terça-feira, junho 07, 2011

A pepineira europeia



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Há quem fale em campanhas negras contra os países do sul da Europa. E que qualquer episódio como este, recente, dos pepinos espanhóis serve. Eu não creio que assim seja. Creio que a irresponsabilidade de um qualquer burocrata ou de uma qualquer burocrática missão alemã achou que morreram um punhado de alemães por causa de uns pepinos. E esses pepinos só poderiam ser espanhóis e nunca, por exemplo, holandeses que, como se sabe, são também grandes produtores desta cucurbitácea.

O que se passa é que há um arreigado convencimento da menoridade dos países do sul europeu, por parte dos indígenas da europa central e do norte. Para isso contribuimos os sulistas, com um conjunto de acções e mentalidades nesse sentido, e os centrista/nortistas com um indisfarcável complexo de superioridade perante os bárbaros mediterrânicos. E, nessa base, se um alemão morre porque comeu um pepino, a culpa só pode ser de um espanhol, grego ou italiano. O português talvez escape porque alguns alemães não sabem que Portugal existe e os que sabem nem lhes passa pela cabeça que os portugueses saibam cultivar pepinos.

Fica ainda a estupefacção pelos resultados económicos catastróficos que um punhado de burocratas idiotas pode causar, sem qualquer sentido de responsabilidade e com a superficialidade própria de quem nada mais sabe fazer que parir normas e decretos e aplicar a sua letra de forma. Fauna de que a Europa, nesta fase, está realmente cheia.
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quarta-feira, fevereiro 25, 2009

" Do not disturb" o desmazelo nacional


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Há cerca de um mês a minha filha apanhou com uma árvore em cima da viatura, enquanto esperava calmamente por outra pessoa, em Algés. Veio a polícia, levantou-se um auto e o processo seguiu o seu caminho até aos dias de hoje, na Câmara Municipal de Oeiras.

Ponto da situação:

O carro ainda não está arranjado. Aguarda pacientemente nas oficinas da Citroën pelo desenrolar do processo. Porque:

- O processo levou mais de uma semana a seguir da PSP de Miraflores para Oeiras;
- Quando o processo chegou à polícia de Oeiras, ia com erros (vários e, na sua maioria, causados por negligência pura, tipo, ano da viatura que passou de 2008 para 2005, deficiente indicação do tipo de seguro e outras minudências);
- Depois de várias idas e vindas a Miraflores e muitos, mas muitos telefonemas, o processo lá chegou à PSP de Oeiras. Mesmo assim contendo erros o que diz bem da incapacidade de um polícia preencher uma folha A4 relatando um simples acidente;
- Relatório em Oeiras, havia que pedir uma cópia do processo. Ao fim de uns dias e € 8, o auto estava feito mas faltava assinar. Ir a despacho. Uma reacção mais decidida, tipo “não saio daqui sem o papel” lá desbloqueou a situação e a minha filha, feliz, de papel na mão foi para a Câmara de Oeiras. Entregue o processo, mandaram-ma telefonar “uns dias depois”;
- Várias vezes “uns dias depois”, a última informação de uma diligente amanuense foi de que o assunto estava autorizado e tinha de ser enviado à Mapfre. Interrogada sobre a razão por que o processo ainda não tinha sido enviado, a resposta adequada foi a expressão de sacrifício da funcionária que o melhor que achou para dizer foi “olhe, muita sorte tem eu estar aqui, porque mais de metade das pessoas não veio trabalhar e eu estou na hora do almoço”. Era segunda-feira de Carnaval…

Isto está relatado mais ou menos por alto. Já lá vai um mês e o carro aguarda num canto triste da oficina que os homens lhe tratem da saúde. É por esta e por outras que sempre que oiço Picanços e Avoilas defender as conquistas de tanta e tanta gente que, como obra curricular, apresenta o engenho de ter conseguido um emprego para a vida, me dá uma azia tremenda. Mais grave ainda é muitas destas pessoas serem incompetentes, malcriadas, desmazeladas e com uma total ausência de rigor e, tragicamente, não darem por isso.

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quinta-feira, março 08, 2007

Os reizinhos



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quem se mate por se sentir vítima da estúpida burocracia portuguesa. Burocracia que nem sempre o é como tal, mas apenas resultado de gente que já que não consegue ter mais nada, tem um rei (zinho) na barriga e se diverte a complicar a vida à grei. E há quem se mate para conseguir, um dia, reunir as condições para ter o tal reizinho na barriga que há-de fazer com que alguém se mate por, etc., etc..

Feitios, como diria uma avozinha sábia que tive. Mas o Estado vai resolver isto com o mais acabado exemplo de sovietização do aparelho de estado de que tenho memória em vida. Pena que isto acabe em caça às bruxas, promoções de compadres, assassinatos de carreiras de gente decente, aumento de consumo de leitões, cabritos e comissões bancárias de transferências bancárias e tudo fique na mesma. Porque isto não é uma questão de informação cruzada. É uma questão de formação, mesmo. E mentalidade e sentido de cidadania. Coisas em que, afinal, somos muito pobrezinhos. Com a agravante de sermos pobrezinhos e (ia a dizer f… da p… mas contive-me) mauzinhos como as cobras.


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