quarta-feira, setembro 22, 2010

Isto está a tornar-se patético


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Passa hoje mais um dia europeu sem carros. Mas isto de não usar o carro é uma maçada. Assim sendo, este ano as Câmaras decidiram não fechar as ruas, ou seja, toda a gente pode levar o carro. «Quer-se dizer», é dia europeu sem carros mas com carros, o que marca uma nova era no substrato ecológico de todo o europeu que se preze. Celebra-se qualquer coisa que soe bem, mas não se pratica porque não dá muito jeito. Mal comparado, é assim uma espécie de estarmos de dieta mas mandarmos vir um cozido porque estamos cheios de fome.

Francisco Ferreira, da Quercus, com aquele ar ecológico, verde e saudável e de correcção a régua e esquadro, Deus lhe perdoe, não se eximiu também de comunicar aos cidadãos que isto dos carros é uma chatice. É o CO2, é o stress é aquela lista enorme de malfeitorias dos carros. Portanto, vou-me meter no carro e vou para Lisboa celebrar o «dia europeu sem carros» e pensar que é por estas e por outras que pouca gente liga já às patetices em uso corrente.

E.T. Podemos levar os carros mas não escapamos a uma série de pérolas. Ainda agora ali está no «Bom dia Portugal» um senhor bem «apessoado» com uma daquelas gravatas instituídas e aprovadas como adorno nacional, entenda-se lisas e de cor única, do Montijo, a anunciar actividades durante o dia, como demonstração de carros a pedais (eu seja ceguinho), insufláveis (não consegui perceber bem o que era aquilo ou para que serviam) e apelos ao uso das ciclovias, das bicicletas e anunciando que estes dias sem carros têm um grande impacto no ambiente e na mobilidade inteligente, seja o que for que a «mobilidade inteligente» signifique. O que esta gente arranja é que vou sentar-me no carro, meto a primeira e vou sentir-me móvel… mas profundamente estúpido. Ah! Esperem…estão para ali a dizer que esta madrugada houve «skates» no túnel do Marquês, também. E está ali uma senhora com um «skate» na mão dizendo, em directo, que passou uma noite muito engraçada e muito dinâmica (SIC). Mudam-se os tempos, mudam-se os conceitos de uma noite engraçada e dinâmica.

Que Deus nos cubra de bençãos.

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quinta-feira, abril 22, 2010

"Chiclets" encartados


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Aí está mais um dia. O dia da Terra. Daí a apanhar com o Fernando Ferreira da Quercus a explicar que se todos fossem como os portugueses precisávamos de dois mundos e meio, que os americanos, pois claro… sempre os mesmos…já não ouvi bem… mas lá vinham os americanos de escantilhão pelo verbo de Fernando Ferreira abaixo, em versão flush the toilet, que foi o que, coincidentemente, acabei por fazer, ainda que por razões diversas das angústias de Fernando Ferreira. Por isso, que se dane a «pegada ecológica» e acendam-se as luzes todas, que este homem é de meter medo a um susto. Sobretudo se nas «pantalhas», logo pela manhã, falando de americanos, de portugueses que não apagam a luz, fatalmente do aquecimento global das alterações climáticas.

Não há pachorra e alguém devia entender que os Fernandos Ferreiras do nosso descontentamento têm efeitos colaterais graves. Porque a gente ouve a criatura e o primeiro impulso é revanchista - acender as luzes todas e tomar um duche de duas horas…

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terça-feira, setembro 08, 2009

Da acção desinfectante do oxigénio, ou do cretinismo militante


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As coisas vão começando a ficar patéticas e sem aparente remissão. O homem da Quercus hoje aconselha-nos vivamente a ter piscinas biológicas. E então é assim, para usar a expressão em uso na paróquia. Faz-se o buraco no chão. Enchemo-lo de água e depois «aquilo» vai-se enchendo de fetos, algas, plantas aquáticas diversas e até nenúfares sobre cujas folhas começarão a aparecer rãs e outros batráquios correlativos. Aí, as plantas emitem oxigénio que desinfecta a água (como sabemos o oxigénio é um poderoso desinfectante, as pessoas é que se lembraram do cloro, do hipoclorito de cálcio e outras esquisitices, em nome do lucro e do progresso e porque as pessoas são assim, são esquisitas, pronto) e, com sorte e a avaliar pelas imagens mostradas na televisão, nessas plantas poderão fácil, e ecologicamente emaranhar-se as pernas de crianças que inevitavelmente morrerão afogadas. Mas mesmo que não dêem com os cadáveres durante uns dias, a água continuará utilizável porque as plantas manterão a sua capacidade de produzir oxigénio e, consequentemente, desinfectar a água, evitando os maus cheiros.

O homem da Quercus não diz, mas presumo que os sapos chamarão cobras, mas sabe-se que, de um modo geral, as cobras de água não são venosas, metem um bocadinho de impressão, mas pouco mais. E venenosas, venenosas mesmo, só se for um casalito ou outro, coisa sem expressão Quanto a fungos e outros agentes de doenças de pele, a peça de televisão também é omissa mas presume-se que a acção desinfectante do oxigénio vai-se a ver e tem também uma acção fungicida. Assim sendo, tudo a fazer piscinas biológicas. Poupamos cloro, promovemos micro ecossistemas e até o pé de atleta deve estar preservado, penso que o oxigénio libertado pelas plantas dá para tudo, micoses incluídas. Com jeitinho e alguns ajustes poderemos até, um dia, quem sabe, substituir as estações de tratamento de água dos grande centros por piscinas naturais. Nestes casos, ate poupamos o sulfato de alumínio para além do cloro. Arriscamo-nos a ter de engolir, aqui e ali, um sapo ou outro, mas hoje em dia quem é que não engole sapos?


Adenda: Lembrei-me que há quem viva em climas tropicais. Nesses casos, há esperança que o ecossistema venha a incluir o caracolinho da bilharzíase. Fica a piscininha ecologicamente completa.

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