sábado, julho 20, 2013

As alforrecas comichosas e a defesa intransigente dos cidadãos


Banhistas coçando-se e o Estado toma medidas preventivas contra as alforrecas e microalgas

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Há três sólidos dias que as televisões cumprem o sacrossanto dever de tratar os portugueses como criancinhas a quem se diz para pôr o boné porque está muito sol, não vá eles começarem a deitar sangue pelo nariz. É a pressão do politicamente correcto, eu sei, é a osmose reconfortante do Estado paizinho aos cidadãos, já meio infantilizados, da ideia de que o Estado não só lhes guia o destino, como olha, com desvelo, por eles. 

Daí a esta cena dilacerante de estarmos a apanhar reportagens em contínuo sobre os banhistas com comichão provocada pelas alforrecas, é um passo. Não faltando a variante, científica, das microalgas, que já foram analisadas e são inofensivas, mas que as televisões insistem em referir. Isto não exclui o português valentão que afirma às reportagens, com firmeza e pundonor, que sabe das alforrecas mas vai ao banho. Ele e os filhos. Mas que não lhes aconteceu nada, a água é que estava um bocadinho fria. E nós, com algas inofensivas e alforrecas benignas continuamos a ter praias de «colidade» e com o Estado a mandar-nos pôr o boné porque está muito sol.
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quarta-feira, abril 04, 2012

As crises do capitalismo (2)

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Por estas e por outras é que o socialismo não tem crises. Tem uns problemazinhos que, quando aparecem, se resolvem com os capitalistas. Mesmo até porque de vez em quando se mete o socialismo na gaveta, para não atrapalhar.

Esta história nem tem muito que escalpelizar, para além de que irá ser repetida em muitos blogues e jornais. Mas vale para se perceber um pouco melhor como este tipo de reacção espontânea define bem a maneira de pensar desta gente. O Estado paga porque, lá nos botões deles, o Estado lhes deve muito. É o caso de Soares que não só pensa assim como faz questão de no-lo lembrar frequentemente. Não vá a gente esquecer-se e a RTP deixar de o convidar para aqueles programas abrilinos, metendo a Pide, Caxias, Tarrafal e S. Tomé, exílios, fugas, torturas, interrogatórios, Afonsos Costas e assim.
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terça-feira, maio 22, 2007

Incapaz e incapacitados



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Meu caro
António

Acabarei por morrer sem algum vez entender esta lógica de proteccionismo que a esquerda tanto apregoa, sobretudo se e quando esse proteccionismo mascarado de solidariedade social enforma convicções ideológicas desfasadas da realidade de qualquer instituição, privada ou pública, onde se deseja justiça, equidade e, atenção, excelência e retorno de investimento. Enquanto persistir esta ideia de que o emprego é um dado adquirido, leia-se o cidadão nasce e tem direito ao emprego, mesmo não se sabendo quem o cria, tudo estará mal e tudo se manterá em conflito que em última análise convém à esquerda, por um lado, e aos vulgarmente designados idiotas úteis, por outro, que vão actuando em linha com o politicamente correcto sem se aperceberem que estão a contribuir objectivamente para o mal estar de toda a gente.

A verdade é que, lá está, não lograrei nunca ser convencido porque carga de água é que
um concurso público tem obrigatoriamente que incluir incapacitados. Um incapacitado, por definição, não é capaz de desempenhar as funções que eventualmente o concurso necessita, pelo que é de toda a justiça que o incapacitado seja apoiado pelas estruturas sociais, mas não exijamos que um incapacitado concorra nas mesmas condições de um apto. No extremo, acabamos por cair na discriminação positiva, na affirmative action ou nas famigeradas quotas. Assim, deixemos os capacitados trabalhar e trate-se e ampare-se os incapacitados. E habituemo-nos a raciocinar em ermos de excelência e retorno de investimento, tanto no privado como no público e deixemos “o resto” para contarmos aos netos em forma de episódios excitantes dos heróis soixante-huitards, sendo suficientemente benévolos, até, para escamotearmos os danos que esses “heróis” nos trouxeram a médio prazo.

Desculpa qualquer coisinha e aceita um abraço.


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