sexta-feira, dezembro 02, 2016

A Esquerda festiva


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Uma breve e aleatória consulta do Google para uma incompleta cronologia dos factos:


13.01.2014 - PCP alerta para estratégia criminosa de Paulo Macedo.

5.02.2014 - Bloco de Esquerda acusa Paulo Macedo de preferir tratar a saúde dos credores à dos doentes.

08.07.2014 - CGTP acusa Paulo Macedo de ser o coveiro da Saúde.

10.07.2014 - PS considera Paulo Macedo inadaptado ao lugar de Ministro da Saúde.

08.01.2015: João Semedo pergunta no Parlamento a Paulo Macedo "que tragédia é preciso acontecer para o senhor mudar de política?".

27.01.2015 - PS acusa Paulo Macedo de estar em negação perante os problemas.

19.02.2015 - PS exige que Paulo Macedo resolva caos no SNS.

24.02.2015 - O PS acusou hoje o ministro da Saúde de ser "o principal responsável político" pelos problemas no acesso a medicamentos para a hepatite C, desafiando Paulo Macedo a avaliar se tem condições para se manter no cargo.

02.12.2016 - Finanças confirmam Paulo Macedo como Presidente da Caixa.

Num artigo de 14 de Abril de 2015, João Semedo concluía perguntando o que mais teria de acontecer para Paulo Macedo se demitir ou ser demitido. Perante esta cadeia de acontecimentos, é caso para perguntar: o que mais terá acontecido para Paulo Macedo ser agora escolhido para presidir à Caixa?

E mais isto:

Pelo Rui Rocha no FB.

Insisto. Esta galeria de idiotas não tem culpa dos dislates que produz. Com uma honrosa excepção de Semedo, por ser médico e, naturalmente, com responsabilidades acrescidas por tal condição. E não tem culpa porque há uma dolência criminosa quanto à percepção da verdade intransferível de que esta rapaziada se apropriou, arvorando um registo de propriedade que consideram seu e de mais ninguém. A culpa é de quem os lê e mantém a referida indolência como se tudo isto fosse verdade e aceitável. As culpas maiores vão para a comunicação social que alberga um número indiscriminado e, infelizmente, crescente de idiotas úteis.

Esta cronologia organizada pelo Rui Rocha é um bom exemplo de tudo isto. E desenganem-se aqueles que acham que a Esquerda engole sapos. Porque a Esquerda não engole sapos nenhuns. Os seus próceres assistem impávidos e pesporrentes ao desenrolar dos acontecimentos e acham que as coisas são assim, porque sim. E no caso presente tudo se torna mais trágico. Porque não há nada pior que a Esquerda tomar gosto pelo Poder. E o nefando Costa tratou de lho dar. Agora aguentem.


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domingo, maio 01, 2016

Aí estão eles de novo. Que nem praga do Egipto.



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E aí temos a febre outra vez. Que esta gente não brinca em serviço. Há cerca de um ano, as parangonas anunciavam o glifosato como potencialmente cancerígeno. A «coisa» abrandou, o glifosato continuou a ser o herbicida mais vendido e a população mundial beneficiou dos extraordinários resultados da aplicação de um dos menos tóxicos herbicidas do mundo. DL50 oral, rato=5.600 mg/kg, seguro para mamíferos, peixes e abelhas, não carcinogénico (US EPA categoria E), não mutagénico, destituído do desenvolvimento de toxicidade e com total degradação no solo em menos de 60 dias. Estes valores são atingidos pelas grandes empresas multinacionais através dos seus departamentos de pesquiza e desenvolvimento, por técnicos especialmente preparados para o efeito (cientistas, químicos, patologistas, botânicos, matemáticos e outra gente mais preocupada com a ciência e a tecnologia do que com o tempo novo) e aprovados e ratificados por organismos oficiais.

O glifosato é um produto de grande valor económico. Numa descrição muito sucinta, é um herbicida sistémico, de acção foliar, com translocação nas plantas tratadas e, consequentemente, atingindo o sistema radicular, evitando assim o desenvolvimento de um novo ciclo vegetativo. O glifosato foi, assim, substituindo com êxito e segurança evidentes produtos mais antigos com uma forte acção de choque, mas não evitando o recrescimento das plantas tratadas. Era o caso, por exemplo do paraquat, de resto com um grau toxicológico muito elevado e sem antídoto conhecido.

O problema é que o glifosato é um produto da Monsanto, a maior companhia do mundo na produção de sementes transgénicas e uma das maiores empresas de agro-químicos (agro-tóxicos, para a Esquerda). Logo, um alvo apetecível para aqueles apostados em destruir as economias (isso mesmo), não se importando, no caso vertente e noutros, com os resultados catastróficos que podem causar. E é assim, que em quarenta e oito horas se volta ao ataque. Depois de um ano de «pousio», eis que os paladinos do tempo novo e da saúde das borboletas voltam ao ataque. Nestes conta-se uma organização meio esquisita (como a Íbis, aquele pássaro do Egipto…), a Plataforma Transgénicos Fora, a sedutora Ségolène Royal, o (não tão sedutor) André do Pan (ainda excitado com as descobertas que fez sobre o Butão), o Capoulas Santos e, inevitavelmente, a nossa Comunicação Social que nas últimas horas nos metralha com os perigos do glifosato. Desde o aumento de mortos na Argentina por causa do glifosato, até às deformidades das borboletas que pousaram em flores de plantas tratadas com glifosato, passando pelo nosso distinto agrónomo e ministro de agricultura que vai mandar analisar as sementes de centeio. Não resisto a fazer uma chamada aqui sobre o facto de serem as borboletas que põem os ovos de onde nascerão as lagartas que virão a comer as culturas (há a polinização, não me esqueci) e que, no meu entendimento, um pé de centeio «atacado» de glifosato deverá, teoricamente, morrer antes de criar espiga. Mas eles lá sabem. Por mim, achei que devia fazer este breve resumo, em defesa de um dos mais eficazes produtos conhecidos no capítulo de protecção de plantas, contribuindo para a economia e para a alimentação «tout court» de milhões de pessoas em países subdesenvolvidos (*). E, já agora, vale  a pena ler alguns dos comentários da página do FB da tal Plataforma Transgénicos Fora. Absolutamente surrealista.


