quarta-feira, janeiro 22, 2014

A doçura das azedas



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Aí estão elas de novo. Viçosas, deliciosamente azedas e amarelas. A cor que os entendidos associam à felicidade, riqueza e ouro. E, ainda, à inteligência, luxo e nobreza. Diz-se que Vincent van Gogh tinha uma especial predilecção pelo amarelo e a verdade é que ele explorou as suas diferentes tonalidades com fervor. Há ainda quem, de uma forma bem mais simples, identifique o amarelo com a luz, calor, descontracção, optimismo e alegria.

Por mim, as azedas são um pouco de tudo o que o amarelo das suas flores encerra. Não sei especialmente porquê, mas deixo-me envolver por uma dinâmica relaxante em que os atributos atrás referidos assumem um relevo essencial. E há um particular sentimento que elas, as azedas, me trazem invariavelmente. O sentimento de renovação, já que todos os anos, por esta altura, elas cobrem os campos e um sentimento profundo de luz, calor interior, optimismo e alegria. E, ainda, uma saudade boa de ter. Boa, porque transporta a reminiscência de um passado recente e de um porvir cada vez próximo, sempre renovados no significado do amarelo das suas flores e na magia que incute a quem delas gosta.

Uma vez mais, os campos estão cobertos com a doçura das azedas.  *

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terça-feira, dezembro 31, 2013

Bom 2014 para todos


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Propus-me fazer uma resenha dos momentos mais significativos, bons e maus, para mim, ao longo de 2013. Não deu. Pouco tempo e, mea culpa, pouca disposição. E receei que acabaria por cair no discurso recorrente da tremenda situação em que nos encontramos, por obra e artes de um socialismo serôdio convencido da sua permanente actualização, sábia e democrática actualização, por força de um aggiornamento que lhe é imposto pela realidade. No fundo, a velha imagem do socialismo na gaveta de Soares. E não resistiria ainda ao registo de duas camadas de gente, uma, nobre, superior, fadada para tratar de nós em regime de manadio, por via da sua superioridade moral e intelectual. A outra, mais truculenta e potencialmente torcionária se acaso obtivesse o poder. Entretem-se a escaqueirar o que resta deste país, para o que conta com uma tribo em estádio primário (e que convém manter como está) e com os tais seres bafejados pela luz da moral, bons costumes e sabedoria que, neste caso, funcionam como os conhecidos idiotas úteis. Que me parece, de resto, ser a única utilidade de que dispõem.

A propósito destes últimos, não resisto a citar um (precioso) vídeo de um conhecido trio de eminentes artistas (Tordo, Paulo Carvalho e Carlos Mendes) «explicando» às crianças portuguesas dos anos setenta a verdadeira essência do Natal, substituindo-a por operários e lenhadores amigos que, eles sim, lhes levavam o verdadeiro espírito de Natal. Até porque nessa altura havia muitos amigos em cada esquina, como aqueles que já tinham atingido a maioridade no 25 de Abril se devem lembrar. A gente dobrava uma esquina e tropeçava nos amigos, presume-se que operários e lenhadores. Vale a pena vir aqui e ler este post da Helena Matos e, importante, ouvir o vídeo. Uma prova viva de como esta gente acha que deve cuidar de nós e, mais grave, se encontra ainda por aí, engravatada pelo socialismo moderno mas, no fundo, levedando o sonho eterno dos operários e lenhadores fazerem o Natal para a criança nova que o Portugal mereceria, não fossem os poderosos, os bancos e o «Pingo Doce».

É isso… eu tenho este tremendo defeito, entre outros. Começo a descrever algumas ideias e depois faço das palavras as cerejas do ditado popular.

O melhor mesmo é ficar por aqui. E desejar, do fundo do meu coração, a todos quantos por aqui passam, um Novo Ano sem operários nem lenhadores a fazerem a festa, apenas com amigos e familiares queridos, E que entre eles crepite sempre uma luzinha especial, alguém que sabemos que nos ama muito e que nós amemos também *. Assim mesmo. Amar por amar, sem operários nem lenhadores, apenas no decurso da nossa natureza, sobretudo mantendo a nossa intocável condição de indivíduo. Cada qual com as suas características próprias (sem necessidade de sermos criados em manadio) e, todos juntos, mesmo diferentes, consigamos o respeito mútuo necessário para uma vida e um país melhores.

Sorrir continua a ser uma manifestação de carácter, cultura e bonomia. Há sorrisos, mesmo, que desarmam, por tão lindos que são. Um bom 2014 para todos os meus amigos, com um franco e esperançoso sorriso.

