sexta-feira, julho 03, 2009

Corninhos ao sol


[3221]

A faena acabou descolorida e desinteressante. Mais. Ponderados os factos, conclui-se que o mais fácil é perder a cabeça com as diatribes de Louçã e Bernardino, pelo que começa até a esboçar-se uma aura de certa simpatia pelo ministro Pinho, chegando mesmo a haver gente que acha que é pena ele ter dois indicadores tão pequeninos pelo que a coreografia saiu diminuída perante o real merecimento dos visados. Mais longe ainda, há já quem ache que Pinho poderia sair do governo, sim, mas mereceria ter cortado uma orelha a Louçã e um rabo a Bernardino, ou vice-versa, mas eu acho que assim é que está bem porque Louçã tem orelhas maiores e Bernardino tem um rabo mais compostinho e tem a mania que em Pyong Yang é que é bom.

De resto, continuando numa serena apreciação de culpas, é de considerar que todos o ministros do actual governo tiveram no Grande Líder um exemplo incontornável de que como se pode perder a cabeça sem ser malcriado e, por contraste, como se pode ser malcriado sem perder a cabeça. Tiveram bom e versátil mestre, assim. Pelo que, no fundo, os corninhos de Pinho nem sequer foram grande espingarda. «À uma» porque ele nem sequer tem indicadores que se veja, pelo que saíram dali uns cornitos enfezados e inofensivos, «à outra» porque já tenho visto pior. Mentir descaradamente à Assembleia da República como recentemente fez Sócrates é, no meu entender, muito mais grave que dois cornitos raquíticos de destinatários desmerecedores.

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domingo, agosto 19, 2007

Ortodoxias


Uma garupa totalmente ao arrepio dos parâmetros ortodoxos, algures numa rua que podia ser da Figueira mas, por acaso, não é.

[1957]

Num zapping ocioso de quem acabou de chegar a casa e ainda não decidiu bem o que vai fazer, esbarrei na corrida da RDP na praça da Figueira da Foz (Coliseu da Figueira?). E ouvi (há dois minutos) esta pérola, que me faz convencer cada vez mais que ninguém fala como nós. O cavaleiro acabou de espetar um ferro e o comentador diz, naquela voz arrastada e de quem parece que tem um terço na mão, que só os críticos tauromáquicos conseguem fazer:

- Este ferro foi um pouco à garupa (pausa) fora dos parâmetros ortodoxos deste terceiro touro. Parece-me que esta actuação de Tito Semedo foi um pouco mais a menos.

Juro. Eu seja ceguinho se não foi isto que acabei de ouvir. Na ortodoxia da minha sala e nos parâmetros que o televisor me garante. E uns minutos depois, após a pega:

- O touro teve uma investida correctiva, o forcado fincou-se à cara do touro e a pega foi feita à primeira tentativa.

Ámen
Adenda: A corrida ainda está a dar. Ouvi agora mesmo dizer que o toureiro prendeu-se à pirueta. Mas não consegui perceber o resto...



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