(*) Um pequeno exemplo: Há cerca de meia dúzia de anos, um grande rio africano foi infestado por uma planta aquática, o jacinto de água. A planta tem uma exposição de folhagem pequena à superfície da água e longas raízes submersas que podem atingir os dois metros de profundidade. Esse rio é muito rico em peixe, dieta básica de cerca de quatro milhões de habitantes ribeirinhos. Quando a infestação atingiu grandes proporções (quase que se podia caminhar à superfície do rio), essas populações sofreram um autêntico drama, já que a agricultura é quase inexistente (bordas do Saara) e o peixe é o seu principal alimento. Vários produtos foram experimentados, sem resultado, porque, sem translocação, não atingiam a raiz. O corte manual também nada resolveu porque as plantas «rebentavam» de novo. Finalmente optou-se pelo glifosato, com assinalável êxito. As populações puderam pescar de novo, comer peixes e sorrir outra vez. Não sei se, entretanto, alguém morreu de cancro. Mas não me consta. Talvez a Ségolène e alguém da Plataforma lá pudessem ir verificar, mas aviso que a temperatura atinge facilmente os 46º, há mosquitos (ah! E lacraus) e ultimamente têm aparecido por lá uns jihadistas que se entretêm a cortar umas cabeças e a roubar miúdas. Acção muito mais tóxica que o glifosato. Sobretudo muito mais real e que devia suscitar mais reflexão a esta patetice endémica que se instalou no homem novo do tempo novo.


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terça-feira, janeiro 05, 2016

O atrevimento de Marcelo pensar de uma maneira diferente do resultado de um referendo


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Acabo por ver vários debates dos nossos candidatos. Em todos eles a conversa redonda de sempre, com a saudável excepção do candidato Henrique Neto que sabe do que fala e é suficientemente independente para dizer umas verdades com sequência e em português escorreito.

Mas não quero deixar de registar um pormenor que me provocou uma acentuada repulsa e, simultaneamente, uma espécie de resignada constatação pela forma como esta rapaziada da chamada esquerda continua a achar serem fiéis depositários da democracia. Não aceitando, em circunstância alguma, que as opiniões e convicções de cada um possam ser divergentes das deles. Talvez isso, noutras épocas, explique o degredo, os campos de concentração e o sumário assassinato de milhões de pessoas excedentárias ao pensamento correcto que deverá fazer de nós gente como deve ser.

Isto a propósito de Marisa Matias ter insistido, com turbulência, no facto de Marcelo Rebelo de Sousa ter uma convicção contrária ao resultado do referendo sobre o aborto. Bem tentou Marcelo explicar à excitada candidata que uma coisa são as convicções, outra, bem diferente, o posicionamento que um Presidente da República deve ter no respeito pela opinião popular expressa em votos. E de cada vez que ele tentava explicar isto a Marisa ela insistia, convulsa: - Ah! Mas a sua convicção é contrária ao resultado do referendo.

Ninguém me contou, eu vi e ouvi… e uma vez mais concluí que esta gente tem uma relação muito difícil com a liberdade, talvez mesmo impossível. E é isso que me faz sumariamente desprezá-los.

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sábado, janeiro 04, 2014

Uns exagerados, esta rapaziada da direita


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Vai por aí uma excitação imensa da esquerda com os exageros da direita. Parece que um jornal qualquer de Hong Kong terá dito que o tio de Kim Jong-un teria sido comido por 120 cachorros esfomeados. A notícia tornou-se viral (como agora se diz) e correu as redes sociais (como agora também se diz). Parece que a coisa não foi bem assim, a criatura Jong-un limitou-se a mandar matar o tio porque era mulherengo, mas daí a mandá-lo comer por cães esfomeados vai uma distância que a esquerda atenta logo tratou de classificar como a costumada propaganda da direita. Afinal uma simples execução foi logo tratada como um cidadão dado de acepipe a uma matilha esfomeada.

A direita fascista não tem emenda. Já quando se falava das criancinhas comidas ao pequeno-almoço (um pressuposto de consabida engenharia comunista como sendo uma manobra de propaganda fascista), a esquerda achava que a direita não tinha qualquer pudor em inventar estas coisas acerca dos bem intencionados comunistas.

Eu acho que a esquerda tem alguma razão. Mesmo com o grande expurgo estalinista terão morrido no máximo entre seis a sete milhões de pessoas e a direita tratou logo de aumentar para dez milhões. Um exagero. Como se vê, afinal foram só 6 a 7 milhões. Uns exagerados mentirosos e fascistóides, este pessoal da direita.

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