quinta-feira, junho 08, 2017

Sinistro II



Clicar na foto. Gente sorridente é outra coisa. Mas evitem mostrar às crianças...

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Quando um político não sabe o que há-de dizer sobre uma greve indesejada, a primeira coisa que lhe vem à cabeça é que a greve é um instrumento constitucional (conxucional, para Costa) e um alienável direito dos trabalhadores. A partir daqui entra-se num blá blá blá inócuo e que nada acrescenta à grande máxima, qual seja a da constitucionalidade da greve e de representar um direito dos trabalhadores (a propósito da entrevista de Costa à SIC quando, no seu titubeante e estranho português, Costa respondeu a Gomes Ferreira sobre a greve dos professores).

Posto isto, sonho com o dia em que um político, e tomando a greve dos professores para o dia vinte e um, diga, um dia: A greve é constitucional e um direito para os trabalhadores. Mas os sindicatos deveriam colocar acima de quaisquer conveniências partidárias o interesse dos cidadãos. No vaso vertente dos professores, os lesados são as crianças e os pais delas. As crianças, porque começam a ter, de pequeninos, uma noção distorcida dos instrumentos constitucionais e dos direitos dos trabalhadores e da realidade. Os pais porque, regra geral, fazem grandes sacrifícios para que os seus filhos estudem. Mesmo no muito mau sistema público, não esquecendo que pagam por ele, por via de impostos.

Não há, ou não deveria haver, sindicato NENHUM que deliberadamente promova uma greve em dia de exames nacionais. A greve deixa de ser um instrumento constitucional para se numa atroz inconstitucionalidade. E venham os juízes todos do TC dizer o contrário. E deixa de ser um direito dos trabalhadores para se tornar num instrumento partidário, que faz fé nos pontos de vista que o Partido professa e não nos pontos de vista do interesse nacional ou, mesmo, dos trabalhadores representados pelo Partido em questão. No nosso caso, sabendo-se que os sindicatos, por razões que nunca consegui compreender, são quase totalmente dominados por um Partido caduco, com uma representação eleitoral residual e com uma total aversão pela liberdade e que não olha a meios para atingir os fins. E, talvez mais grave ainda, sindicatos materializados por corporações que, vistas bem as coisas, não têm nada a ver com os comunismos mas que se deixam enlear por eles. Como é o caso dos professores. Por interesse pessoal, por desleixo, por inércia, seja lá porque for. Mas o resultado é sempre o mesmo. Alinham alegremente nos delírios desse tal Nogueira e dos seus esbirros. Isto no que respeita aos professores. Porque noutros sindicatos é a mesmíssima coisa.


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quarta-feira, julho 20, 2016

Nogueira rapidamente e em força para a Turquia



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Tenho esperado, sentado, uma reacção adequada da nossa Esquerda atenta e veneradora dos trâmites da liberdade, no que se refere aos recentes acontecimentos na Turquia. Quanto a professores, parece que pelo menos 15.000 foram ou estão a ser considerados perigosos reaccionários e, como o vírus que Erdogan refere, têm de ser expurgados. Senão mesmo decapitados, sabe-se lá se «Deus quando deu o recado ao presidente sobre a purga pós “golpe de estado”» não lhe terá dito que a decapitação é o castigo justo. Desgraçadamente os professores turcos não contam com o nosso Nogueira, senão outro galo cantaria.

Por muito respeito que me mereçam os infelizes que estão presos e provavelmente morrerão, tenho de reconhecer a parte positiva da questão. Qual seja a de que agora me parece mais plausível que o romantismo que envolvia a possível integração da Turquia na UE possa de uma vez por todas ser remetido para a reciclagem, como “spam”.


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terça-feira, julho 22, 2014

Uma lástima


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Alguém devia explicar a alguns professores que a avaliação de professores é uma sequela do sistema que eles próprios criaram.

Antes de me deixar seduzir pela alheira, pelo clima e pela bica, trabalhei numa multinacional onde a valorização dos seus quadros era uma constante. Seminários, cursos de treino, especializações, pós-graduações em várias universidades, viagens de estudo a vários países, estudos de mercado, aperfeiçoamento no manejo de línguas e muitas outras manifestações de valorização atenta dos seus quadros. Não porque tivéssemos lindos olhos ou tomássemos banho todos os dias, mas porque a própria empresa precisava de gente bem formada, eficiente, competente e, acima de tudo, com uma consciencialização profunda de códigos de trabalho de que todos saíam a lucrar. Na verdade, não me lembro de me fazerem exames nem provas de verificação de conhecimentos mas o meu desempenho, tal como o dos meus colegas era disso mesmo testemunho insofismável e cada um de nós progredia à medida dos seus talentos e na fruição total da formação que nos davam. Também é verdade que essa empresa não admitia quadros porque sim, admitia gente que achava que lhe fazia falta e o resultado disto tudo era um grupo sólido, de grande reputação internacional e onde só condições muito particulares conduziam a que alguém fosse compelido a sair. O que não significava que isso não acontecesse, ainda que fosse geralmente entendido que se uma pessoa fosse despedida é porque haveria fortes razões para isso.

Já os acontecimentos de hoje (não só de hoje, de outros dias também) provocam-me mal-estar e uma náusea profunda. Um pateta energúmeno acometido de funções, responsabilidades e poderes só possíveis numa sociedade a roçar conceitos quase medievais continua a movimentar grupos activistas de pessoas com uma noção distorcida dos seus deveres e direitos como trabalhadores. Sobretudo, malbaratando a virtude das suas atribuições e deveres com uma ideologia já só possível em países da estirpe do nosso. Não é admissível, é mesmo criminoso que grupos de gente como a que observei hoje na televisão continuem a emular um potencial torcionário, esse mesmo, um tal de Mário Nogueira de seu nome, em nome de direitos que acham que têm. Não fazem a mais remota ideia do que atrás referi como política de trabalho, verdadeiramente porque também não lha ensinaram. Enfiaram-lhes Nogueiras pela goela de há quarenta anos a esta parte, colaboraram activamente num sistema destrutivo da génese educadora deste país e dão um exemplo deprimente e vicioso às crianças que deveriam ensinar.

Uma lástima!



Foto do Sol, de hoje

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