quinta-feira, junho 07, 2012

A fome e a vontade de comer

[4654]

Vá-se lá perceber as mulheres. Eu sei que elas são capazes de tudo, mesmo das coisas mais estranhas como dias especiais para terem mais apetite sexual e dias consagrados à qualidade. Agora, porque é que as coisas têm de ser assim é que não há quem explique. Mas é bom ficar a saber. Pelo menos fica explicada uma tampa que levei na semana passada, lembro-me agora que eram 23:55 de uma sexta-feira o que, claramente, se deve à falta de apetite da senhora. E também me lembro de já ter dado por mim (em jovem, em jovem, que agora sou um cavalheiro respeitável, aperaltado e compostinho…) em pleno acto sexual às segundas-feiras com a parceira a comer tremoços, às terças-feiras liam a Maria, às quartas telefonavam para as amigas a pedir bilhetes para o cinema e Quintas, sim, era a «desbunda», o pino e a cambalhota, a gritaria e os candeeiros de mesinha de cabeceira arremessados ao chão com uma ou outra joelhada mais violenta ou um pé «perdido» no remoinho das sensações. Na Sexta a coisa já abrandava, Sábado havia uma recidiva (lá está, vinha-lhes o tal apetite) e Domingo era sorna todo o dia.

Está tudo explicado. Finalmente, e ao fim de tantos anos, apareceu um médico qualquer inglês que, em vez de se entreter às Quintas e Sábados com coisas interessantes, resolveu fazer experiências e descobriu a cana para o foguete. Podia era ter descoberto mais cedo e poupava aos homens uma trabalheira dos diabos em, pelo menos, cinco dias da semana.
.

Etiquetas: ,

sábado, janeiro 09, 2010

Orgasmos sim, obstipação, não


Clicar na foto para aumentar a carga erótica do esforço

[3576]


Tentei hoje convencer o vereador de cultura de um centro cultural que eu cá sei a autorizar-me a expor uma série de fotografias com expressões diferentes da prisão de ventre. Recebi um rotundo não como resposta, prevalecendo a dúvida sobre o interesse cultural do evento, o interesse do próprio público (mau grado a morbidez curiosa dos portugueses) e, até, do ponto de vista estético. Ainda contra-argumentei, afirmando que as expressões, no fundo no fundo, não eram assim tão diferentes de uma sessão de orgasmos, por exemplo, e se a questão fosse o substrato científico da coisa eu poderia apor legendas sob cada uma das fotografias expostas, com um breve dissertação técnica das causas e origens da obstipação, relação da mesma com a flora bacteriana nas paredes intestinais, influência da mesma no equilíbrio hormonal dos sofredores, independententemente da sua orientação sexual, malefícios no peristaltismo, aumento do flato e aparecimento de hemorróidas.

Tentei, assim, fazer ver que à bondade plástica do evento, poderíamos acrescentar um módico de ciência. Já na cultura, certamente que poderia haver também lugar a uma resenha histórica sobre os principais sofredores de prisão de ventre. A partir da época dos descobrimentos, já que antes do Infante D. Henrique parece não existirem dados fiáveis e os portugueses, aparentemente defecavam muito mais e com muito maior facilidade. Provavelmente por mor da dieta mediterrânica que começou a desvanecer-se no século XVI, com a necessidade de conservar alimentos para as viagens à
India e ao Brasil.

Debalde. Nem sem balde. Levei tampa e agora tenho as fotos para ali, sem préstimo nem função. Olho para elas, depois olho para estas e iria jurar que as minhas, para além do elemento científico, estético e cultural conseguem, quiçá, ter uma carga tão erótica como as dos orgasmos. Mas isto, já se sabe. Cada cabeça sua sentença.
.

Etiquetas: , , ,

sexta-feira, janeiro 08, 2010

"When Pedro met Clara"


[3573]

Esta semana há orgasmo científico em exposição no Centro Cultural de Cascais. Clara Pinto Correia expõe uma série de fotos onde evidencia uma sequência de “caras de prazer” que culminam num sublime cigarro, fazendo jus à máxima de que as três melhores coisas do mundo são um whisky antes e um cigarro depois.

Por mim, confesso que achei mais graça à Meg Ryan no seu fabuloso “fake” num restaurante de Nova Iorque, perante o atónito Billy Crystal e que faz com que uma cliente cinquentona madura peça à empregada “I’ll have the same of that lady”.

Clara é cientista, eu sei, mas falta-lhe o brilhozinho nos olhos da Meg, tem as gengivas muito salientes e expressões que deixam alguma dúvida se está a sentir prazer ou se está a ter uma cãibra (foto 5), uma cólica intestinal (foto 8) ou se acabaram de lhe contar uma anedota de papagaios (na foto 9 que é, afinal, a foto do clímax, antes do cigarro retemperador). Eu condescendo, por mor do currículo da Clara, afinal Meg foi catapultada para a fama pela sua cara laroca enquanto Clara é uma autodidacta que entremeia as suas caras de prazer com crónicas de ciência, genuinamente dela ou pifadas de revistas nova-iorquinas, como parece ter sido o caso há um par de anos (um casal de anos, esta é para o Paulo…) atrás. E isso dá-lhe mais valor intrínseco. São orgasmos indubitavelmente mais científicos, mais biológicos, antropológicos, sociopolíticos. Orgânicos, enfim, o que lhes confere uma percentagem de carbono que faria a Meg Ryan roer-se de inveja tetravalente.

Em qualquer circunstância, este fim-de-semana tenho as "caras de prazer à mão de semear" aqui mesmo à porta de casa. O que seria dos cascalenses sem estas manifestações científicas... Não perder, ainda, a crónica, de que junto o excerto final, segundos antes de ela puxar do cigarro epilogar. Cito:

Ao menos diz-me o teu nome, palerma.
E o café que eu já pedi há mais de três quinze dias, gaja? Não digo mais nada sem me trazeres o meu café.
Boa. Agora convenceste-me. És mesmo um homem. Vou buscar o café sem mais demora, chefe. E vais ficar por aqui quanto tempo, já agora, só para eu depois ir à mercearia comprar aquelas porcarias todas de que os homens gostam?
Ele espreguiçou-se todo de puro conforto, com o tal sorriso velhaco a ficar cada vez mais doce
.


Referência lincada daqui, onde poderão ver as fotos todas e ler a crónica.

.

Etiquetas: ,