segunda-feira, julho 16, 2012

O calor de novo e o povo feliz

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E esta manhã o português acordou contente como um menino a quem deram a roca. O sol brilha, a temperatura aqui em Lisboa vai atingir os 37º e das televisões escorrem sorrisos e satisfações mal contidas. Um autêntico dia de Verão, dizem as apresentadoras. Com temperaturas mais altas e vento fraco. E parece que é para continuar.

Hoje a licenciatura de Relvas e as opiniões de Louçã vão esbater-se e perder impacto no gozo supremo dos portugueses inebriados pelo sol que os vai aquecer na praia. E, já agora, nos restaurantes onde as pessoas se vão queixar do ar condicionado e preferir comer com uma risca de suor a escorrer-lhe pelas costas. Uma amiga que eu cá sei também não perderá a oportunidade de fazer um post. Pequenino mas incisivo. Ah! E mais logo, as rádios soltarão ondas de felicidade pelos 37º que se vão manter pela semana fora. Quando muito aconselharão um casaquinho de malha para o fim do dia, não vá chegar uma «friagem» ao cair da noite.

Deus enganou-se. Devia ter semeado os portugueses uns paralelos mais a sul!
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terça-feira, junho 26, 2012

QUA-REN-TA

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Afinal, enganaram-se. Hoje Lisboa bate nos quarenta! O que vale é que acabei de ouvir o Francisco Ferreira da Quercus a ensinar-me como lidar com os electrodomésticos para poupar 50% na electricidade.

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segunda-feira, junho 25, 2012

África, terra bruta, que até à papaia lhe chamam de fruta


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A culpa é de uma massa de ar seco e quente que veio por ali acima, Casablanca, Tânger, Algarve e chegou a Lisboa. Para o ar seco e quente é fácil, não precisa de frágeis embarcações nem há polícia de fronteira que lhe chegue. Vem, pronto. E instala-se por uns dias, talvez porque lhe saiba bem um banho europeu de vez em quando. O pior é que se esquece que 35º hoje, 37 amanhã e 39 para Quarta é demais para aqueles que gostam de sentir a roupa seca e a brisa fresca a acariciar-lhe o cangote. E é assim que vai ser. O ar quente e seco faz-nos uma visita assim, à bruta, porque é à bruta que as coisas se passam abaixo do Mediterrâneo. Não há falinhas mansas nem meios-termos. O pior é que, enquanto cá está, causa o gáudio de muita gente. As apresentadoras de rádio «pipilam» (este termo é, salvo erro, do Herman) de gozo, disseram que o tempo hoje esteve uma delícia, que amanhã vai estar melhor e na Quarta, então, vai ser o máximo com as praias a encherem-se de gente.

Felizmente que há ainda uma certa ordem nisto tudo e na Quinta espera-se que o trópico de Câncer se espreguice e dê um chuto na massa de ar, ocasionando uma deliciosa e abrupta descida de 12º, entenda-se, regressamos aos valores normais para a época, mas na casa dos vinte e qualquer coisa e libertos dos superlativos devaneios das massas de ar quente e seco que vêm do Norte de África. Nesse dia, as apresentadoras de rádio e televisão continuarão a incitar a grei a ir a banhos, mas que é melhor levarem uma casaquinho para a noite porque pode vir uma friagem. O que acontece ali pelos 20º…
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quarta-feira, setembro 28, 2011

Ó senhor Vitorino, desligue lá aquilo... já estamos no Outono




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Para aqueles que se esquecem da nossa vertente terceiro-mundista (nem acredito que disse isto) aí está este Setembro quente, abafado, pesado e na casa dos trinta graus. A coisa torna-se particularmente grave porque é nestas alturas que vem ao de cima um dos grandes preconceitos das lusas gentes sobre o ar condicionado. Uns porque espirram, outros porque acham que se constipam e outros porque são alérgicos. Também há quem diga que os ácaros são mais e mais activos no Outono. Nos restaurantes, os aparelhos de ar condicionado continuam a ser apreciados objectos de adorno e ai de quem os ouse ligar. Há sempre alguém que diz não, como o poeta Alegre. Uns porque o ar condicionado lhes bate na cara, outros porque a sopa arrefece e outros ainda porque…estamos no Outono, soit disant, que o Outono é estação já para umas camisolinhas de lã, quem sabe um cachecol fininho para proteger as nossas frágeis e sensíveis gargantas. O resultado é andarmos todos nesta estufinha morna e peganhenta, suados no colarinho e suportando um desagradável e inominável odor que, a acreditar na minha pituitária, se encontra algures entre as virilhas cozidas e as virilhas azedas. Há casos também, em que cheira a fénico (nunca soube, desde miúdo, o que é cheirar a fénico, mas o meu avô dizia-o com frequência), peúgas calçadas com ténis durante quinze dias, concentrado de atmosfera de metropolitano e, em casos mais graves, a cabelo com caspa de gente que nunca lava a cabeça porque acha que vai ficar careca.

Preparado para mais um dia de 30 graus com sinal vermelho para o ar condicionado, aqui vou eu trabalhar. Vale-me o magnífico, saudável, fresco e revigorante ar condicionado do meu carro que me confere e armazena paciência e denodo para mais um dia de 30 graus e de gente prestes a constipar-se. Mas isto sou eu, que tenho a mania!
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quinta-feira, julho 29, 2010

Uffffffff!


