sexta-feira, junho 09, 2017

Hatred (dirigido) e chico espertismo saloio



[5524]

É extraordinário como durante cerca de uma dezena de minutos tanto Pacheco Pereira como o simplório Jorge Coelho consigam passar a ideia de que o grande culpado do escândalo da EDP foi Passos Coelho. Pacheco dizendo que PPC escondeu as rendas debaixo do tapete e Coelho dizendo que estas coisas são assim mesmo e que espera que na privatização tenha havido um caderno de encargos. Como quem diz, cabia a Passos Coelho fazer cadernos de encargos bem feitos.

Quanto a Pacheco Pereira, enfim, digamos, que o ADN do marxismo lhe está nas tripas o que, aliado a uma indesmentível cultura e verbo fluido lhe permite conseguir dar alguma credibilidade ao que diz, mesmo que isso lhe seja imposto pelo ódio visceral que tem a PPC. Já quanto a Coelho, é simplesmente vergonhoso que sendo factual o regabofe com que Sócrates manipulou as rendas, sendo seguro que as pessoas que estavam com ele no governo sabiam da missa, venham agora com este ar moralista e impoluto falar do assunto.

No fim e quando eu pensava que Lobo Xavier, por razões circunstanciais, não falaria, ele teve a necessidade intestina de dizer que Passos Coelho foi o único chefe de governo que tentou moralizar o assunto e defender os contribuintes, fazendo mesmo um tremendo esforço junto da “troika” para que as rendas fossem levadas à dívida. O que mais ou menos já se sabia, pelo menos se falarmos de gente razoavelmente informada. Perante isto, os colegas de painel aos costumes disseram nada, ainda que PP abanasse displicentemente a cabeça

São episódios destes que deslustram e conspurcam gente que se espera séria em programas que se espera sérios. Mas não são. Uns por clara alergia a Passos Coelho outros porque muito provavelmente não sabiam mesmo da acção do governo anterior. Em qualquer dos casos é uma cena muito feia e que diz bem do quilate dos comentadores avençados por uma televisão que pode ser tão rasteira como os seus próprios comentadores.


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sexta-feira, abril 14, 2017

Nha nha nha nha nha… estou a irritar os ignorantes… lá lá lá lá.



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Ontem fiquei angustiado, crivado de dúvidas e em clara necessidade de auxílio cultural, clássico, e psicologia, básica.

A questão é que já passaram umas horas, já dormi sobre o assunto, acordei em modo normal e bem comigo mesmo, mas ainda não consegui chegar a uma conclusão que me aliviaria de todas as dúvidas.

Queria Pacheco Pereira (PP), ontem na Quadratura, fazer uma sincera e merecida homenagem a  Maria Helena da Rocha Pereira pelos méritos da senhora ou estava mais interessado em afirmar, frisar, reafirmar e, sorrindo um sorriso maroto, repetir à exaustão a tecla de que mais do que a homenagem, o que lhe dava prazer era irritar os ignorantes (SIC)? Não sei se exagero quando menciono que PP quase atingiu o orgasmo quando leu uma passagem em que a intelectual portuguesa referia Sólon, no pressuposto que se contaria pelos dedos de um maneta  os portugueses que conheceriam o poeta grego.

Chapeau a Jorge Coelho que claramente estava a Leste do que se falava mas conseguiu uma saída airosa, chegando mesmo a discordar de PP, dizendo que não senhor, que estes assuntos de gente importante deveriam sempre ser tratados num programa como a Quadratura.

São momentos destes que me levam a concluir que no Reino da Dinamarca está tudo bem. Aqui é que, sem dúvida, está tudo mal.  Sem hipótese de remédio, por muito que a esperança se mantenha e que Marcelo continue a dizer que nós por cá todos bem.


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domingo, julho 03, 2016

E é isto. Sulfato, cloreto ou estearato de magnésio pode ajudar...

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O Potencial Hidrogeniónico (pH, para aqueles que também não se lembram da Regisconta) de Pacheco Pereira continua a baixar para níveis perigosos. Um pH baixo numa piscina, por exemplo, não é muito grave. Eventualmente, causa uma desconfortável irritação nos olhos e pouco mais. Já para um ser humano, como Pacheco, poderá ter consequências que o SNS dificilmente colmatará. E para quem lê, o agravamento de um estado de azia que pode conduzir a úlceras pépticas ou duodenais e refluxos do esófago.

Enfim, ser ácido está no ADN de alguns dos próceres da nossa diligente e prolixa intelectualidade. Mas que o povo, atento, venerador e obrigado agradece e aplaude. Ainda por cima, não há meio de o PSD expulsar Pacheco, para a festa, então, ser de arromba...


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segunda-feira, junho 06, 2016

Pacheco já cansa...



