A náusea
[4452]Não estou bem por dentro das razões da greve de hoje sobre os transportes públicos. Mas do que me foi dado perceber, o que se passa é o seguinte:
- Os trabalhadores não aceitam ver beliscados os «direitos adquiridos»;
- Para não lhes mexerem nos direitos que adquiriram, a administração não tem nada que estar a inventar reduções de horários, de horas extraordinárias e outras malfeitorias que reduzam o seu rendimento mensal;
- Há uma vaga ideia de que os comboios, autocarros, metro e similares dão prejuízos (parece que os prejuízos se cifram agora em €1.300.000.000,00, falando apenas do Metro de Lisboa, já que a dívida gobal das empresas de transportes parece ascender a €16.000.000.000,00, e os encargos anuais só em juros ascendem a €600.000.000,00, mas o problema não é deles - dos trabalhadores). Logo, a administração que se vire e lhes pague os salários que, como é do conhecimento geral, é de um nível bastante generoso. O que se entende, dados o stress, responsabilidade e vários factores de risco que envolvem um motorista de autocarros, de metro ou de comboio. Ou seja, se não houver dinheiro, o estado que o invente (ir aos bolsos do contribuinte digo eu)
- Atribuir a responsabilidade das greves aos comunistas é uma falácia. Esta gente (os grevistas) é tão comunista como eu. São mais do género viva a esquerda, abaixo os poderosos, os banqueiros e o Berlusconi mas que Deus os mantenha no poder por muito tempo para que os salários não baixem);
Confesso que este tipo de situações já me provoca náuseas. Esta gente não tem o menor respeito pelos cidadãos nem pelos prejuízos que lhes causa. Os cidadãos, por sua vez, muitos deles, também lhes acha muita graça e sentem-se solidários com a justa luta dos trabalhadores (ainda agora um «utente» do Porto disse a uma TV, em tom monocórdico, que a greve dá muitos prejuízos aos cidadãos mas que compreende a luta dos trabalhadores. A este cidadão só lhe faltou mesmo o arnês e fazer «muuuuuu»…). E os que não acham dizem f…-se entre dentes e sujeitam-se bovinamente às consequências da situação.
Pela minha parte, que até tenho carro, revolta-me que cada vez mais me venham ao bolso para pagar os direitos adquiridos pelos outros. Que a mim ninguém mos paga e se os meus patrões não tiverem dinheiro que chegue, reduzem salários e despedem pessoas. Não vão eles depois não ter dinheiro suficiente para pagar ao Estado os impostos necessários para cobrir os direitos adquiridos pelos trabalhadores dos transportes.
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