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Recuso-me a pensar. Recuso-me, sequer, a ser. Há avaria grossa no comando do cérebro ao músculo, ao nervo, à vontade e a qualquer registo sensorial. Isto não é clima de gente. É clima de animais poiquilotérmicos, lagartos, serpentes, lagartixas, osgas, gala-galas, peixes, insectos, salamandras e demais metazoários. E eu não sou metazoário. Fui programado para os 36,5º Celsius, não que me tivessem perguntado mas porque assim quis Deus Nosso Senhor (o Outro, o divino…) e não estou, assim, preparado para ser escaldado em vida, «estrelado» ou em risco de ser estufado, se perto de uma porção de unto, alho e cebola. Não tenho vocação para estrugido, suflê ou vol-au-vent. Se oiço uma vez mais que seja uma das nossas simpáticas apresentadoras de rádio anunciar que o calor está para continuar, no tom e na forma de quem acabou de lhe sair o euromilhões ou de ter arranjado namorado novo, juro que me dá três coisas e faço um abaixo-assinado, uma petição e assim, como agora se usa. Não é aceitável que esta visão orgástica do calor continue a fazer escola entre os meus conterrâneos. E não é aceitável por que o calor esmaece, o calor depaupera, adormece as meninges e anestesia as sinapses. Tudo coisas que, ao que parece, seduzem a maioria dos meus conterrâneos para que continuem a glosar esta vaga tórrida vinda de África (where else from?) e instalada sobre a Ibéria e aí mantida por obra e graça do famoso anti-ciclone que nos protege do frio como a Senhora de Fátima nos protegeu da guerra. É isso, somos um povo protegido. Como os meninos e os borrachos. Deus põe-nos a mão por baixo por tudo e por nada. Às vezes exagera e o resultado é este. Não consigo trabalhar, não consigo pensar, não consigo querer, não consigo, period. Só consigo em ambiente de ar condicionado mas isso só é possível em ambiente de uso exclusivo. Sempre que em ambiente partilhado, «há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não». Por mor do ar seco que potencia as alergias, por força dos ácaros. Das correntes de ar. Das pontadas. E pedem invariavelmente para desligar o dito cujo. Em casos benignos, para o reduzir.

Lá fora, o meu carro ferve mesmo à sombra do arvoredo e preserva cerca de 40 graus de temperatura da cabine, para me deliciar durante aquele dez minutos que demora até o ar condicionado actuar. Com os ácaros todos, secura do ar, pontadas traiçoeiras, armadilhas para as artroses, mas pronto a fazer-me feliz durante os 40 minutos que me separam de casa. Disse.
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terça-feira, julho 27, 2010

Febre


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O país está com febre. Não consigo descortinar um local com a temperatura abaixo dos 36,5. Talvez explique muitos delírios que por aí se vê. Banhos frios e mesmo saquinhos de gelo nos membros poderiam ajudar. Aprendi isso na tropa sempre que um soldado nos aparecia com sezões. Mas cuidado, depois da noite cair. As temperaturas baixam para uns perigosos 24-25º e há correntes de ar. O que vale é que as rádios nos avisam com alacridade que na manhã seguinte o calor continua e, assim sendo, que não nos esqueçamos de o aproveitar bem.

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segunda-feira, julho 26, 2010

41º hoje para Lisboa


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Muitas mães e avós dirão hoje, ainda e mesmo assim, aos seus filhos e netos para levarem um casaquinho, que logo à noite arrefece. Ou podem apanhar uma corrente de ar. E para terem cuidado no restaurante e não ficarem com ar condicionado em cima. Enquanto isso pode ser que por estes dias as filas de trânsito adquiram este cenário. Por mim, ainda prefiro o ar condicionado do carro, enquanto oiço as rádios avisarem para dar água aos velhinhos e às criancinhas, mas tenho de admitir que a marginal se tornaria menos repetitiva.

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quinta-feira, janeiro 14, 2010

Sole Mio


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Para quem se esqueceu (a ausência desfoca o conhecimento e a imagem), o Sol é uma massa estrelar composta primariamente de hidrogénio e hélio e por oxigénio, silício, enxofre, magnésio, crómio, cálcio e outras minudências. O sol arde (e, segundo quem percebe da coisa, arderá por mais vinte biliões de anos) e a temperatura é de tal modo elevada, aproximadamente 5790 K, que lhe confere uma cor branca, todavia, transformada em amarelo devido à dispersão dos raios na atmosfera.

Apesar de o Sol exagerar em algumas partes do planeta, “torrando os sítios e as gentes com temperaturas elevadas, noutros locais", de vez em quando dá-se ao luxo de se ausentar, sem dizer para onde nem porquê. E faz falta, No caso português, dá cor às gentes, seca a chuva contínua onde chapinhamos há semanas e aquece as almas e os corpos enregelados porque, tanto quanto nos disseram na TV, o anticiclone dos Açores descaiu para sul, dando lugar a massas de ar árctico. Não se faz.

Pois o sol regressa hoje. A partir do meio-dia. Segue pela tarde fora e só não segue pela noite porque vai cumprir a sua missão de manter a Austrália em pot roast de 38º. Mas amanhã de manhã regressa para nos aquecer a paróquia por mais umas horas até se esconder de novo, lá para a tarde, mergulhando-nos de novo no cinzento frio e molhado em que temos vivido há…. já nem sei quanto tempo. Certo, certo é que o fim-de-semana vai alojar de novo o tal general inverno que se vai instalar por mais uns tempos. Longos. Pois que seja tudo depressa, que as imagens estivais começam a fazer falta. Subir às ávores por exemplo.
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