terça-feira, outubro 28, 2008

Eu acho que...

Para quando um livro com a foto da mulher do sargento?


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Hoje é o julgamento da mulher que juntamente com o marido e que, com ele, constitui aquilo a que a comunicação social e “especialistas” de serviço chamaram de “pais afectivos”, sonegou a entrega de uma criança ao pai que, logo que viu confirmada a paternidade, se prestou a cuidar da filha. Penso que já lá vão mais de cinco anos em que o casal Lagarto passou a artista principal, levado ao colo pela onda emotiva de uma nação valente que acha que o pai é um bandalho, quer é dinheiro e que acha que os superiores interesses da criança devem ser respeitados.

Não sei bem porque é que a defesa dos “superiores interesses da criança” passa pela atitude continuada do casal de acolhimento de desrespeito a decisões do tribunal. Quanto ao resto, entenda-se a onda de gente entendida que se entretém, a “achar” o que deve ser feito, não me surpreende. É o costume. Condenável é ter-se permitido que tenham passado mais de cinco anos sem que a ordem do tribunal tivesse sido cumprida: A entrega imediata da Esmeralda ao pai.

Nota: O “acto” de hoje nas notícias matinais consiste no sargento a assinar um cheque a favor do pai, rodeado de gente e a dizer que espera que o pai o deposite à ordem da menina.

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sexta-feira, novembro 23, 2007

A Esmeralda ao pai


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É impossível não emitir uma opinião curta sobre o caso Esmeralda.

Tenho para mim que o alarido da legião de pedopsiquiatras que se agarraram a Esmeralda como uma via segura para o protagonismo e, ainda, porque fazem, eles próprios, parte da sociedade que estamos laboriosamente a criar para os nossos filhos e netos, esse alarido, dizia eu, só servirá para agravar a situação da pequenita. A juntar a esta acção irresponsável por parte de quem andou a queimar pestanas para aprender psicologia está ainda a atitude criminosa de um casal, a que se convencionou chamar de pais afectivos sem que eu perceba bem o que é isto de pais afectivos. Tanto quanto julgo saber, e desmintam-me se for caso disso, os factos são:

1 – Uma mulher teve uma filha e achou que não tinha condições para a criar. O pai biológico não acreditou ser ele próprio o pai dado que, aparentemente, a mãe tinha um relacionamento errático com vários homens. A mãe acaba, então, por entregar o bebé a um casal, ao arrepio de quaisquer trâmites legais e em condições que não conheço em detalhe;
2 - Mais tarde, tinha a criança ainda e apenas um ano e tal, o pai é confrontado com o facto cientificamente provado de ser seu pai. Em conformidade, prestou-se de imediato a assumir a sua paternidade;
3 - Entretanto, o tal casal que recebera a criança por via dos caminhos ínvios da nossa justiça, desleixo e habitual irresponsabilidade, nega-se a entregar a criança ao pai. Quando o tribunal julga o caso e ordena a entrega da menina ao pai legítimo e natural, o casal sequestra-a e esconde-a;
4 – A polícia, os tribunais, as autoridades em geral não encontram a menina, embora pareça que toda a gente soubesse onde ela estava, chegando mesmo a pernoitar no quartel onde o sequestrador é sargento;
5 – Entretanto, e sem que se ouvisse ou sentisse a voz dos pedopsiquiatras, o pai continuava a tentar por todos os meios trazer a filha ao seio da sua família. O sargento é preso, o folclore de rua adensa-se, os pedopsiquiatras agitam-se nas cadeiras, o espectáculo de feira acentua-se. O sargento é libertado.
6 – A criança hoje tem 6 anos e, naturalmente, nesta fase tem laços de afecto ao casal de sequestradores. Retirá-la de casa para a entregar ao pai será duro, mas, do meu ponto de vista, inevitável e urgente. Porque.

- Quanto mais tempo passar mais a criança sofrerá;
- As equipas de pedopsiquiatras que se afobam em emitir estendais de opiniões sobre os perigos que impendem sobre a criança deveriam, sim, perceber que muitos desses perigos foram criados pelos sequestradores que, ao que parece, continuam a actuar no desrespeito total pelo bem estar da criança, virando-a contra o pai, produzindo afirmações públicas que denunciam isso mesmo e eximindo-se à responsabilidade de contribuírem para uma transferência pacífica de um ambiente familiar para outro. Cheguei mesmo a ouvir o sargento Lagarto dizer a uma televisão “eu cá não digo nada à criança, não tenho nada que dizer, obedeço ao tribunal e mais nada”.

- Tudo indica que a decisão do tribunal não tenha sido apenas cega e atida à crueldade possível da jurisprudência aplicável.

Entretanto, como seria bom que toda a gente se calasse! Jornalistas, comentaristas, técnicos, pedopsiquiatras, assistentes sociais, juristas e correlativos. Incluindo eu próprio que acabei por fazer o mesmo que toda a gente – emitir opinião sobre um caso tão delicado como este e para o qual, naturalmente, não tenho certezas absolutas.

Talvez que o lado positivo de tudo isto seja pensar que a criança, um dia mulher, poderá vir a ter oportunidade de ler tudo o que se tem escrito sobre ela. Eu, se fosse o pai, guardaria cada linha escrita sobre o assunto. A Esmeralda terá, assim, matéria preciosa para perceber as pessoas. E, quem sabe, agradecer em recolhimento a decisão que um tribunal tomou, tinha ela seis anos…
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terça-feira, outubro 02, 2007

A vaga de "pedos"



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Dois juízes enfrentaram ontem a ira obcecada e uma dose insuportável de politicamente correcto de um grupo de “pedos” e de uma apresentadora estridente que ia abanando com a cabeça, de cada vez que a legião presente ia desbobinando uma adequada retórica sobre os direitos das crianças.

Os juízes pareceram-me razoavelmente calmos, mesmo quando afirmavam que muito do que estava ali a ser dito revelava ou desconhecimento dos factos ou, má-fé. Sobretudo o “pedo” de serviço que, ao lado de Maria Barroso empunhou a espada engajada contra o dragão da justiça.

Fico com uma sensação estranha de que neste país, os casos de poder paternal, aos milhares todos os dias, penso eu, estão entregues a um grupo de “cientistas” que se apropriaram dos direitos das crianças, dos pais das crianças, dos direitos todos que se lhes deparam pela frente e que se desdobram em pareceres que os juízes terão grande dificuldade em interpretar. Ou não desdobram, quando os casos não têm o mediatismo de Esmeralda. Valha-nos a ideia de que existe, ainda, um núcleo de decisores, juízes, que decidirão, bem ou mal, mas em nome da defesa de todas as partes envolvidas. Em contraponto a esta mais ou menos recente falange de ”pedos” que era mesmo o que mais precisávamos para compor o ramalhete do panorama político actual português.

Nota: O casal Soares é, certamente, um casal feliz. Pelo menos nota-se que Maria Barroso absorveu o estilo, a linguagem, a pose e a vacuidade do marido. Sempre ouvi dizer que isto acontece nos casais felizes. Absorvem-se imenso um ao outro…
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