domingo, fevereiro 17, 2013

Sapientia ducit at astra


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E queixava-me eu que ainda não tinha ouvido D. Januário sobre a resignação do Papa. Eis que Sua Eminência solta a sua sabedoria e encaminha-a ao firmamento através de umas quantas directrizes e considerações pertinazes, não vão os cardeais esquecerem-se ou malbaratar os interesses da Igreja Católica. Assim (e cito):

- De certeza que o Papa não abdicou por acaso. Escolheu o tempo próprio;
- O Papa foi apanhado de surpresa;
- Perdeu a confiança na Cúria Romana;
- O novo Papa deve estar aberto ao mundo e não representar interesses;
- Não deve pertencer a «lobis»;
- Deve rejeitar o centrismo.

«Prontes»! D. Januário disse. E ai do Vaticano que desvalorize a sua sapiência. De caminho dá para reflectirmos o que leva este bispo a manter-se numa igreja que já não inspira confiança aos Papas, parece ter Papas que representam interesses e «lobis» e é assim tão dada ao centrismo.

Não haverá comprimidos para «isto»?
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quinta-feira, março 19, 2009

A abulia dos preservativos


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É deprimente. Triste. A sanha e a prosápia com que alguns dos habituées do Forum da TSF, hoje por hoje uma verdadeira montra nacional, se referiram ao Papa e à sua ”blasfémia” sobre o uso do preservativo em África é um retrato muito nítido daquilo que realmente somos. Poucos, muito poucos, conseguiram abordar com dignidade o “magno problema” das declarações do Papa a caminho dos Camarões, uma declaração habilmente descontextualizada pela nossa comunicação social e que a TSF achou merecer honras de Forum. A vilanagem atacou e ouviu-se de tudo. Desde o “senhor Papa” até às declarações “abúlicas” (eu seja ceguinho), passando pela maioria dos padres que são pedófilos e retrógrados, representantes duma igreja criminosa, tudo serviu para emular a nossa sociedade modelar, culta, moderna, letrada e, sobretudo, idiota.

O festim anti-papa foi aberto pelo teólogo Pureza (e eu que julgava que era sociólogo desde o Prós e Contras...) que debitou uns sólidos dez minutos de prédica alarve e que não deslustrou em nada aquilo que eu dele já ouvira na RTP.

Não resisto em repetir o “abúlicas” de um ouvinte iracundo de Gondomar (acho que era de Gondomar). As coisas que a nossa gente sabe. O tal participante deve ter ouvido o termo na "abulia" poética de um qualquer convento abandonado do Norte, onde ele suspeita que os padres andam a molestar as criancinhas. São uns abúlicos, estes sacerdotes!
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terça-feira, abril 17, 2007

A propósito de Ratzinger



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Costuma ser assim. A vozeirada extingue-se à medida que se vai aumentando o conhecimento sobre as pessoas e as coisas. E foi isso que aconteceu exactamente com Ratzinger, que celebrou ontem os seus oitenta anos, depois de ter sido continuamente fustigado pela nata lusitana durante várias semanas, em jornais, blogues e televisões.

Porque gostaria de ter dito exactamente o que
João Gonçalves escreveu e, ainda, porque ele o faria sempre melhor do que eu, transcrevo na íntegra o seu post:

Joseph Ratzinger celebra hoje o seu 80º aniversário. Simultaneamente é lançado em dois ou três países o seu "Jesus de Nazaré" que talvez apareça por cá em Maio. Bento XVI é chefe de estado e "líder" espiritual de milhões de seres humanos. Foi, no passado, o "fermento" intelectual do pontificado "democrático" e mediático de João Paulo II. É, na minha opinião, o único dirigente mundial com pensamento, determinação, saber e uma profunda consistência cultural e ética. É porventura o único, do lado "ocidental", que pode falar "à cidade e ao mundo" de surdos em que vegetamos. A sua autoridade estende-se a todas as actividades humanas, a começar pela que devia ser das mais nobres, a política. Recrutados nos sotãos das respectivas secções partidárias, sem biografia ou valia cultural e humana de qualquer espécie, arrancados às "lojas de trezentos" que constituem a maior parte das estruturas "representativas" da democracia - os chamados "partidos" -, os donos políticos do mundo são os melhores epígonos do relativismo que Ratzinger despreza. Com os EUA entregues a um cowboy praticamente inimputável, a Rússia a um polícia astuto e mau e a Europa nas mãos de meia dúzia de homens sem qualidades, resta a palavra sensata, sábia e incorruptível do Santo Padre. Deus permita que possamos continuar a contar com ele por muitos e bons anos na denúncia esclarecida da aurea mediocritas a que chamamos vida. Herzlichen Glückwunch zum Geburstag.
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