terça-feira, setembro 22, 2009

Factóides mais ou menos humanóides

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Quando um homem eticamente pequenino, truculento e carregado de ódios de estimação que não soube ou não quis sublimar, resolve lançar umas diatribes malcriadas sobre gente cuja dimensão está a anos-luz da sua pequenez, não há factóides que cheguem para beliscar, de leve que seja, aquilo que toda a gente aprendeu a respeitar. A integridade e a lisura de Cavaco Silva. O resto… é factóide e próprio do desvario e má-criação.
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sábado, julho 18, 2009

Becagueine


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Regressado a casa, depois de uma viagem de trabalho um pouco mais longa do que o previsto, o pormenor que mais me despertou do torpor morno da tropicalidade foi a mudança brusca dos noticiários. Das notícias de televisão de extracção francesa, reconhecidamente sóbrias, abrangentes e interessantes passei à metralha incessante da intriga nacional á volta de patetices e manifestações de insuportável e pueril saloiice. É triste mas é verdade. Talvez este meu desabafo tenha a ver com o acto de Louçã ter sido o primeiro político (????) que ouvi, perorando sobre os desígnios inelutáveis do Bloco na luta contra as prrrrrrráticas parrrrrrrrrrrrrasitárrrrias deste goverrrrrrrrrrrrrrno ( e confesso que nem me lembro já do tema, só me lembro da figura patética de Louçã, olhos a saltar das órbitas e língua a estralejar os erres do costume chamando parasita ao governo).

É uma sensação estranha, este regresso àquilo que me parece uma acabada impossibilidade de escaparmos ao fado da pequenez (o tal Portugal dos Pequeninos), quando a única coisa que parece restar dos desejáveis engenho, dedicação e sentido de serviço público é esta patética forma de nos enlearmos nas tricas domésticas, à revelia dos acontecimentos que verdadeiramente deveriam interessar os portugueses, quer do ponto de vista de andarem bem informados como, sobretudo, preparados, para nos perfilarmos junto dos nossos parceiros na análise e na solução das grandes questões internacionais.
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sexta-feira, abril 17, 2009

Caldo de esquerda


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Não se confunda o caldo de esquerda (termo usado ontem, apropriadamente, por Pacheco Pereira na “Quadratura do Círculo”) com a permissividade táctica em relação ao enriquecimento ilícito. Nem com a evasão fiscal. Atente-se apenas no verdadeiro festim, no qual se vai dando mais passos para acabar com os ricos em Portugal, essa espécie espúria e putrefacta que tira o sono às almas puras do Bloco.

Ninguém parece lembrar-se que há gente rica e séria. Gente que tem muito dinheiro sem ter que recorrer a donativos de grandes empresas de obras públicas, sem ser autarca nem político e sem nunca ter estado envolvido em negócios turvos de licenciamentos, favores, reciprocidades nem mesmo negócios de cueca. Há gente que usou os seus méritos para desenvolver uma ideia, gerar um negócio e aumentá-lo de acordo com as leis do mercado e do país. Gente de mérito que não precisou de carreiras políticas nem jogos de cintura para enriquecer, muito menos de lamber as botas de ninguém. As botas ou o que quer que fosse para alcançar os almejados fins.

Levar um dia inteiro a ouvir Louçã num tom patologicamente furioso e a raiar um estádio de difícil auto-controle, pelo clímax de se ouvir ele próprio, a bramar contra os ricos é sintomático de um país que pouco ou nada mais tem para nos dar senão esta farsa patética de mostrar à populaça que andamos todos muito ocupados a perseguir os ricos, os poderosos e os capitalistas, em versão TVI e 24 Horas, aos berros e manguitos.

Permanece em mim a grande questão sobre o que verdadeiramente leva o PS a beijocar o BE e fazer o seu jogo em toda esta farsa. Afinal muitos políticos terão pouco a aprender em matéria de enriquecimento ilícito e evasão fiscal. Agora, fingir que têm e fazer esta algazarra é que chega a ser obsceno. Ninguém tem dúvidas que os ricos terão sempre meios de “evitar” esta salganhada em que o PS está a afundar este país. No caso vertente, sem embargo de mecanismos apropriados, mas sempre no maior respeito pela privacidade de cada qual, para se ajuizar da bondade da forma de enriquecimento de cada um e do seu cumprimento fiscal.

Paulo Rangel acusou ontem à noite o Governo de propor a criação de uma pena fiscal "totalmente inconstitucional", que configura "um dos mais graves ataques contra o Estado de Direito e a separação de poderes" E explica porquê, aqui no Público. Só não percebo porque é que se absteve na votação. Mas vale ler a notícia toda.

Já agora. Aquela cena de fúria de Louçã a acusar o BES de ter uma conta com dinheiros dos herdeiros de Pinochet tem a ver com quê? O presidente do banco já lhe chamou mentiroso patológico mas se fosse verdade, ou for, o que é que nós temos a ver com isso? E Louçã, por acaso, já se preocupou em saber onde é que Fidel Castro tem a fortuna? E Chávez? E Khadaffi? E a viúva de Arafat ? E tantos outros? Que Louçã precise de fazer terapia de controle de fúria, como a gente vê no cinema, é um problema dele, não meu. Mas já é meu problema a influência que este homem parece conseguir ter nos assuntos do meu país.

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sábado, março 24, 2007

Cambada de burros que não entendemos nada ( 2 )



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Instado a pronunciar-se sobre o facto da indiciada autarca de Salvaterra ter sido constituída arguida, Francisco Louçã afirmou que o governo não pode assobiar para o lado e permitir que multinacionais como a Rodhe se retirem de Portugal e atirem com os portugueses para o desemprego.

Ora aqui está uma resposta apropriada, coerente e, sobretudo, perfeitamente contextualizada com as perguntas dos jornalistas. Se a autarca foi constituída arguida… o Governo não pode assobiar para o lado e deixar fugir uma fábrica de sapatos para o estrangeiro. Óbvio e inerente! Além de exequível, remanescente, exógeno e concupiscente.


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