sexta-feira, setembro 30, 2016

Autofinanciamentos

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“Prontes”. A Luar desenvolveu um novo conceito de luta, recusando o terrorismo. Mais inteligente ainda. Para não ficar dependente de ninguém, resolveu autofinanciar-se. Como Palma Inácio e Mortágua (o pai, a filha ainda estava em vias de vir ao mundo dizer para perdermos a vergonha) andavam meio tesos, decidiram autofinanciar-se no Banco de Portugal na Figueira da Foz, nos idos de 67. 

Hoje a coisa é meio diferente, quando alguém se autofinancia, costuma-se ir ao mealheiro ver o que lá está, ou mesmo ao banco, no caso de termos menos de €50.000 de saldo. Mas em 67 e considerando os altos desígnios daquela gente que, de resto, eram todos democratas e antifascistas, o que lhes dava assim uma “autoridade moral” e não uma “superioridade moral” no que era o universo da oposição ao Estado Novo, a coisa aceitava-se e foram ao banco buscar uns milhares. É certo que mais tarde devolveram algum, mas só um bocadinho porque grande parte já tinha sido usado em tarefas revolucionárias e antifascistas. 

Ah! Também houve uns episódios de somenos, incluindo o rapto e desvio de um navio de passageiros onde, por acaso, até mataram um triste coitado que não tinha nada que arrebitar cachimbo. E, sobre isso, disse até Mortágua (o pai, não confundamos) numa entrevista recente, que nestas coisas há sempre imprevistos. Não se sabe bem quem apertou o gatilho mas o homem lá morreu para aprender que se houvesse mais desvios de transatlânticos, não tinham nada que complicar.

Onde é que se recorda, com um romantismo enternecedor, estes episódios? No Público, pois claro. Uma tal São José Almeida continua a lutar para que os últimos leitores do Público deixem mesmo de ser últimos e passem a usar o jornal para acondicionar castanhas. E, patética e sórdida, continua a explicar aos portugueses não só como é que estas coisas se faziam, como ainda como devemos todos corresponder a estas pérolas de heroísmo, que o mundo já não é que era. Agora é tudo uma cambada de castrados que se amouxam permanentemente à nova ordem mundial que, como sabemos, já nem aceita os autofinanciamentos, por isso não têm mais é que nos emprestar dinheiro e é se querem. Quando não, como dizia a minha avozinha, arranjamos por aí um Coronel Tapioca que dê um esticão nisto tudo.

Ganda São José Almeida. Não fosse gente deste calibre e desta verve e ficávamos todos sem saber destes exemplos dignos, corajosos e duma tremenda autoridade moral.



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terça-feira, fevereiro 16, 2016

Mas aquela malta do petróleo não se enxerga?



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É a cabala. A campanha orquestrada. A conspiração e a atmosfera draconiana. A trama. O veneno. O bota-abaixo. Já Sócrates o dizia e Costa copia-o. Não bastava a guerra surda que a Direita, encasulada e de luto, faz à geringonça e até alguns países produtores de petróleo acordam agora em reduzir a produção e os preços já escalaram para os 35 dólares. Não se faz. Vale-nos a Catarina, a Mortágua e o restante pessoal do «não pagamos» para meter aqueles «petroleiros» na ordem.

Enquanto as coisas vão e vêm, o Centeno fará mais uma errata à errata da errata e a coisa compõe-se.

Nota: Devem estar a aparecer por aí uns posts recalcitrantes de dedo em riste acusando a direita de se comprazer com a desgraça. Mas não é, naturalmente, o caso. Se bem que a geringonça vai funcionando como alguns dos comentadores sportinguistas e portistas  dos programas desportivos que de tanta imbecilidade que dizem acabam por induzir os próprios sportinguistas a gerar uma genuína simpatia pelos lampiões.


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sábado, setembro 15, 2012

Se eu fosse à manifestação

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Estas seriam as rimas que eu ostentaria, em cacharolete, respigadas e roubadas de uma extensa lista do João Miranda e do JCD:

Assim a gente não se amanha, que pague a Alemanha

Não votamos nela, mas adoramos a Manela

Estamos em estado de necessidade, queremos investimento público de proximidade.

A taxa tira-nos o tesão, dêem-nos inflação.

Com a bicefalia, isto não falia.

Gaspar, tu vê lá se danças, queremos o António Sala nas Finanças

O Paulo Campos fez-me um coito, agora ando sozinho na A8.

Se não acabas com o imposto, o Luisão dá-te um encosto.

Tenham colhões, cortem antes nas Fundações

Passos bandido onde tens o dinheiro das PPP escondido?

A taxa é um entalanço, cortem antes no Betencourt Picanço.

Queremos público investimento, e política de crescimento.

Foderam o túnel do Marão e o TêGêVê pró Poceirão

Não me lixem a posição, obriguem a Conceição, a pagar mais contribuição.

Não vou à manifestação, vou antes ao mexilhão.

Não me aumentem a taxa, tirem antes à Natacha

Chega de cravos, queremos o Sérgio Lavos.

Troika assassina, vota Catarina.

Chega de maçada, a troika está errada.

