Rua João Luís de Moura, 24 e o telefone é o 21 4830106.

.

Etiquetas: ,

segunda-feira, maio 26, 2008

Visita real


Clicar para ver em tamanho bom

[2514]


A rainha da Dinamarca é minha hóspede esta noite. Ancorou a “residência” ali mesmo à frente da estação e da marina de Cascais.

Os comboios iam regurgitando utentes (!!...) de seis em seis minutos, enquanto eu observava da varanda do “Villa”, e contrastavam com o magnífico iate ali a poucas dezenas de metros.

É a vida, como diria o republicano Guterres.

.

Etiquetas: ,

domingo, junho 03, 2007

Take a look at my place, it's the only one I love!



[1787]

A
Miss Pearls é muito mais sintética do que eu, na escolha da música que gosta ou que eventualmente signifique alguma coisa para ela. Abre um post, aplica-lhe o título genérico de “geração vinyl” e a música nasce. Eu tenho este defeito horrível de ser mais palavroso. Por isso tenho de explicar que devido a uma indisposição gástrica fui procurar uma farmácia de serviço. Era a Cordeiro, na baixa de Cascais, a que estava aberta. Isso fez com que eu reparasse que Cascais já tem vida própria (e cintilante…) às oito e meia da manhã dos domingos, coisa que já de há muito me passava ao lado.

Comprado o Kompesan, não resisti a uma pastelaria, meia dentro meio esplanada onde acrescentei umas quantas calorias que não me faziam falta nenhuma, mas que me souberam pela vida. E foi lá que ouvi este “take a look at my girl friend, it’s the only one I got”, enquanto me deliciava com a música, com os croissants, com o ar leve e a luz incomparável deste pedacinho de céu que dá pelo nome de Cascais, e nos deixamos miscigenar no microcosmos polícromo que, aqui, parece começar tão cedo e que confere a este lugar um cenário muito próprio, desde a jovem de roupão de praia que se dirige apressada para mais uma sessão de “tanning”, até ao indígena, como eu, que acordou com uma indisposição gástrica. Felizmente que as mulheres de roupão de praia são em muito maior número do que os indígenas mal acordados, mas é disso mesmo que é feito o tal microcosmos. Imagine-se o que seria de Cascais se houvesse só mulheres bonitas de roupão de praia…

Às vezes vale a pena acordar com uma indisposição gástrica, para que não nos esqueçamos das coisas boas do sítio onde, afinal, vivemos. Às vezes, sem dar por isso.

.

Etiquetas: , ,