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terça-feira, julho 16, 2013

Cornos e tomates


Uma cornada bem visível na coxa


Gente em tomatada

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Nunca entendi verdadeiramente as razões subjacentes às duas mais populares festas espanholas. A Tomatina, na qual valencianos e turistas vêm para a rua lançar tomates uns aos outros, no fim do que toda a gente parece um boneco de ketchup e a largada de touros, na rua, em honra de S. Firmino. Se na primeira não vem grande mal ao mundo, e acredito até que o pessoal se divirta, já na largada quase todos os anos morre gente e dezenas de pessoas vão parar o hospital, como este valentão da foto que há dias foi virtualmente perfurado na coxa, na virilha e noutro local qualquer. Na foto distingue-se perfeitamente o corno direito do bicho dentro da coxa do homem.

Não sei o que fazem aos touros depois deste tropel e de gente furada pelos cornos ou esmagada pela própria multidão. Os tradicionalistas dir-me-ão que são tradições e que, como tal, devem ser respeitadas, possivelmente atirar cristãos aos leões ou bruxas para a fogueira são práticas que deveriam ser respeitadas também. Por mim, digo que se os touros pensarem devem ir para o estábulo a pensar que o homem é um animal estranho e assim a atirar para o estúpido.
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sábado, abril 20, 2013

X rated F1


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Há pouco, nos treinos de qualificação para o GP do Bahrain, Rosberg gritava na rádio para os engenheiros, queixando-se de que sentia uma coisa a abanar entre as pernas (ipsis verbis).

O treino acabou e não se falou mais no assunto. Espero bem que Rosberg se tenha cetificado devidamente e  chegado a uma conclusão válida sobre o que lhe estaria acontecendo. Até porque todos aguardamos vê-lo arrancar amanhã da pole position que, mesmo com coisas a abanar entre as pernas, conseguiu alcançar.
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quarta-feira, agosto 24, 2011

Abrenúncio, saramago, pé-de-cabra, vê se te avias...

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Uma das inúmeras festas tradicionais portuguesas consiste em dar um banho de mar em Barcelos (*) a crianças com várias maleitas do corpo e do espírito. Gaguez e magreza não resistem à bondade do Senhor, tal como o mau-olhado e a possessão são devolvidos ao mafarrico.

Eu tinha uma vaga ideia da existência deste banho, costume antigo que não sei se acabou com os gagos, magros e possessos de Barcelos, mas nem sempre aquilo deve funcionar, porque há banho todos os anos, aquilo deve ser um bocadinho como aquelas Termas que fazem muito bem ao reumático e onde os portugueses vão todos os anos durante toda a vida, porque lhes dói as costas e os joanetes. Ou seja, faz bem mas é preciso ir lá todos os anos.

Do que eu não sabia é que isto de dar banho às criancinhas barcelenses teve um necessário «aggiornamento», que isto da vida está difícil, a crise está instalada, daí que os banheiros levem agora €5 por cada criancinha que levam ao banho. A ciosa reportagem da RTP (que não perde uma, de cada vez que se trata de manter a infantilização em curso das gentes) fez algumas perguntas a um banheiro. Uma delas era se por acaso não pagassem os €5 o banho teria o mesmo efeito. O banheiro não se desmanchou e disse que estava ali por devoção, bem intencionado e pela graça de Deus, as pessoas é que queriam pagar. A repórter perguntou então se as crianças choravam e o banheiro disse que sim. Choravam imenso, mas ele «obrigava-as» a irem ao banho e no fim, eles já não tinham medo. Fazia-os homens. Se fosse comigo eu tinha perguntado ao banheiro o que é que acontecia às meninas, se se faziam homens também, mas isto já sou eu e o meu mau feitio.

A reportagem acaba com a expressão de dever cumprido. A repórter porque fez as perguntas que devia. O banheiro porque logo à noite adormece convencido que esconjurou o demónio a uns tantos pobres de Cristo e pôs uma data de gagos a falar de seguida. E aproveita a embalagem e multiplica por cinco. Entretanto, durante o ano devem nascer mais uns gagos, magros e possessos e para o ano há mais.



(*) Não é Barcelos, mas sim S. Bartolomeu do Mar - Esposende. Correcção notada após amável comentário de um leitor. Ver os comentários.
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quinta-feira, julho 05, 2007

Um mimo matinal que se vai tornando habitual

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Acordo outra vez com este mimo. É bom, desvanece e conforta-nos. Já o ano passado foi a mesma coisa!

Obrigado, querida amiga. E um grande beijo para ti, também.

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