sexta-feira, junho 09, 2017

Hatred (dirigido) e chico espertismo saloio



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É extraordinário como durante cerca de uma dezena de minutos tanto Pacheco Pereira como o simplório Jorge Coelho consigam passar a ideia de que o grande culpado do escândalo da EDP foi Passos Coelho. Pacheco dizendo que PPC escondeu as rendas debaixo do tapete e Coelho dizendo que estas coisas são assim mesmo e que espera que na privatização tenha havido um caderno de encargos. Como quem diz, cabia a Passos Coelho fazer cadernos de encargos bem feitos.

Quanto a Pacheco Pereira, enfim, digamos, que o ADN do marxismo lhe está nas tripas o que, aliado a uma indesmentível cultura e verbo fluido lhe permite conseguir dar alguma credibilidade ao que diz, mesmo que isso lhe seja imposto pelo ódio visceral que tem a PPC. Já quanto a Coelho, é simplesmente vergonhoso que sendo factual o regabofe com que Sócrates manipulou as rendas, sendo seguro que as pessoas que estavam com ele no governo sabiam da missa, venham agora com este ar moralista e impoluto falar do assunto.

No fim e quando eu pensava que Lobo Xavier, por razões circunstanciais, não falaria, ele teve a necessidade intestina de dizer que Passos Coelho foi o único chefe de governo que tentou moralizar o assunto e defender os contribuintes, fazendo mesmo um tremendo esforço junto da “troika” para que as rendas fossem levadas à dívida. O que mais ou menos já se sabia, pelo menos se falarmos de gente razoavelmente informada. Perante isto, os colegas de painel aos costumes disseram nada, ainda que PP abanasse displicentemente a cabeça

São episódios destes que deslustram e conspurcam gente que se espera séria em programas que se espera sérios. Mas não são. Uns por clara alergia a Passos Coelho outros porque muito provavelmente não sabiam mesmo da acção do governo anterior. Em qualquer dos casos é uma cena muito feia e que diz bem do quilate dos comentadores avençados por uma televisão que pode ser tão rasteira como os seus próprios comentadores.


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quarta-feira, abril 11, 2007

Becagueine

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Tenho estado ausente. "À uma" porque afazeres vários e inadiáveis me impediam que acedesse à net como gostaria, "à outra" porque fui vítima de uma entrada, sem convite, de 380 Volts pela casa dentro que me queimaram o DVD, o telefone, o rooter e a power box da TVcabo. Se tudo está já reparado, o acesso à Internet continua a ser-me negado porque a avaria parece ser grossa.

Foi-me explicado por um técnico da EDP, com estilo de quem é técnico da EDP porque teve uma galo do caraças com a vida que tem e com o país em que nasceu, porque ele podia e devia mesmo era ser ministro da Indústria, mas foi-me explicado pela criatura, dizia eu, que uma das fases dos 6 inquilinos da minha casa se avariou. Vai daí, a voltagem que deveria ser distribuída por quatro fases foi concentrada em três e, portanto, muita sorte tivemos nós não se terem queimado mais coisas.

Quando lhe perguntei se o que ele nos estava a dizer era uma forma mais ou menos disfarçada de negar quaisquer responsabilidades da EDP em nos ressarcir dos prejuízos, o homem pareceu admirado por lhe dizerem isto assim de chofre e acabou por dizer que sim, que pois, quer dizer, é assim,"esta parte é com a EDP" e "esta parte" é com o construtor da casa". Quando lhe perguntei se sendo a responsabilidade do construtor, porque carga de água é que um técnico da EDP é que tinha a chave de acesso, o homem respondeu-me que a responsabilidade era do construtor mas quem reparava as avarias era a EDP.

Perante tal lógica, recolhi a casa a pensar que deveria avisar os meus amigos que se alguma vez a intensidade das luzes for tão grande que as lâmpadas brilhem como o sol e comecem a ouvir estalos (cada estalo corresponde a um electrodoméstico a ir para o mesmo sítio dos diplomas da UnI (leia-se para o maneta, como dizia Luis Arouca...), corram a desligar o quadro. Se tiverem tempo, claro. É que aquilo é uma avaria do quadro geral e quem tem a culpa é o construtor, mas a EDP (tipos fixes) arranja. Não paga é os prejuízos.
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