quarta-feira, novembro 21, 2012

Pergunte-se a Fernando Nobre

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Quando a porosidade do corpo é invadida pela genialidade do espírito, somos brindados com pérolas deste jaez. E mantemo-nos tão inebriados pela sabedoria que delas emana que nos esquecemos, até, de nos perguntarmos de que é que estamos à espera para pôr estas ideias em prática. Afinal, andamos todos aqui a queimar as pestanas, a sobressaltar o sistema nervoso central e a submetermo-nos a uma versão revista e aumentada das cinquenta sombras de Grey versão noticiosa das nossas televisões e as soluções todas aqui, à mão de semear. Expressões como «… reorganização para reabilitarmos o Estado social… um estado falido não pode ser social… meios adequados… juntas e concelhos a mais…reestruturação e reorganização… acabar com as gorduras… revolução…» são a expressão avulsa de tudo quanto podemos ler aqui.
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domingo, agosto 05, 2012

Encerrado para descanso do pessoal

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Porque também sou filho de Deus!
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quinta-feira, junho 07, 2012

Um povo amestrado…

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…que devia estar no Jardim Zoológico, diz D. Januário, um bispo que, por mais que se esforce, não consegue dissimular a sua condição de «lateiro». No seu caso particular, duplo «lateiro» pois tanto o é no exército ascendendo a major-general, como na hierarquia da igreja católica.

Torgal Ferreira dificilmente reprime os seus ódios e liberta-os com a mesma espontaneidade com que se calava no período socrático, uma altura em que ele achava que o povo não se chocava tanto e, portanto, ele não via necessidade de que a grei viesse para a rua fazer democracia.

O clero, aqui e ali, é mal representado. Gente que não consegue esconder o seu espírito de claque mas, mais grave, com um diabólico e muito estranho sentido de democracia e liberdade. Deus lhes perdoe e os livre do mal!
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quarta-feira, fevereiro 22, 2012

As magnas questões nacionais

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As magnas questões nacionais discutidas no Parlamento. Felizmente que temos quem olhe por nós na encruzilhada difícil das escolhas e opções que, aqui e ali, temos de fazer na vida. Ou, por vezes, pela vida, como amiúde acontece com os nossos deputados. Por mim, confesso que me sinto dividido entre a água engarrafada e a água da torneira. Tenho de pensar no assunto.

Trabalhasse eu na TSF e saía já um Forum à pressão. E a pergunta aos ouvintes seria? Acha que a opção pela água da torneira seria uma medida recomendável para aplicar na Assembleia da República? E, a sê-lo, acha que o governo ganharia ou não com a medida? Depois convidava dois presidentes de câmara, um capitalista/poderoso de uma marca conhecida de águas minerais, um distribuidor para Portugal de hipoclorito de cálcio e de sulfato de alumínio, um director regional de saúde, o Dr. Mário Soares, a Dra. Clara Ferreira Alves e o Daniel Oliveira.

Eu para fazer filmes, estou por aqui. Infelizmente este não é daqueles de que se avisa «esta história é fictícia, não reflecte situações ou personagens conhecidas e qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência».
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quarta-feira, agosto 17, 2011

A sabedoria dos deuses




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Há uma lenda africana que diz que o embondeiro passava a vida a lamentar-se porque não era tão verde nem tão bonito como muitas outras árvores. Por isso os deuses se zangaram muito com a resmunguice do embondeiro, de tal maneira que o arrancaram da terra e voltaram a enterrá-lo ao contrário, para que ele passasse a ter as raízes, feias e retorcidas, emaranhadas na direcção do céu.

Fora da lenda, e isto penso eu, talvez seja por isso que o embondeiro viva tantos anos. Silencioso e paciente. Na esperança de que os deuses o devolvam à posição original. O exemplar da foto, por exemplo, (Africa Geographic clicar para ver maior) é referido como tendo mais de 1000 anos.

Há por aí gente que se fosse virada de pernas para o ar, como o embondeiro, ficaria com uma imagem bem mais consentânea com a sua índole. E com a vantagem de não viver 1000 anos.
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sábado, julho 09, 2011

Maria José Nogueira Pinto (1952 – 2011)




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De Maria José já todos disseram alguma coisa. Mas tropecei nesta fotografia e nela encontrei um conjunto de elementos a que não pude ficar alheio. O tique de uma cidade que amo num enquadramento feliz e uma mulher à qual, mesmo sem a conhecer pessoalmente, me habituei a render uma profunda admiração. Por tudo o que já dela foi dito. Mas registo particularmente a veemência e a correcção (apetece dizer educação) com que ela debatia os diversos temas políticos em apreço nos vários programas em que a vi, bem assim como a facilidade com que remetia algumas «questões fracturantes» para o campo das meras idiossincrasias politicamente correctas, por força das suas convicções e escorreita argumentação. Também recordo uma viagem que fez a Angola recentemente, percorrendo praticamente todo o país de carro, pela qual ela nos deixou uma excelente reportagem, sem que alguma vez deixasse assomar ressabiamentos ou se deixasse arrastar pelo campo fácil da crítica emocional, sobretudo quando eram bem conhecidas as suas opiniões sobre os fautores da nossa «descolonização exemplar». E rendi-me, comovido, à sua última crónica para o DN, escrita pouco antes de morrer, profusamente reproduzida na blogosfera e comunicação social.

Fazem falta em Portugal Marias Josés como esta.


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quinta-feira, março 24, 2011

Para entender melhor

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Um grupo de rapazolas machistas, marialvismo inaceitável, desonestidade do primeiro ministro, manifesta ignorância de matérias sensíveis da vida dos portugueses por parte do governo, desrespeito pelos cidadãos e pelas instituições democráticas, apego ao poder, clientelismo e a saída de Sócrates com a única boa notícia do dia. E ainda a necessidade e o dever que todos temos de nos defendermos de Sócrates. Uma análise serena e muito lúcida de António Barreto à Ana Lourenço.

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segunda-feira, março 14, 2011

Tropecei «nisto»


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Será por comodismo, cobardia ou vistas curtas que todos se contentam com dar contornos visíveis à camada superior e iluminada da vida, onde os sentidos brincam aberta e legitimamente, enquanto lá em baixo, nas caves, nas cavernas profundas e nas cloacas do coração, se agitam, em emanações fosforescentes, as bestas realmente perigosas da paixão, acasalando e dilacerando-se na sombra, e assumindo as mais fantásticas formas de envolvimento? Sentir-se-ão amedrontados pelo sopro ardente e devorador dos instintos demoníacos, pelo vapor do sangue abrasador? Terão medo de sujar as mãos delicadas nas úlceras da Humanidade, o seu olhar, habituado a uma luz mais fosca, não será capaz de os fazer descer estes degraus escorregadios, perigosos, atolados, na putrefacção? E, no entanto, para quem detém o saber, nenhuma alegria é comparável à que está oculta, nenhum sofrimento é mais sagrado do que aquele que, temeroso, não ousa manifestar-se...

Stefan Zweig in Confusão de Sentimentos

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