quinta-feira, outubro 29, 2009

Já não há pachorra...


[3442]

O cinismo e a hipocrisia são uma imagem de marca dos Soares do nosso descontentamento. Pai e filho. Sobretudo quando envergam as vestes do moralismo que releva da imagem impoluta que gostam de fazer transparecer. Nessas alturas não hesitam em retirar dividendos pessoais de várias situações que lhes caem no prato de sopa. Ainda ontem João Soares, no bloco de notícias do Mário Crespo, (eu pasmo como é que ainda vou conseguindo ouvir esta gente, talvez a figura grácil da Teresa tenha tido um efeito decisivo na sessão masoquista a que me sujeitei) se entregou a um exercício pastoso e degradante sobre as questões do BPN, durante as quais ele afirmou um milhão de vezes que não queria tirar dividendos políticos ou partidários da situação, mas era preciso não esquecer que todas as tramóias tinham a ver com pessoas ligadas, (e longe dele tirar dividendos partidários…) à figura de Cavaco Silva. Ao Cavaquismo, para dar o nome às coisas. E, sem que pretendesse tirar dividendos partidários, repetiu-se, repetiu-se e repetiu-se. Sempre evitando tirar dividendos partidários.

Eu (ainda) pasmo com o descaramento desta vaga de socialismo que gerou cidadãos impolutos e a salvo das tentações do demo, que parecem centrar-se no PSD e no cavaquismo. Qualquer cidadão minimamente informado e, sobretudo, que não se distraia por aí além, tem um zilião de casos, obscuros, viscosos e, não menos grave, mais ou menos abafados, prescritos e estranhos, envolvendo cidadãos do mundo socialista. Ele próprio, João Soares, não escapou à maledicência nacional quando caiu de avião na Jamba. Ainda hoje, quem for a Windhoek ou se encontrar com algumas pessoas em Joanesburgo ouvirá histórias estranhíssimas. Sobretudo se dispuser de algumas «acquaintances» no mundo dos pilotos.

Nem de propósito, poucas horas depois da palestra de João Soares (sem pretender dividendos políticos nem partidários) sobre a importância do «cavaquismo» nas mirabolâncias do BPN, as televisões regurgitam nomes de socialistas envolvidos nas empresas estatais que estão a ser alvo de investigação da judiciária. Com Armando Vara à cabeça, que depois da berraria que andou a soltar pela ponte 25 de Abril se tornou uma pessoa compostinha, especializada em organizar fundações e em singrar na hierarquia do sistema bancário nacional.

Tudo isto fede. Mas o ar angelical dos Soares já não fede. Fode-me.
.

Etiquetas: ,

terça-feira, setembro 15, 2009

Os senhores da outra senhora


[3355]

Por vezes, a família Soares dá uma colherada no refogado e encarrega-se de nos lembrar que, independentemente do mais, pai e filho passam da arrogância à pura má-criação com o mesmo à vontade com que se aumenta a cebola ao estrugido.

Agora foi o filho João que achou que a melhor forma de se expressar em relação a Manuela Ferreira Leite foi afirmar que a escolha é entre José Sócrates e a outra senhora. João foi grosseiro, foi rude e nada ficou a dever ao pai Mário quando este, numas eleições europeias, uma vez afirmou que Nicole Fontaine fez um discurso de dona de casa. Para além de malcriado, Mário foi sexista, machista, retrógrado, passadista e patriota bacoco, para usar o léxico em uso na repartição Soares.

É por estas e por outras que volta e meia sinto um impulso de simpatia em relação a Alberto Jardim, truculento, mas incomparavelmente mais franco e sadio na forma como insulta quem acha que deve insultar. Fuck them, fuck them, disse Jardim da última vez. Que não se lhe tolha a língua em episódios como estes.
.

Etiquetas: , ,