Fartos desta ditadura, ouçam o Boaventura.

A troika que se lixe, Soares é qu’era fixe.

Nem net posso pagar p’ra ler o jugular.

Nós não queremos confusões, só lemos o Corporações.

A RTP é nossa, tirem-na da fossa.

Paz, pão, povo e liberdade; queremos RTP, não queremos austeridade.

Queremos alimentação, saúde e televisão.

Gostas de estar na corda bamba? Tens que votar Galamba.

Protege o teu futuro, abstém-te com o Seguro.

Fartos de austeridade, escondam-me a verdade.

O povo não é demente, Sócrates a presidente.

Despedir é imoral, morte ao capital.

Casas para todos e dinheiro aos rodos.

BCE é nosso amigo, Draghi estamos contigo.

Não queremos uma bolha, não estudei p’ra ser trolha.

Defender a educação com 100% de aprovação.

Federação da Europa, damos Madeira à troca.

Leite só a Manuela, Nogueira p’ra Venezuela.

Do Douro à Beira Interior, paga as SCUTs faxfavor.

Tás farto de dizer Yes? Vota pela URSS.

Tenho fome, não é truque; já o disse no Facebook.

Temos é que protestar, ist’é pior qu’o Salazar.

Queremos revolução, abaixo o centrão.

Eu gasto o qu’eu quiser, quem paga é a chanceler.

Não há dinheiro onde? Perguntem ao Hollônde.

Dá dinheiro p’rá’qui, seu porco nazi.

A Europa é uma só, de burros a pão-de-ló.

Não q’remos submarinos, não somos assassinos.

A esperança é grande, votamos no Hollande.

Isto é conspiração, dos da circuncisão.

Não fechem o obstétrico, q’remos carrinho eléctrico.
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quarta-feira, abril 11, 2012

Agora é a Maternidade Alfredo da Costa

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O governo fez contas, analisou a situação, discutiu com quem achou que devia discutir e decidiu fechar a Alfredo da Costa.

Mas «A» nasceu lá em 1937, imagine-se e, por isso, não aceita que feche porque a decisão é muito economicista. «B» não só nasceu lá como a neta também e, por isso, o governo não pode brincar com o povo.

E entre outros nascituros de outras décadas, todos irmanados na gloriosa condição de terem vindo ao mundo na vetusta instituição aparecem os preocupados do costume, uma Rita Rato do PCP ou um João Semedo, do Bloco (este com a feliz coincidência de ser médico e, naturalmente, dever estar por dentro da coisa) dizem também «não aceitar o fecho» porque o povo não gosta nem concorda e esta rapaziada de voto mais ou menos residual tem de aparecer na TV sempre que puder. Há até, (eu seja ceguinho) uma comissão ou uma plataforma de utentes (presumo que abrange utentes da maternidade, da ponte 25 de Abril, da A25, da banca de peixe do mercado de Arroios e de outras amenidades, que nisto de usar e achar estamos para as curvas) cuja porta-voz diz que o governo acha que deve fechar, mas ela (esgar) não acha. E todos nós sabemos como a força das nossas convicções se alicerça no que nós achamos. Foi quando bastou para se fazer cordões humanos, gente de mão dada, cantando palavras de ordem e alguém gritava que não se mata o sítio onde se nasceu.

Felizes de nós que continuamos a dispor de mentes brilhantes em corpos abnegados, sobretudo não economicistas e pensando nas pessoas que acham que. As reportagens e os directos vão saltitando entre mães convictas empurrando carrinhos de bebé, idosos de expressão nostálgica, homens e mulheres solidários, todos achando imenso de cada vez que o governo ache qualquer coisa que lhes suscite petições (um «utente» com cerca de 20 anos mostrava-se espantado com as duas mil adesões no Facebook), cordões humanos, palmas e cartazes que digam qualquer coisa que acabe invariavelmente em a luta continua.

Sempre achei que ser prior nesta freguesia é muito, mas muito complicado. E que trabalhar para a comunicação social neste país é tão giro como ter um mini.
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quinta-feira, julho 28, 2011

Refrescante


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Aqui está uma notícia refrescante. Mas cuidado que há «nogueiras» que, iradas, podem bem lançar vergônteas que ou são podadas cerce ou fazem um escarcéu que atrapalha isto tudo. Sem respeito pelos superiores interesses dos alunos.

Seria óptimo que esta medida fosse alargada a outros sectores. Acabavam os Nogueiras, os Carvalhos da Silva, os Proenças, os Picanços e as Aivecas que hão-de chegar a velhinhos com uma presunção, de duas, uma: - ou de que cumpriram a superior missão que lhes foi atribuída ou que levaram uma vida inteira a levar-nos por parvos, sem nunca perderem as suas regalias e estatuto e sem alguma vez terem produzido o que quer que fosse. Além de que cederiam o lugar a sindicalistas de sangue novo, sem o «lastro» de dezenas de anos no activo e, desejavelmente, com um diferente «substrato» e sem nos passarem aquela ideia de que a luta nunca mais acaba, mesmo se todos nós já percebemos que a luta já devia ter acabado há uma data de anos.
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