domingo, junho 10, 2012

Lá ficaram «as trombas por partir»

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Jogámos contra a Alemanha e perdemos 1-0. Parece que não merecíamos. Não teremos jogado mal de todo, mandámos umas bolas à trave, perdemos uns golos infantilmente e os jogadores terão demonstrado a sua total dedicação e todo o seu esforço na tentativa da vitória.

Os comentários que ouvi a seguir é que me chatearam. De resto, já antes do jogo, eu andava meio incomodado por me parecer que em vez de jogarmos contra a selecção da Alemanha íamos jogar contra Merkel. E que ela ia ver como elas lhes mordiam. E que lhe havíamos de esborrachar a bola na cara. Até o professor Rebelo de Sousa (recentemente consagrado, por vontade própria, diga-se, à figura popularucha que todos gostam de ouvir) afirmou que queria que ganhássemos, ao menos para dar com a bola na cara da senhora Merkel. Em resumo, a nossa codiciosa e indigente comunicação social arranjou maneira de irmos todos assistir ao jogo como quem fosse dar uma tareia em Merkel, em vez de querermos ganhar o jogo, como nos competia, para arrecadarmos os três pontos da ordem.

Mas, dizia eu, os comentários finais foram de uma pobreza lancinante. Eu diria melhor, foram… estranhos. Ninguém parecia estar chateado por ter perdido, mas apenas porque não partimos as trombas à Merkel (este partir as trombas à Merkel não é meu, é ouvido por aí…). E a ideia dominante agora é que temos de ganhar à Dinamarca e à Holanda para voltarmos a encontrar a Alemanha e, então, partirmos de vez as trombas à senhora. Isto, claro, se não nos partirem antes as trombas a nós.

Nota: A SIC tem apresentado um separador que chega a raiar a pornografia. Nele aparecem Sarkozi e Merkel em atitudes e com expressões dengosas enquanto um estribilho idiota de frases patéticas vai acompanhando o desfile cenográfico. Alguém me explica a razão daquela tonteria? E aquilo é para «dar pica» a alguém?
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quinta-feira, fevereiro 09, 2012

Thank God…

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… que não estou sozinho. Ainda me senti assim tipo ET quando fiz este post!


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domingo, julho 24, 2011

A verrina portuguesa. Mazinha mas condescendente



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Ainda não percebi se o facto de 99,9% dos comentadores e jornalistas que se referem a Angela Merkel lhe chamarem «senhora Merkel» é em mero tom chocarreiro (ainda que eu nem perceba bem porquê…) ou se tal é devido a sermos reconhecidamente um povo de chavões, tiques e vícios de linguagem. Assim tipo janela de oportunidade, a narrativa, para mudar o paradigma, desde logo e é assim. A verdade é que praticamente todos os líderes políticos são designados pelo nome, normalmente o primeiro e apelido. George Bush, Barak Obama, David Cameron, Zapatero, Ronald Reagan, Lula da Silva e por aí fora. Na verdade, não me ocorre alguma vez ter ouvido ou lido Dr. Clinton, Engenheiro Sarkozi ou arquitecto Berlusconi. Só mesmo em Portugal. Sá Carneiro ainda era conhecido pelo nome, Mário Soares terá sido um dos últimos a ser honrado em ser referido pelo nome mas a partir dele foi o dilúvio. Dos títulos. Cavaco Silva já era o professor Cavaco, Guterres era o engenheiro Guterres e até o domingueiro Sócrates não escapou a ser engenheiro.

Voltando a Merkel. De duas, uma. Ou somos assim mesmo (ou teremos sido operados em pequeninos?) ou zombamos do facto dela ser senhora ou, ainda, este «senhora» tem mesmo um sentido pejorativo, zombeteiro, sobretudo desde que se instituiu a ideia de que ela é a culpada do descalabro dos países incumpridores e ainda não percebeu que ela precisa de nós, senão não tem para onde exportar. Tem mais é que continuar a pagar-nos as contas para lhe podermos comprar comboios, telefones e automóveis.

Não me ocorre outra «senhora». Só mesmo Angela Merkel. Nem senhora Dilma, senhora Clinton, senhora Pintassilgo. Somos mauzinhos, mesmo. Ou condescendentes. Perdoamos a infantilidade e falta de argúcia de Angela Merkel e, irónicos mas compreensivos, chamamos-lhe senhora. Provavelmente com o mesmo sentido com que Mário Soares um dia disse que uma deputada europeia devia ir para casa lavar a loiça, só porque ela teve a ousadia de lhe ganhar uma eleição. Ou então somos um caso perdido, mesmo, e não há meio de mudarmos o paradigma.
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segunda-feira, dezembro 13, 2010

Não admira... Merkel veio da RDA


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O «aggiornamento» da esquerda à realidade actual é um fenómeno incontornável e permanente, sobretudo pela implacável globalização que ela odeia e, ao mesmo tempo, venera. Odeia porque, intrinsecamente, essa globalização representa a vitória da liberdade que a esquerda aproveita para, livremente, lá está, a ela se opor porque ela representa a disseminação sistémica de sistemas tendencialmente livres que promovem a identidade individual mas que escrupulosamente respeita e acata as regras básicas de uma sociedade justa e moderna.

A esquerda sempre se deu mal com a liberdade e a prova é forma como ela sempre no-la quis impor. À força. Coercivamente e assente na utopia de uns quantos iluminados que acham que vieram ao mundo para nos ensinar a fazer as coisas como deve ser.

Eu tenho que confessar que a permanente adaptação da esquerda às regras do jogo da liberdade espoleta situações e quadros políticos hilariantes, de tão ridículos, alguns dos quais bem recentes na nossa memória, quais sejam, por exemplo, Mário Soares a arrumar o socialismo na gaveta, entre outros. Mas ultimamente repete-se um episódio que de hilariante passou a ridículo. E que é a facilidade e frequência com que oiço socialistas encartados, daqueles muito vigilantes, solidários, internacionalistas, progressistas e indefectíveis do Estado Social, que no decorrer das suas permanentes críticas a Angela Merkel a desculpam. E porquê? Porquê esta desculpa? Então não é que a senhora é uma rematada incompetente, para mais anquilosada pelos sistemas, métodos e ideais ainda nela bem frescos por ter sido educada na República Democrática Alemã? E de tanto ouvir isto, eu acho que há socialistas que já o dizem acreditando mesmo piamente no que dizem. Socialistas que há bem pouco tempo emulavam o República Democrática Alemã e que hoje acham que temos de desculpar Merkel pelo facto de ela ser de lá… provavelmente os mesmos que acharam imensa graça àquele espantoso filme alemão Good Bye Lenine que tanto sorriso amarelo deveria ter provocado.

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