Sofrer dos ossos

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Milhares de portugueses submetem-se diariamente a sessões de fisioterapia. Portugal deve ser o país do mundo onde se usa mais fisioterapia, desde os pacientes que se levantam de madrugada e se deslocam muitos quilómetros para uma sessão, até àqueles que aguardam que o fisioterapeuta lhes entre em casa, armado de toalhinhas, óleos, parafinas e outros artigos milagrosos, preparados para cobrar entre €25 e €150/hora. A maior parte porque "sofre dos ossos". É uma doença vaga, claramente muita gente não sabe o que é sofrer de ossos nem isso interessa. Mas sofrer dos ossos é suficientemente abrangente para que o português se entregue ao tratamento nacional em que a fisioterapia se tornou. Pacientes interrogados sobre o porquê de andarem durante anos, repito, anos, a fazer terapia, já que a fisioterapia faz assim tão bem, são evasivos e limitam-se a afirmar que sofrem dos ossos, têm artrites, hérnias ou deram um jeito a apanhar o sabonete na banheira.
Contrariamente ao que se possa julgar, não serão só os idosos a fazer fisioterapia. Muitos são de meia-idade ou mesmo jovens. O fenómeno entranhou-se e faz parte do enquadramento dos portugueses. Há um caso recente de uma família, pai, mãe e filha, que morreram tragicamente num desastre de ambulância que os transportava para tratamentos de fisioterapia, porque sofriam dos ossos. Foi, pelo menos, a razão invocada pela comunicação social.
As razões do fenómeno serão muitas mas quem conhece bem Portugal e os portugueses não terá muita dificuldade em entendê-lo e inscrevê-lo num dos muitos sintomas da hipocondria nacional .
Como é evidente, não se discute os casos em que a fisioterapia é um poderoso e adequado meio de restabelecimento e cura de muitos doentes.
Milhares de portugueses submetem-se diariamente a sessões de fisioterapia. Portugal deve ser o país do mundo onde se usa mais fisioterapia, desde os pacientes que se levantam de madrugada e se deslocam muitos quilómetros para uma sessão, até àqueles que aguardam que o fisioterapeuta lhes entre em casa, armado de toalhinhas, óleos, parafinas e outros artigos milagrosos, preparados para cobrar entre €25 e €150/hora. A maior parte porque "sofre dos ossos". É uma doença vaga, claramente muita gente não sabe o que é sofrer de ossos nem isso interessa. Mas sofrer dos ossos é suficientemente abrangente para que o português se entregue ao tratamento nacional em que a fisioterapia se tornou. Pacientes interrogados sobre o porquê de andarem durante anos, repito, anos, a fazer terapia, já que a fisioterapia faz assim tão bem, são evasivos e limitam-se a afirmar que sofrem dos ossos, têm artrites, hérnias ou deram um jeito a apanhar o sabonete na banheira.
Contrariamente ao que se possa julgar, não serão só os idosos a fazer fisioterapia. Muitos são de meia-idade ou mesmo jovens. O fenómeno entranhou-se e faz parte do enquadramento dos portugueses. Há um caso recente de uma família, pai, mãe e filha, que morreram tragicamente num desastre de ambulância que os transportava para tratamentos de fisioterapia, porque sofriam dos ossos. Foi, pelo menos, a razão invocada pela comunicação social.
As razões do fenómeno serão muitas mas quem conhece bem Portugal e os portugueses não terá muita dificuldade em entendê-lo e inscrevê-lo num dos muitos sintomas da hipocondria nacional .
Como é evidente, não se discute os casos em que a fisioterapia é um poderoso e adequado meio de restabelecimento e cura de muitos doentes.
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Etiquetas: Ai Portugal, fisioterapia, hipocondria nacional


