quinta-feira, outubro 29, 2009

Vá. Tudo para os Taxis.


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Graça Freitas voltou a botar faladura e a fazer jurisprudência no contágio do H1N1. Dizia ela na rádio regimental que os cidadãos tinham basicamente de não entrar em pânico, porque não havia como prevenir que os vírus andassem por aí, nos corredores, nas salas de aula, nas oficinas, nos elevadores, não há, portanto, como evitar o contágio, pelo que se pede aos cidadãos que concitem (esta do concitem é da minha lavra, ela usou outro termo qualquer…) os seus esforços no sentido de não panicarem (esta do panicarem também é da minha lavra e aprendi em Moçambique).

Ora depois de ouvir isto dá vontade de dizer à senhora subdirectora geral que em última análise também nos podemos todos meter em táxis. Aí os vírus só atacam por detrás, Graça Freitas dixit e quem sou eu para desmenti-la?
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quinta-feira, setembro 24, 2009

O que nos vale é ter uma ministra assim


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Com o devido respeito pelo falecido e família, este caso de um homem com uma insuficiência renal a quem foi feito o transplante de um rim e que estava em fase de rejeição e que acabou por morrer acusando o vírus da Gripe A, faz lembrar um cidadão de «Bananolândia» que sofria imenso de caspa e conduzia o seu carro por entre o pesado tráfico da cidade. Eis senão quando lhe cai uma partícula de caspa num olho, circunstância aliás facilitada pelo facto de ele andar também com um problema nervoso que lhe fazia cair as pestanas e, na falta de uma delas, a partícula de caspa alojou-se com facilidade na vista. O homem teve um impulso reflexo, fechou o olho e, com tanto azar, isso coincidiu com o facto de o outro olho também estar fechado, porque o homem tinha um tique nervoso que lhe fazia piscar os olhos. Resultado: atirou com o carro contra um candeeiro e morreu.

Pressurosa e protectora, a ministra da saúde de «Bananolândia» veio de noite à rádio e televisão anunciar a primeira vítima mortal de caspa. Não sem exortar todos os «bananolandenses» a telefonarem para a linha SOS mal reparem que a gola do casaco passasse a andar suja. E fechou a funcão com aquela expressão mais ou menos do tipo de «o que seria de vocês se não fôssemos nós»?
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segunda-feira, julho 20, 2009

Medida acertada


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Há alguns anos atrás abri uma crise familiar porque uma das minhas sogras insistiu devotamente que a minha filha de dois anitos haveria que beijar uma imagem de Cristo que tinha sido previamente beijada por um comboio de gente, numa Páscoa longínqua. Não transigi e o padre deu-me uma pedagógica lição de moral e explicou-me a liturgia da coisa como se explica a uma criança a soletrar nos primeiros dias de escola. No fim da história, a sogra zangou-se imenso, o padre deve-me ter excomungado mentalmente mas a minha filha manteve-se livre de colibacilos bentos, como a razão impunha.

Verifico agora que o padre Feytor Pinto, a propósito da disseminação da gripe A, aconselha os crentes a evitar a água benta nas pias e aquele beijinho das missas que eu ainda não percebi bem para que serve mas que se troca com os parceiros do lado. Isto é um sinal de bom senso e de que a igreja se vai ajustando às realidades, o que me apraz registar, apesar da resistência do rebanho.
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segunda-feira, julho 06, 2009

Menino aqui, 2.000.000 acolá


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Colho a sensação de que esta gripe suína, mexicana ou H1 não das quantas está a ser gerida assim a modos de quem vai ao supermercado e arruma o carro às três pancadas, por cima dos riscos brancos. É que a ministra faz declarações mansas e protectoras, segundo as quais de vez em quando baixa um «menino» (como eu gosto desta linguagem moderna) ao D. Estefânia, os casos em Portugal «vão» em 42 e dá conferências de imprensa garantindo que não há motivos para alarme, mas apenas para «alerta». Por outro lado o Dr. Francisco George vai dizendo nas notícias matinais de hoje que é de esperar que num futuro relativamente próximo 20% da população portuguesa (2.000.000, cá pelas minhas contas que eu nisto sou bem mandado e sigo o legado do dialogante Guterres) seja infectado. O Dr. George frisou bem o infectado, deduzi depois que isso significa que não teremos necessariamente 2.000.000 de «meninos» com baixa no D. Estefânia, ou seja a situação é grave mas nem por isso, há que tomar cuidados, sendo que um deles é lavar as mãos.

O que me pasma no meio de tudo isto é a habitual trapalhice e o ar estouvado com que tratamos dos nossos problemas. Havia que esclarecer os portugueses se a situação é potencialmente perigosa ou não passa de uma vulgar sessão de espirros e expectoração que devamos aguardar lá mais para o Outono, quando as rádios começam a anunciar os acentuados arrefecimentos nocturnos. A verdade é que vistas as coisas assim, o que percebo é que Ana Jorge (que apareceu mais na televisão nos últimos quinze dias do que em todo o mandato) aparece a falar de cada vez que baixa um «menino» e nos vai instilando a ideia de que coisa é simples e sem grandes perigos, «naquilo que são» os efeitos da gripe e no espaço de escassos minutos aparece o Dr. George a dizer que muito possivelmente teremos 2.000.000 de portugueses infectados a breve trecho e que não será muito grave mas, assim como assim, o melhor é irmos lavando as mãos.

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quinta-feira, maio 07, 2009

Começou...


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Eu andava a estranhar a demora dos lobis da carne de vaca e/ou do peixe em vir a público com este tipo de notícias que não são bem notícias, mas que podem vir a ser notícias e, pelo sim, pelo não, não se sabe, coisital, portanto o melhor é…

Já agora, desde quando é que se podia comer “a carne de porcos doentes ou encontrados mortos, processada ou utilizada para consumo humano em qualquer circunstância” ?
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quinta-feira, abril 30, 2009

Somos fantásticos


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A propósito da gripe suína, (também chamada de gripe mexicana por causa da qual já andam a matar porcos no Egipto, esta é irresistível e é do Jorge Ferreira) temos ouvido vários avisos e informação sobre a possibilidade de uma receada pandemia. Ouvi várias entidades, desde responsáveis da O.M.S até ao próprio Obama, com recomendações a propósito, desde evitar o beijo até aos grandes ajuntamentos de pessoas, cuidados de higiene acrescidos, etc., todos eles num assinalável tom de humildade perante as grandes ameaças.

Em Portugal é diferente. A ministra dirigiu-se ao país para dizer que aqui não há casos. Mais. Que as autoridades estão preparadas para qualquer eventualidade. Voilá. Por um lado protegidos por Nossa Senhora, como quando foi da Guerra, por outro, se Nossa Senhora tiver um deslize, a eficácia de um governo que sabe como fazer as coisas e como proteger os seus cidadãos. Sócrates também já disse qualquer coisa, que não reproduzo porque já criei, inequivocamente, defesas do organismo para quando ele fala. Mas ainda consegui perceber qualquer coisa como “…a prontidão com que os nossos serviços de saúde reagiram…”. A partir daí a coisa esfumou-se.

Há qualquer coisa de pacóvio nisto tudo.

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