terça-feira, fevereiro 03, 2009

Prós e Contras (não há como evitar...)


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Estou a recompor-me da vergonha do "Prós e Contras" de ontem. Entre outras coisas senti-me um menino de infantário a quem se explica coisas que só os crescidos entendem. E tudo com a bonomia do sorriso próprio de quem sabe o que está a dizer e para quem está a falar. Da ironia de Júdice (onde é que ele foi buscar analogias com o Tim Tim?) à cátedra de Saldanha Sanches e veemência e segurança do dr. Raposo Subtil (que eu não conheço mas que, de repente, surge no cenário como pedra importante), até ao argumentário absolutamente idiota do… esse… o ex secretário de estado de quem não me ocorre o nome, tudo se passou como num filme burlesco de situações esperadas mas, ainda assim, absurdas. Fátima Campos Ferreira passarinhava por ali e ainda agora não percebo se a actuação dela se pauta por arranjos florais ou se pura e simplesmente ela não tem a mínima ideia do que anda ali a fazer. Ficou-me dela a insistência com que perguntava aos participantes: “E agora? Como é que vamos fazer? Como é que vamos sair desta?" Sendo que "desta" era o assassinato político de Sócrates e não o julgamento de factos incontornáveis como declarações públicas de múltiplos intervenientes e mails e cartas e correlativos e tios "orgulhosos depende" e primos estagiários na China.

Como ninguém disse a Fátima como é que vamos sair desta o programa acabou com tudo na mesma, com toda a gente preparada para ir rezar um acto de contrição e travar as estratégias malévolas, as insídias, as forças ocultas com que, de repente, o país resolveu atacar José Sócrates.

Nota: Um registo para CAA que me pareceu ter sido o único com clarividência suficiente para chamar nomes às coisas e fugir da vulgata instalada de desculpabilização de José Sócrates. Uma intervenção muito positiva e para registar. Para além de, passe a brejeirice, provar que quando CAA não trata do "FêQuePê" é um excelente contendor e preclaro orador.

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terça-feira, novembro 18, 2008

O vereador da triste figura


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De "triste figura" conheci um cavaleiro. Apesar de tudo, nobre e honrado, era vítima das suas alucinações e cumpria à risca os desígnios da sua loucura. Conheci outras tristes figuras sem a honra e o brio do nobre da Mancha mas a de ontem, a triste figura do Zé, aquele que nos fazia uma falta dos diabos, ultrapassou os limites do admissível, pelo absurdo, pela falta de tutano quer no que disse quer no que tentou parecer como zelota do reino municipal da cidade.

Houve altura em que perante as investidas de Miguel Sousa Tavares receei o pior e admiti que o Zé desatasse para ali a dizer palavrões ou aos urros. Não começou. Conteve-se. Em qualquer dos casos, o Zé tornou-se um Zeca sem qualquer noção do que estava para ali dizer, por muito válidas que fossem as razões que pudessem justificar o enredo do porto de Lisboa.

Tenho de admitir que a Secretária de Estado se portou bem, com à-vontade, sabendo falar e com sentido coordenado de ideias, atributos que, como se sabe, são raros no governo que temos. Sobretudo no risível chefe da senhora que ontem, graças a Deus, estava ausente.

Miguel Sousa Tavares pareceu-me com o trabalho de casa mal feito. Sentiu-se “apanhado” com alguma argumentação técnica que ele não esperava. Daí que as suas “alegações finais” pareceram demasiadamente românticas e algo pueris. Mas teve saídas com piada, gostei sobretudo daquela em que disse que ia passear com os netos para Alcântara e diria: - "Olhem, vejam aqui o “ganho” do Zé"! Hilariante.

Fátima continua na mesma. Mal criada e sem o mínimo sentido de oportunidade. Aquela insistência junto do administrador da Liscont “têm ou não têm direito a indemnização?” e o ar complacente do tal administrador com cara de “como é que vou explicar isto a esta mulher?” valeu pelo programa.

Tudo junto e somado… fiquei na mesma. Ficou a vertente lúdica de um debate com pormenores bem humorados. Não ficou mais nada. A não ser, porventura, a ideia de que aquela Secretária de Estado faria certamente melhor figura que a do chefe lá no ministério.

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terça-feira, maio 06, 2008

Prós e prós


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Vou dando razão àqueles que se admiram pelo facto de eu ainda conseguir ver o Prós e Prós. Porque já não consigo. Distraio-me, faço zapping e nem o trovejar da Fatinha me tira do sério. Ontem, nos raros momentos em que "passava pelo programa", dei-me conta de algumas intervenções e tudo junto e somado desaguava na foz do costume. A culpa da escassez alimentar é do capitalismo, do sistema, da especulação, do funcionamento do mercado e, naturalmente, dos especuladores. Também reparei que os representantes dos agricultores continuam a achar quer a agricultura não deve servir para ganhar dinheiro e, muito menos, gerar lucros, mas para garantir subsídios. Resumindo: mais do mesmo, sempre do mesmo. Interrogo-me se teremos sido sempre assim ou se fomos operados em pequeninos.

Nota:
Houve tempo em que, por exigência profissional, voei muitas horas sobre terras férteis, espumando de matéria orgânica acumulada de séculos, sob horas de sol intenso à espera de casar com clorofila e sujeitas a chuvas intensas que quando faltam, são compensadas por cursos de água. Centenas de milhares de hectares à espera de ser cultivados. Hectares que podem atingir facilmente, cada um, claro, dez toneladas de milho, cinco de arroz, trinta toneladas de batata e milhares de toneladas de pasto tenro e farto à espera de ser cortado e fenado ou ensilado. Faz confusão, eu sei. Sobretudo quando pensamos que a imensidão destas terras se encontram em países e territórios onde se morre (literalmente) de fome. E que poderiam, sem dificuldade, ser cultivadas. Mas o capitalismo, o mercado, o sistema e os especuladores de Chicago não deixam.

NOTA 2: Sobre este tema, vale a pena ler este pequeno trecho do João Miranda.


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terça-feira, junho 26, 2007

De quem é a culpa?



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A sério, pode ser de mim. Mas ver Fátima Campos Ferreira com aquele sorrisinho trocista tipo de “quem sabe tudo mas não diz nada” a perguntar, a insistir, a perguntar e a insistir ao presidente da Xunta da Galiza, “porque é que o Porto estava a regredir e a Galiza a crescer” e ver o pobre sem saber bem o que lhe havia de responder, para além do óbvio, foi absolutamente delirante.

Aliás, grande parte do debate centrou-se nisso mesmo. De quem é a culpa de a região do Porto não estar a crescer como devia? E mesmo quando apareciam umas vozes avisadas a tentar responder num plano conjuntural e isento de bairrismos barrocos, lá vinha Fátima de pergunta em riste: - Mas de quem é a culpa?

Faço minhas as palavras de tão insigne e estridente jornalista: - De quem é a culpa? Cá por mim foi por terem deixado vir o INE para Lisboa. Eu não tinha deixado…

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