sexta-feira, abril 25, 2014

Obscenidades


[5110]

Antes que a banalização da data cumprisse a ameaça dos últimos anos, eis que um grupelho vulgarmente conhecido pela esquerda, tratou de dar umas bombadas no «petromax» . Daí à vergonhosa manifestação de despeito (como apropriadamente lhe chamou a Helena Matos) foi um passo. Mais um punhado de gente de cravo, a cantar a Grândola e a fazer procissão até ao edifício da DGS compuseram o ramalhete final, numa das mais revoltantes operações de manipulação de massas que me foi dado assistir. Pelo meio, o espectáculo grotesco de ver Soares aos beijinhos a Otelo (um conhecido torcionário, condenado, mas mais tarde despenalizado por via de uma trapalhada qualquer em que Soares é exímio) e a Vasco Lourenço (um exemplo vivo do que aprendi a conhecer na tropa como lateiro, entenda-se aqueles que ficavam pela tropa porque não sabiam fazer mais nada).

Arrepiante. Grotesco. Continuamos mais ou menos à mercê de um grupo de gente que acha que todos nós devemos ser livres de pensar e agir, desde que o façamos como eles. A comunicação social cumpriu o seu papel de idiota útil, ainda que, pelo que me pareceu, genuinamente militante.

Na Assembleia da República, entretanto, os discursos do costume sucediam-se, como se de uma vulgar sessão se tratasse. E as claques, atentas, veneradoras e obrigadas, iam batendo palmas à medida dos intervenientes.

Deve ter havido, ainda, um fluxo de comentaristas nas televisões, mas confesso que não vi. Cansado desta gente, mais que a celebrada Teresa Batista estava da guerra, já não consigo ver os nossos canais noticiosos. Já só me fico pelo futebol.

NOTA: Já agora. Não há como mandar prender Vasco Lourenço? Não há lei nenhuma que preveja o permanente e obsceno incitamento à violência feita por esta criatura e que o leve a juízo? Por menos (chamar palhaço a Cavaco Silva), já houve quem tenha sido processado.


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quarta-feira, junho 13, 2007

Obscenidades



[1806]

Em manhã de Santo António, acabei de ler a entrevista de Mário Soares à Única. Confesso que no Sábado tinha saltado algumas perguntas, tal a previsibilidade do que viria a seguir. Mesmo assim o que li chegou-me para me referir ao assunto
aqui.

Mas lá acabei por ler a entrevista toda, aproveitando o ócio de uma manhã silenciosa e fresca (o tal tempo fresco que
tanto preocupou a SIC-N). E não resisto a referir aquela parte em que Mário Soares diz que não gosta de ir aos USA porque no aeroporto fazem muitas perguntas, nem sempre as mais inteligentes.

Como sei que Mário Soares visitou vários países africanos e sul-americanos, tenho a certeza que ele terá consciência do que seja “entrar” num aeroporto africano. Luanda, ainda hoje, Maputo, num passado muito recente, Lusaka, Harare, Brazzaville, Kinshasa, Bamako, Nouakchott, Abidjan ou Lagos (entre outros, que é desnecessário referir) são exemplos daquilo que Mário Soares parece não gostar. Salvo quando a conjuntura muito especial de alguns destes países permitia incursões ao seu espaço aéreo, ao arrepio da lei, como acontecia com os célebres passeios turísticos à Jamba no tempo de Savimbi, que aliás iam custando a vida ao filho João, em viagem certamente norteada por nobilíssima e libertadora causa.

Também me ocorre alguns aeroportos da chamada Europa do Leste no tempo da guerra-fria. Mas a catilinária de Soares é tão idiota que nem vale a pena perder mais tempo com o tema.

Vale a pena ler este remate de um post da GLQL (link a seguir):

"...Neste contexto semântico, as palavras nepotismo, corrupção, tráfico de influências, Macau, Rui Mateus, Craxi, Andreotti, Khol, Melancia, mediocridade, inépcia, soberba, vingança, vergonha, obscenidade, assumem outro significado. Não obstante, a memória, sendo curta para muita gente, ficou registada para a posteridade em documentos, livros, jornais e revistas, para além dos depoimentos pessoais..."


Texto que integra
este post da GLQL, onde se transcreve uma boa parte da entrevista. O episódio do Sr Chambica, então, em S. Tomé, é bem revelador da natureza de Soares.


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