domingo, fevereiro 06, 2011

Que parvos que somos


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E a plateia saltou, vibrou e aplaudiu. Em Portugal é fácil este tipo de reacção, esta mola revivalista do contra, da crítica e do sentimento dúplice de desdém e de inveja pelo poder e pelos poderosos. Daí que o estrondoso aplauso no Coliseu a premiar uma canção ainda desconhecida, (penso que nem gravada está ainda, apenas é conhecida por via das redes sociais) e entoada por uma banda de valor e qualidade estética discutíveis, tenha derrapado já para o nascimento de um «hino». Hino é mesmo o vocábulo mais ouvido para identificar uma letra poderosa e apropriada ao momento político e social português.

Ouvi Pedro Marques Lopes dizer no Eixo do Mal que houve uma tentativa clara de apropriação da génese da letra pela «esquerda» e pela «direita». Por uma vez concordo com Pedro quando ele diz que tem pena que a direita se tenha empertigado também para a captação do hino. Porque a esquerda, ainda que numa primeira análise de relance possa parecer o inverso, é manifestamente responsável e a musa inspiradora de uma letra poderosa como a deste «Que parva que eu sou». E responsável por duas razões principais. Uma porque tendo estado praticamente no poder desde o 25 de Abril, criou apadrinhou e alimentou um desiderato político e social que só poderia conduzir a esta desgraça. A segunda porque mesmo reconhecida que é a tragédia cantada pelos Deolinda, a esquerda continua cerrada na defesa dos «direitos adquiridos» dos que estão empregados, mesmo que isso signifique um dique fortíssimo a conter os interesses represados de uma clique privilegiada e colada como lapas ao emprego que tem, «proibindo» o emprego e o desenvolvimento das fornadas de jovens que todos os anos saem das faculdades.


Para ouvir a «Que parva que eu sou», clicar aqui


Sou da geração sem remuneração

E não me incomoda esta condição
Que parva que eu sou
Porque isto está mal e vai continuar
Já é uma sorte eu poder estagiar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar

Sou da geração “casinha dos pais”
Se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar
E ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou
E fico a pensar
Que mundo tão parvo
Onde para ser escravo é preciso estudar

Sou da geração “vou queixar-me pra quê?”
Há alguém bem pior do que eu na TV
Que parva que eu sou
Sou da geração “eu já não posso mais!”
Que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou
E fico a pensar,
Que mundo tão parvo

Onde para ser escravo é preciso estudar

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domingo, abril 19, 2009

Música de intervenção e protesto

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"Afinal, era essa a única mudança pretendida, e a única plausível quando os presuntivos agentes da insubmissão são comendadores da ordem do Infante e, como é habitual nestas histórias, gente com razoáveis padrões de conforto. Mesmo sob ditaduras a sério, os típicos militantes da cantiga enquanto arma provinham quase sempre das classes desafogadas, capazes de financiar aos meninos ociosos os exílios em França de que os verdadeiros oprimidos não dispunham."

A propósito do último álbum dos Xutos e Pontapé, um artigo de Alberto Gonçalves no DN e que pode ser lido na íntegra aqui, no Blasfémias.
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