A boa onda
Receio que as medidas emanadas do último conselho de
ministros extraordinário venham a constituir um caldo balsâmico para o inominável
desempenho da geringonça. De repente, pressinto uma espécie de boa onda, para
usar uma expressão brasileira. As medidas são boas, a oposição saúda e Costa
volta a afivelar aquele sorriso alarve que é a sua imagem de marca.
Era bom que as pessoas se congratulem com a acção que está a
ser tomada mas que não esqueçam que ela só foi possível devido ao enquadramento
e ao sentimento que Marcelo conseguiu imprimir à situação e que a boa onda, por
muito boa que seja, não desculpa a desorganização, incúria, ineficiência e inaceitáveis
e despudoradas afirmações dos principais intervenientes da tragédia.
Portugal é um pais em que a bonomia é uma espécie de “middle
name”. Tudo o que não tenha Nogeiras, Avoilas, Arménios, Catarinas, Jerónimos e
quejandos por detrás, dilui-se na boa vontade e curta memória dos portugueses.
Só por isso, receio esta vaga de optimismo que começa sentir-se, como se as
medidas agora tomadas fossem uma espécie de assisada medida governamental, quando
ela não é senão a resultante de uma das mais vergonhosas facetas da nossa história
recente. E à qual a geringonça ficará definitivamente ligada.
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Etiquetas: A boa onda, conselho de ministros



