sábado, junho 11, 2011

Lá como cá...




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...idiotas há. Eu não sei os pormenores, só me apercebi de que o governo brasileiro estava a ir ao bolso dos cidadãos que pagam impostos para entregarem de mão beijada a Maria Bethânia qualquer coisa como €560.000 para ela gerir um blogue sobre cultura brasileira. Alguns jornalistas portugueses questionaram a artista (teve ontem um espectáculo único, esgotado, aqui em Lisboa), mas ela achou aquilo uma intromissão na vida de cada qual e aos costumes disse nada.

Pesquisei um pouquinho e lá me apercebi do que se passava. E nada como ler esta pérola de um tal Jorge Furtado (apesar de ter já cerca de dois meses), cineasta petista (graças a Deus por cá ainda não chegámos a este ponto, ainda não temos cineastas socialistas, social democratas, democratas cristãos ou cineastas que sofrem de sinusite...), glosado por Reinaldo Azevedo, ao que parece um conceituado colunista da Veja. E vale a pena, porque estão ali bem expressas algumas enormidades que por cá fazem igualmente escola, pelo que me atrevo a afirmar que nesta coisa de socialismos mudam as moscas, mas o essencial permanece, seja em que continente for.

Jorge Furtado atinge os píncaros do ódio e o paroxismo da idiotia e questiona mesmo aquilo que porventura constitui um grande cartão de visita brasileiro, a tal nação multirracial, pele branca, coração negro, patatipatatá, como costuma correr por aí. Jorge Furtado parece-me inclusivamente ser um refinado racista, quanto mais não seja porque a páginas tantas ele, na defesa da sua dama Bethânia (que ele acha que devia ser estatizada, vou repetir, es-ta-ti-za-da!!!), chega a firmar que «... a distinção que alguns ainda fazem entre os meios cinema, televisão e internet seria engraçada se não fosse um empecilho ao desenvolvimento do país. Preconceito também contra os nordestinos. Nas críticas sobram piadas contra os baianos, quase todas vindas do mesmo gueto branco direitista no enclave paulista...»

Não sei se Furtado é preto ou nordestino. Idiota é, com certeza. Infelizmente estes Furtados vão conseguindo bem mais audiência que o desejável. Nos «entretantos», para glosar um pouco o léxico brasileiro, as alavancas do progresso e os iluminados vão recebendo centenas de milhares de Euros para manter blogues de pesquisa. Se Dilma quiser, eu faço um desconto. E prometo dar o meu melhor nas pesquisas que ela quiser. Inclusivamente sondagens sobre quantos Furtados se incomodam com os guetos brancos e direitistas do enclave paulista chateados com os nordestinos e baianos (esta é, realmente, de antologia) e quantos paulistas se incomodam ainda com os Furtados que lhes saem na rifa de vez em quando. Digamos que faço a coisa pela metade. Topa, presidente Dilma?

Nota: Vale a pena ler a parte final da crónica de Reinaldo Azevedo. Coisa mais límpida não há. Sobretudo quando se alinham artistas, cineastas e pasteleiros na mesma escala de prioridades.
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sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Os preservativos


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Há que preservar o homem. Preservar o arreganho com que é preciso morder as canelas da reacção. Preservar a sempiterna caminhada a caminho do homem novo, moderno e progressista. Preservar também os empregos, que isto está mau e há sempre nichos de emprego que importa… preservar. Preservar, sobretudo, a forma e a eficácia de manter o maior número de gente na condição de idiotas pasmados e plasmados na suposta superioridade intelectual desta clique que se movimenta pelos blogues, jornais, televisões e, nos intervalos, vai publicando uns livros ou atendendo umas palestras convenientes, mesmo que idiotas. Preservar o carrossel de massas que vai garantindo os votos de manutenção do status quo, as burricadas de feira que gostam da cenoura à frente dos olhos e do cajado no lombo.

É preciso, afinal, preservar. São os preservativos de serviço. Uns, idiotas úteis de genuína militância. Outros, só porque sim. Outros, ainda, porque, preservando, preservam-se a si próprios e aos seus inconfessáveis interesses.
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domingo, agosto 16, 2009

Idiotas?

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Aqueles que utilizam com frequência a expressão «idiotas úteis» deveriam ler com atenção (e quedar-se em «útil» reflexão) esta notícia do Público. E perceber que nem sempre os idiotas são tão idiotas como parecem, nem a sua utilidade é desprezível. Sobretudo para eles próprios.
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quinta-feira, janeiro 22, 2009

Estou muito mais descansado


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Alguém me explique a força e influência de um grupelho político, trauliteiro e torcionário como o Bloco de Esquerda, que consegue coisas tão espantosas como a geminação de Lisboa e Gaza, que não seja um sentimento colectivo de bovinidade perante o pensamento correcto e uma verdadeira falta de vergonha.

Para não falar de uma autêntica falta de respeito pela morte de mais de um milhar de cidadãos de Gaza, induzidos por um grupo de terroristas, objectivamente seus carrascos e que não hesitaram no seu sacrifício pelos bombardeamentos israelitas, em nome de uma hipotética vitória política.

Portugal continua assim na senda do cretinismo militante. Hoje Gaza, amanhã cama, mesa e roupa lavada para meia dúzia de terroristas a receber de Guantánamo. Ninguém sabe bem porquê, mas fomos dos primeiros a oferecer préstimos. Mau grado a liminar recusa de vários países europeus. Que isto quando toca a cretinismo ninguém nos leva a palma.

Ainda sobre este tema, ler: O Paulo Tunhas em O Cachimbo de Magritte , o D. B. Henriques no 31 da Armada
e o João Miranda no Blasfémias.
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