segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Precipitações. Uma maçada...


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Quando um magistrado e director da Polícia Judiciária afirma, com a mesma naturalidade com que anunciamos que vamos comprar o jornal ao quiosque da esquina, que a constituição de arguido dos McCann poderá ter sido resultante de alguma precipitação, eu começo genuinamente a sentir-me pouco seguro. Porque concluo que a Judiciária não escapa ao momento nacional, em que tudo parece estar mal, tudo parece ser feito no joelho e tudo parece gerido por gente sem qualquer preparação para os cargos que ocupa. Assim mesmo, sem tirar nem pôr. Porque para além da genuina vergonha perante a opinião internacional, começo a pensar quantos arguidos não haverá por aí vítimas da precipitação não sei de quem. Além de que, de duas uma: Ou o dr. Alípio Ribeiro tem razão e os pais de Maddy foram considerados arguidos entre uma partida de sueca e uma cabeça de garoupa num qualquer restaurante em Lagos e, então, o melhor é fugirmos para nos defendermos desta gente ou há genuinas suspeitas de que eles têm responsabilidade no desaparecimento da filha e o dr. Alípio deveria ser, já, sumariamente despedido. Qualquer das possibilidades me parece muito perigosa para todos nós.

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segunda-feira, novembro 05, 2007

Hemorroid suckers




Foto Lei do Funil

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Um vez fui visitar um colega meu à sua casa em Kempton Park, um subúrbio de Johannesburg que os ingleses acham que é um subúrbio "inglês" e que explica, de certa forma, porque perderam a guerra boer. Esse meu colega tinha acabado de ser operado às "hemorroids" e quando lhe perguntei se ele estava melhor, ele disse que achava estar ainda bleeding (eles dizem breeding, que é uma coisa que eles sabem fazer muito mal). De imediato levou o indicador debaixo dos lençóis e retirou-o sujo de sangue, dizendo: - See? Após o que levou o dedo à boca e "limpou-o", chupando-o até ao sabugo.

Esta história, verídica, é um exemplo feliz de muitos episódios que me ajudaram a conhecer esta breeding europeia que, entre outras coisas, não conseguiu ir além do fish and chips, carneiro assado e coberto com um molho verde, um rice pudding que é um arroz cozido com açúcar e uma mistela a que chamam Yorkshire pudding. Há, ainda, claro, o steak and kidney pie que são pedaços dos ditos embebidos em gravy que é uma coisa que eles acham que é molho, sem fazer a mínima ideia do que um molho seja.

Também desconhecem o café. Têm uma vaga noção que é uma coisa que, moída e misturada com chickory serve para fazer uma "coffee drink". Têm uns razoáveis pequenos-almoços rotinados numa ementa de salsichas, peixe fumado, tomate grelhado, ovos, bacon, cebola frita, feijões e smashed potato mas ficam genuinamente admirados como é que há humanos que apreciam um croissant ou um brioche fofo. Pura e simplesmente não entendem.

São ainda, generalizadamente, porcos. Poucos tomam banho todos os dias e ainda hoje, no Império profundo, algumas famílias usam a mesma água para banhar marido, mulher e filhos na mesma banheira.

Nada disto teria grande importância se esta gente não se admirasse genuinamente com hábitos e costumes dos bárbaros overseas. Não percebem (mas não percebem mesmo) como é que se pode viver sem ter uma rainha e não gostar de herrings para o pequeno almoço. Não percebem. E como não percebem ficam muito admirados quando os bárbaros se atrevem a meter-se com eles. Foi o que aconteceu com o senhor que aparece na imagem (roubada da Lei do Funil) que não percebe como é que comedores de sardinhas se atrevem a postular sobre um casal britânico suspeito de ter morto a própria filha e de ter escondido o cadáver. Não é por mal. É que não percebem mesmo. Esse tipo de barbaridades não é suposto acontecer no Reino. E depois fazem figuras destas.

Faz bem o nosso embaixador em não passar cartão à criatura. E, no fim de semana, procurar um restaurante português onde possa comer umas sardinhas assadas

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quinta-feira, setembro 27, 2007

Sórdido



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Interrogo-me sobre quantas meninas parecidas com Maddie aparecerão ainda por esse mundo fora, enquanto a polícia judiciária permanece na teoria de que a menina está morta.

Não é preciso sequer pensar que os MCCann estão inocentes ou culpados para achar que a campanha que estalou internacionalmente para se levar as pessoas a pensar que a menina está viva, sequestrada e, provavelmente, de boa saúde. Não será por isso que o que se está a passar seja repugnante e sórdido. Este último caso, então, da turista espanhola que tirou uma foto de uma menina loura, incrivelmente já há um par de meses mas que só agora mandou a foto à polícia porque não teve tempo para o fazer antes, roça o filme de humor negro.

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