sábado, março 29, 2014

Mais tarde ou mais cedo, a preguiça paga


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A partir de amanhã o relógio do meu carro passará a mostrar a hora certa.

Eu sei que «aquilo» funciona e que posso acertar a hora duas vezes por ano. Mas eu sou assim, alérgico a mariquices de botões modernaços - de cada vez que tento mexer no relógio, carrego para ali nuns botões e o que obtenho é a hora a piscar, o rádio a mudar de onda, o mode do CD a substituir o do rádio...enfim, torna-se mais perigoso que o «drive texting». Assim sendo, decidi manter a hora do Verão (comprei o carro quando os dias são compridos e chatos) e, durante o Inverno, quando olho para o relógio, já sei que é uma hora menos.

A partir de amanhã terei a hora certa – e continuo sem ter que mexer naqueles botões todos.

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sexta-feira, janeiro 27, 2012

E andou esta rapaziada cerca de 15 anos a «desenvolver» o país, para agora vir este governo e estragar tudo...

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Chega a ser grotesco ouvir personalidades do Partido Socialista, mormente as que estiveram bem ligadas à personagem de má memória que foi Sócrates, exercer críticas capciosas sobre a actualidade política nacional. Um exemplo? António Costa, na Quadratura do Círculo (onde, de resto, Pacheco Pereira se deixa arrastar também pelos seus ímpetos de reviralho intestino para produzir comentários que deixam muito a desejar, pela sua parcialidade) e vários outros que, adrede, se excitam imenso criticando a actual executivo, sobretudo nas suas vertentes de política económica.

Só um mal intencionado, ou distraído, pensaria que eu acho que ao PS estaria vedado o exercício da análise livre sobre todos os temas da nossa governação. Mas quando oiço socialistas criticar as políticas económicas do governo, depois do molho de bróculos em que nos meteram, enquanto governo, por incúria, incompetência, conúbio, proselitismo, interesse, corrupção e mau carácter, dá-me sinceramente vontade de atirar com uma jarra ao televisor. No mínimo. Acho que esta rapaziada socialista se devia remeter a um período de nojo, pelo menos enquanto devermos dinheiro ao FMI.

Outros há, ainda, mais modernaços, que se divertem imenso na blogosfera e no Facebook. A imagem acima, por exemplo, é uma de várias com que João Soares se entretém a criticar. Tiradas populistas e patéticas como esta servem de pano de fundo ao exercício crítico de João Soares. Para quem nos arrastou para este lodaçal vir agora com estes jogos florais, é preciso, como uma vez disse Freitas do Amaral, topete.
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sábado, fevereiro 19, 2011

Gerações, geracional...















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Muito genuinamente afirmo que tenho vivido à revelia do conceito institucionalizado das gerações. Ou andei distraído ou sempre pautei a minha conduta cívica, ética e humana por valores que pouco teriam a ver com a idade que tinha. E já fui infante, adolescente, jovem adulto, adulto maduro e, se Deus Nosso Senhor me der saúde e dinheiro para gastos, um dia destes serei velho. Lidei com jovens, trabalhei com velhos, brinquei com crianças, conversei com muita gente sem nunca curar de adaptar o meu discurso à idade dos meus interlocutores.

De repente, algo mudou. Uma banda sofrível compõe uma musiqueta medíocre e apõe-lhe uma letra a resvalar para o mau e as gerações excitam-se com a força genuina da «geração parva». A comunicação social excita-se, as plateias estremecem e as correntes politicas descobrem e apropriam-se de verdades incontornáveis e dramas intensos à volta da problemática das gerações. Transformam mesmo a cançoneta dos Deolinda em «hino». A reacção massiva (psicologia de massas) faz o resto e os Deolinda vêem-se alcandorados ao pico da fama e a ganhar uns cobres inesperados. E a problemática das gerações ganha um lugar que sempre teve mas que é ciclicamente renovado, ou mesmo reciclado, de acordo com as idiossincrasias da época. Os jovens acham que os velhos não entendem, os velhos acham que os jovens não sabem e condiciona-se, assim, um desejável terreno de diálogo e coexistência em face das certezas de cada qual e cava-se um fosso frequentemente difícil de superar.

Por mim acho que nada disto é muito novo, que atravessei gerações tão diversas como a de Maio de 68, a dos Yuppies, a «rasca» do Vicente Jorge Silva, entre outras, pelo que a actual «geração parva» não me suscita uma excitação muito especial. Mas isso não é caso para que os parvos me achem, desdenhosamente, bota de elástico ou que eu ache, condescendente, os jovens demasiadamente parvos. É a vida, lá diria um representante da minha geração e que hoje não deve andar muito preocupado com o «hino» dos Deolinda.
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quinta-feira, agosto 19, 2010

Tudo boa gente


Mia Farrow depondo no Julgamento de Charles Taylor, depois de ter acordado muito "preocupada com a forma como os assuntos de África andam a ser tratados"

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À falta de melhor, tenho seguido com algum deleite duas historinhas. Uma, a dos diamantes que a modelo Naomi recebeu a meio da noite, umas pedras assim com um aspecto sujo e que treze (!!!!) anos depois Mia Farrow resolveu trazer à liça. Parece que na altura Naomi achava muito natural ser acordada a meio da noite para lhe oferecerem diamantes (umas pedras assim sujas, disse ela…) e também parece plausível que Mia Farrow tenha esperado treze anos para ligar o ventilador, aparentemente porque um dia acordou e achou que estava muito preocupada com a forma com que os assuntos em África andam a ser tratados, segundo diz o Sol. Também ninguém parece estranhar que Mandela, Graça Machel e Quincy Jones (para falar apenas nas figuras mediáticas) andassem a jantar com um alegado responsável por verdadeiros morticínios em África, sobretudo porque estavam ali reunidos para inaugurar o Blue Train sul-africano, que por acaso eu julgava que já tinha sido inaugurado há uma data de anos, ainda que sem a Mia, Naomi, Taylor e Graça Machel. Em fim, tudo boa gente e espero que tudo acabe em bem, que não se aleije ninguém e que os assuntos de África passem a ser bem tratados para que a Mia passe a acordar mais calminha e sem afrontamentos.

A outra história é caseira e tem a ver com o nosso Queirós, aquele senhor que a FPF resolveu ir buscar a Inglaterra com um contrato milionário para quatro anos e que agora acha que o homem não vale nenhum. A história é tão foleira, quase tão foleira como a forma como Queirós nos tem tratado a todos desde que pegou na selecção, que chega a parecer inverosímil, mas em Portugal não há inverosimilhanças e tudo acontece. Desde que se queira, claro. E se possa. E como nesta terra há uma data de gente que pode uma data de coisas vamos assistindo ao folhetim, cujos detalhes não vale a pena referir, conhecidos que são de toda a agente. O que verdadeiramente me preocupa é que, segundo o que vou percebendo, Queirós vai levar dois jogos de suspensão (a cumprir contra o Chipre e Noruega) e depois continua tudo na mesma, é isso? Entenda-se, o homem continua a ser seleccionador e nós vamos continuando a ganhar moralmente e a chamarem-nos parvos ao fim dos jogos, é isso?

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segunda-feira, maio 11, 2009

É que, às tantas, fica difícil


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Referindo-se aos incidentes da Bela Vista em Setúbal, D. Manuel Martins afirma repetidamente que não é com polícia que se apagam fogueiras. Com o devido respeito, lembro Sua Eminência Reverendíssima que os bombeiros já lá tinham ido, mas foram corridos à pedrada.

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