segunda-feira, novembro 05, 2007

Hemorroid suckers




Foto Lei do Funil

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Um vez fui visitar um colega meu à sua casa em Kempton Park, um subúrbio de Johannesburg que os ingleses acham que é um subúrbio "inglês" e que explica, de certa forma, porque perderam a guerra boer. Esse meu colega tinha acabado de ser operado às "hemorroids" e quando lhe perguntei se ele estava melhor, ele disse que achava estar ainda bleeding (eles dizem breeding, que é uma coisa que eles sabem fazer muito mal). De imediato levou o indicador debaixo dos lençóis e retirou-o sujo de sangue, dizendo: - See? Após o que levou o dedo à boca e "limpou-o", chupando-o até ao sabugo.

Esta história, verídica, é um exemplo feliz de muitos episódios que me ajudaram a conhecer esta breeding europeia que, entre outras coisas, não conseguiu ir além do fish and chips, carneiro assado e coberto com um molho verde, um rice pudding que é um arroz cozido com açúcar e uma mistela a que chamam Yorkshire pudding. Há, ainda, claro, o steak and kidney pie que são pedaços dos ditos embebidos em gravy que é uma coisa que eles acham que é molho, sem fazer a mínima ideia do que um molho seja.

Também desconhecem o café. Têm uma vaga noção que é uma coisa que, moída e misturada com chickory serve para fazer uma "coffee drink". Têm uns razoáveis pequenos-almoços rotinados numa ementa de salsichas, peixe fumado, tomate grelhado, ovos, bacon, cebola frita, feijões e smashed potato mas ficam genuinamente admirados como é que há humanos que apreciam um croissant ou um brioche fofo. Pura e simplesmente não entendem.

São ainda, generalizadamente, porcos. Poucos tomam banho todos os dias e ainda hoje, no Império profundo, algumas famílias usam a mesma água para banhar marido, mulher e filhos na mesma banheira.

Nada disto teria grande importância se esta gente não se admirasse genuinamente com hábitos e costumes dos bárbaros overseas. Não percebem (mas não percebem mesmo) como é que se pode viver sem ter uma rainha e não gostar de herrings para o pequeno almoço. Não percebem. E como não percebem ficam muito admirados quando os bárbaros se atrevem a meter-se com eles. Foi o que aconteceu com o senhor que aparece na imagem (roubada da Lei do Funil) que não percebe como é que comedores de sardinhas se atrevem a postular sobre um casal britânico suspeito de ter morto a própria filha e de ter escondido o cadáver. Não é por mal. É que não percebem mesmo. Esse tipo de barbaridades não é suposto acontecer no Reino. E depois fazem figuras destas.

Faz bem o nosso embaixador em não passar cartão à criatura. E, no fim de semana, procurar um restaurante português onde possa comer umas sardinhas assadas

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sexta-feira, agosto 10, 2007

Fazer perder a paciência a um santo




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Sei tanto do caso McCann como a generalidade das pessoas. Ou seja. Uma criança desaparece ou morre tragicamente sem que se saiba bem porquê ou por quem. Mas há uma coisa que sei. Independentemente do desenvolvimento do caso, sei que os ingleses continuam a ser absolutamente insuportáveis. Não há quem os ature sempre que eles entram num processo analítico em relação aos gentios do mundo separado deles pelo canal ("Um canal separa o mundo").

Conheço bem esta rapaziada e sem embargo de alguns bons amigos que fiz (um inglês expatriado não tem nada a ver com um inglês das ilhas…) sei como pode ser exasperante lidar com eles. No caso vertente, porque deve ser muito difícil aos nosso agentes da Judiciária estar sob permanente escrutínio dos seus colegas ingleses, manter a calma e não lhes mandar com uma pasta de arquivo à cabeça.

No meio deste tipo de situações aparece o nosso ministro da administração interna a “desmentir” a corrente geral de noticias de que os media ingleses crucificam os portugueses, afirmando mesmo que um ministro qualquer em Inglaterra até elogiou o trabalho da polícia portuguesa.

Enfim, feitios…

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quinta-feira, maio 10, 2007

Os meus cães cheiram melhor que os teus



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Por razões circunstanciais conheci muitos ingleses, o suficiente para perceber muitas das suas imensas qualidades e inúmeras idiotices. Os “pommies” constituem um manancial de histórias e de anedotas, mas todos temos de reconhecer que são gente de têmpera, racionais (com flaws de capacidade cognitiva pela irracionalidade dos outros, bem entendido), corajosos e mesmo o facto de uma grande parte deles não tomar banho todos os dias não impede que tenham uma aparência física aceitável.

Mas há uma coisa em que eles são absolutamente insuportáveis. Os ingleses acham que todos os povos além Mancha têm um défice acentuado de muitas (todas?) características que fazem deles um povo, não melhor, mas diferente de todos os outros. Além de que os ingleses não entendem, não conseguem entender, hábitos e gostos estrangeiros, o principal dos quais será, certamente, como é que os não-ingleses não falam inglês e comunicam através de fonéticas ininteligíveis como o francês, o alemão, o espanhol e o italiano, ou como é que um degenerado yankee chama elevator a um lift ou grafa colour sem "u". Isto pode parecer um exagero, mas posso garantir-vos que não é. O inglês médio não percebe, não entende, não assimila e interroga-se sobre qualquer coisa deste género: Afinal há gente que comunica sem ser em língua inglesa? Mas depois, com a lógica que os caracteriza, resignam-se e pensam qualquer coisa como “bom, se até os golfinhos comunicam, porque não outros povos”?

O problema é que com alguma frequência os ingleses têm razão. Há situações tão inverosímeis, sobretudo a partir de povos latinos que os próprios latinos têm dificuldade em perceber. As conhecidas fotos “Portugal no seu melhor” são bem elucidativas do que digo. Os ingleses, possivelmente, ao olharem para fotos daquelas não se riem. Ficam, apenas, espantados enquanto murmuram Jesus, Mary, Joseph. Mas tudo junto e somado há que reconhecer que com esta coisa da globalização os ingleses vão ter que fazer um esforçozinho de integração e perceber que há mais Marias na Terra e que vão ter que conviver com elas.

Isto vem a propósito dos cães ingleses que farejam pelo Algarve o “scent” da infeliz Madeleine. Que mandem um par de especialistas lá da terra para ajudar nas investigações, um par de psicólogos para ajudar a família, tudo bem. Agora que mandem uma matilha de cães que, tanto quanto julgo saber têm o mesmo faro que os nossos apesar de ladrarem em inglês é que não faz sentido nenhum e ajuda a criar este clima de desconfiança mútua. Da nossa parte apetece-nos mandar os doggies farejar as avozinhas deles à hora do chá com o farrapinho de leite. Da parte deles, porque 2.000 anos depois de Cristo ainda acham que cães farejadores só há um. O inglês e mais nenhum. E que qualquer cão estrangeiro só pode ser tão estúpido como o dono.


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