segunda-feira, novembro 14, 2011

O relativismo pindérico de quem não gosta mesmo do PSD





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Sempre fui alérgico ao tom e ao estilo do Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto. Se é verdade que não posso ajuizar correctamente muitas das questões que ele levanta, por evidente carência técnica, já a sua arrogância e clara parcialidade na perspectiva que cria entre este governo e o de Sócrates me causam verdadeira repugnância. É muita clara a forma como Marinho Pinto se revela, à medida que vai zurzindo neste governo em geral e na ministra da justiça em particular. Tão clara quanto a sua má educação e conduta trauliteira quando desancou Manuela Moura Guedes na TVI para defender Sócrates. Um homem que Marinho Pinto não tem pudor em defender mesmo no que Sócrates terá de indefensável.

Ainda hoje, na TSF (estação que, de resto, verdadeiramente lhe concedeu duas horas de tempo de antena…), foi flagrante a forma pretensamente habilidosa mas que acabou por sair tosca, mal ajeitada, com que Marinho Pinto colocou Sócrates num pedestal, como sendo o homem que quis moralizar os juízes, uns malandros que têm três meses de férias e para quem os prazos são uma mera figura de retórica, mas que foi trucidado pela corporação. E assim se cria a imagem de um Sócrates impoluto, mas incapaz de derrubar a coriácea parede do corporativismo dos magistrados.

Foi uma demonstração pífia de Marinho Pinto, mas nem por isso menos desonesta na abordagem do problema e na lavagem da figura de um primeiro-ministro de triste memória e de muito escassa vergonha.



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domingo, julho 01, 2007

Ir à feira do Ribatejo (ou de como não se deve arrastar a asa à irmã do Pimenta)



Irmã do gajo que não gostava do Pimenta
Vingança, 20 anos depois




fez-me recordar dois episódios semi-estranhos, acontecidos exactamente na primeira e na segunda vez (segunda e última e já se verá porquê) que fui à Feira do Ribatejo.

Da primeira vez, era eu jovem, solteiro e achava que uma das formas de aferição da masculinidade de cada qual era a resistência ao álcool (coisas e mentalidades do século XX). E é assim que, ouvindo falar tanto da Feira do Ribatejo, pusemo-nos a caminho numa sexta-feira, eu e um grupo de amigos. Lembro-me vagamente do primeiro par de horas que lá passei, ressoam ainda palavras como tintol, carrascão, um homem é homem ou não é homem, vou-te ao focinho (esta, seguramente, mais de vinte vezes), olha-me aquele cu e mais meia dúzia de expressões que me ajudaram mais tarde a perceber o cantado marialvismo ribatejano. E disse vagamente porque só me recordo de ter recobrado "consciência" na segunda-feira seguinte, o que significa que devo ter estado seguramente 72 horas "totalmente" bêbedo, como "totalmente quadrúpede" era o leão de Rio Maior, como dizia o saudoso Fernando Peça.

Da segunda vez que fui à feira, já homem feito, casado, filhos, cenário completo e em obediência à minha saudável mania de dar a conhecer as diversas facetas do mundo lusitano aos meus filhos, achei que lhes devia mostrar o sítio onde o pai, uma vez… hummm… teve uma ligeira indisposição, etc., o vinho do Ribatejo, etc., enfim uma daquelas versões compostinhas que contamos aos filhos enquanto eles não têm idade para perceber a crueza de algumas verdades.

Pois é nesta segunda vez que, entrando inocentemente num restaurante chamado “borladero” , levei um formidável murro entre os olhos que me atirou ao chão e roubou a consciência durante alguns segundos. Alguém me tomara por outra pessoa. Logo por azar essa pessoa, supostamente a que deveria levar o murro, andaria a arrastar a asa à irmã do valentaço. Desfeitas as dúvidas, vejo-me com a mulher, filhos e cerca de seis homens daqueles de manga arregaçada, crucifixo ao peito perdido num mar de pêlos, a família preocupada com o meu estado de saúde e para aí seis valentões, daqueles que não gostam que lhes andem a papar as manas, era o que faltava, a pedirem-me desculpa pelo sucedido e a insistirem que tínhamos que ir beber um copo, eles pagavam, mas é que eu era muito parecido com o "Pimenta". Presumo que o Pimenta era o conquistador das irmãs do pessoal que ia para os copos na Feira do Ribatejo.

Dificuldades a dobrar. Uma era a tremenda dor que tinha, pois não é impunemente que se leva um murro de frente, sobretudo sem esperar, como direi, estamos à espera que venha o criado saber se queremos mesa e acabamos por ir ao tapete com uma murraça no nariz. A outra dificuldade era explicar aos valentões (os tais que têm manas que andam para aí a fazer safadezas com o Pimenta) que não bebia e, mesmo que bebesse, duvidava que me apetecesse, pois até o lábio estava cortado com o murro.

Dito isto (esta expressão é do professor Marcelo, mas dá muito jeito) pode-se calcular que não morro de amores pela Feira do Ribatejo. Uma vez embebedo-me e de outra levo um murro nos queixos. Ponto final parágrafo e isto tudo a propósito da Laura que me fez lembrar a coisa. E o que mais me chateia é que provavelmente o Pimenta continua ileso a sair com as manas todas daquele pessoal…

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