segunda-feira, setembro 14, 2015

Disparates avulso


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Quando oiço ali na TV (sim, trabalho com a TV em ruído de fundo) Marinho e Pinto a disparar em vários sentidos, nem sequer me impressiono muito, é tempo de campanha e esta gente excita-se imenso e acaba por dizer disparates. E Marinho e Pinto proferiu uma série deles, ainda que alguns deles tão inócuos como o Partido que ele fundou.

Mas eis que ele acaba a sua intervenção afirmando, preto no branco que esta Europa é tal e qual o que era a União Soviética. Marinho e Pinto, um homem mais ou menos pela minha idade, tinha obrigação de saber o que era a União Soviética e não deveria permitir-se dislates deste jaez. Eu poderia desfiar aqui uma série de diferenças entre a União Soviética e a Europa, mas nem sequer me apetece perder tempo com isso. Direi apenas que na antiga União Soviética, se Marinho e Pinto fizesse uma afirmação «ofensiva» como esta que acabou de fazer, ele já não saía do estúdio sozinho. E provavelmente não voltaríamos a ouvir falar dele.

Marinho e Pinto tem a obrigação de saber isto e rebole-se de conforto por viver numa Europa livre onde pode dizer o que lhe apetecer. Eu acho que ele sabe. Porque se não souber então é porque, de duas, uma. Ou é basicamente ignorante ou despudoradamente desonesto.

E.T. E de repente, o Papa Francisco acaba por admitir que vivemos num sistema socioeconómico mau (SIC), mas que há perigos de infiltração terrorista. Descobriu a cana para o foguete, digo eu.

Ai que Mário Soares zanga-se com ele…

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sexta-feira, agosto 08, 2014

Deputar noutra freguesia


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Estamos perante um caso de clara hermenêutica tântrica, um exemplo vivo de yoga transposto para além do bife mal passado ou das moules com frites. O homem não gostou do clima, o homem pensou, a criatura meditou e achava que tudo aquilo era dinheiro a mais. Vai daí, entendeu deputar. E aí vem ele, deputa, não deputa, logo se vê, O que ele não pode é pactuar com um meio onde só o dinheiro conta, havendo tanto para deputar no torrão pátrio. Quem sabe até pelo muito deputar ele chega um dia a presidir. Ele não diz bem a quê, se é presidir à República ou se ao Grupo Desportivo Penelense ou mesmo o União de Coimbra. Logo se vê. Para já, deputa. Presidir, depende de onde ele se sentir necessário e/ou achar que o meio está já suficientemente deputado e não necessite de deputância acrescida.

Entretanto, a Europa perde um deputado. Só me admira é o homem ter levado sete dias a perceber isto tudo. Sobretudo em concluir que entre deputar em Bruxelas ou deputar em Portugal, deputa-se com mais eficácia aqui na terra.

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segunda-feira, novembro 14, 2011

O relativismo pindérico de quem não gosta mesmo do PSD





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Sempre fui alérgico ao tom e ao estilo do Bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto. Se é verdade que não posso ajuizar correctamente muitas das questões que ele levanta, por evidente carência técnica, já a sua arrogância e clara parcialidade na perspectiva que cria entre este governo e o de Sócrates me causam verdadeira repugnância. É muita clara a forma como Marinho Pinto se revela, à medida que vai zurzindo neste governo em geral e na ministra da justiça em particular. Tão clara quanto a sua má educação e conduta trauliteira quando desancou Manuela Moura Guedes na TVI para defender Sócrates. Um homem que Marinho Pinto não tem pudor em defender mesmo no que Sócrates terá de indefensável.

Ainda hoje, na TSF (estação que, de resto, verdadeiramente lhe concedeu duas horas de tempo de antena…), foi flagrante a forma pretensamente habilidosa mas que acabou por sair tosca, mal ajeitada, com que Marinho Pinto colocou Sócrates num pedestal, como sendo o homem que quis moralizar os juízes, uns malandros que têm três meses de férias e para quem os prazos são uma mera figura de retórica, mas que foi trucidado pela corporação. E assim se cria a imagem de um Sócrates impoluto, mas incapaz de derrubar a coriácea parede do corporativismo dos magistrados.

Foi uma demonstração pífia de Marinho Pinto, mas nem por isso menos desonesta na abordagem do problema e na lavagem da figura de um primeiro-ministro de triste memória e de muito escassa vergonha.



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