[5410]

Francisco Assis é socialista, assume-o com frontalidade e dá a cara pelas suas convicções. E foi assim que, perante uma plateia hostil, se revelou um homem de coragem e, sobretudo, fiel aos mais elementares princípios da ética e da dignidade. Sem rodriguinhos, disse ao que ia, disse o que pensava sobre a geringonça, num português elegante e escorreito e esta atitude granjeou-lhe um capital de simpatia e respeito considerável. Capital que Pacheco Pereira não tem. Nem conseguirá ter. Mais ou menos encapotado na sua auréola de intelectual, cavalga a sua obra sobre Cunhal e mantém o registo de um programa de opinião e debate onde é apaparicado.

Pacheco Pereira sabe (não é estúpido) que o convite que lhe fizeram para ir ao Congresso do PS não era inocente e só isso deveria ter sido o suficiente para o ter declinado. Prestou-se a uma gerinconcice sem préstimo e poderia e deveria ter apurado o verbo para se juntar aos seus companheiros de Partido e dizer o que acha que deve dizer. Ou pode sempre deixar o Partido e fazer-se sócio de uma agremiação qualquer que lhe agrade. Preferiu ir tagarelar com Ana Drago e emitir as vacuidades do costume que lhe toleram na Quadratura.

Assis merece ser celebrado, Pacheco Pereira merece o vitupério a que ele próprio se prestou.


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sexta-feira, fevereiro 12, 2016

A circulação de quadrados



[5367]

A «Quadratura» de ontem foi um bom exemplo da surpreendente bonomia com que se lida com a proverbial irresponsabilidade do Partido Socialista. Com José Pacheco Pereira à cabeça, houve uma demonstração cabal de que as actuais dificuldades que atravessamos não remetem para a habitual incompetência, irresponsabilidade e sujeição aos caprichos, birras e ganância dos seus líderes, no caso actual do inominável e sorridente Costa que vai continuando a minar impunemente a credibilidade e seriedade que capitalizámos durante os últimos anos, manejando os seus títeres a bel-prazer.

Foi clara a intenção, mormente, repito, no que se refere a Pacheco Pereira, de remeter para a falta de sentido de Estado dos Partidos da Extrema Esquerda que, numa altura de crise devida á «volatilidade da situação internacional», deveriam abster-se de assumirem uma atitude reivindicativa fazendo exigências por tudo e por nada. Por outras palavras, a culpa não é de Costa e dos seus sequazes, mas do Bloco e do PC que, imagine-se, estão muito reivindicativos e não o deviam estar. Não fosse isso e o PS prosseguiria, com êxito, a sua política de páginas viradas e do tempo novo com o homem novo.

Isto é uma falácia e fica mal a Pacheco Pereira que, uma vez mais e como habitualmente, continua a demonstrar um ressabiamento feroz contra o PAF (nota-se a entoação de desprezo com que ele entoa a sigla PppAaaf) e uma desculpabilização permanente dos desvarios (os conhecidos «desvairos» de Marques Lopes) de A. Costa que está em palpos de aranha por causa dos reivindicativos Bloco e PCP.

Pacheco  está a ser desonesto (com Jorge Coelho a bater palmas) porque Costa deveria saber bem ao que ia. Depois de dar um uso aos votos dos seus eleitores de todo inesperado, não hesitou em se ligar a grupos partidários que têm uma noção de democracia igual à que eu tenho do papel do apêndice no trânsito intestinal. Ou seja, nem sei, nem me interessa.

Costa é, pois, culpado. Ele sabia bem ao que ia. Mas resfolegou com o elogio perene de que é um bom negociador, condição que a Comunicação Social não se cansa de enaltecer. E achou que aquilo era trigo limpo farinha amparo – Esquerda no bolso e Comissão Europeia posta em sentido. O resto, défice, pacto de estabilidade, dívida, compromissos assumidos (palavra dada, palavra honrada) eram pormenores de lana caprina que ele resolveria com o mesmo à vontade com que pôs um burro a competir com um Ferrari, hoje por hoje a sua mais notável façanha enquanto político.

O PC e o Bloco fazem o que devem. Reivindicam e reivindicam bem. Costa que se amanhe. E nós continuaremos a fazer de mexilhão, mas a culpa é de quem dá os votos a esta camarilha de irresponsáveis, ciclicamente empenhados em nos meter em graves dificuldades, desta vez com o insuportável sorriso perene de um primeiro-ministro que acha que rir faz parte do argumentário de um político de primeira apanha.


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sábado, dezembro 19, 2015

Ele não resiste, não aguenta, não dá…


[5345]

O artigo é substancial e incontroverso. A única coisa que me encanita (com o mesmo direito com que JPP se irrita com atitudes aduzidas no artigo) é que este homem não resiste a meter SEMPRE o PSD na caldeirada. Neste caso, chega até a afirmar que Passos Coelho e Portas protegeram Sócrates, ainda que não explique bem em quê. PP não resiste, é mais forte do que ele. Jamais ele exprobará o PS sem que, a talhe de foice, ele mencione uma qualquer malfeitoria do PSD, mais ou menos relacionada com o que aponta ao PS. Tipo, se alguma vez ele disser que o PS tem mau hálito, é certo e sabido que terá de estabelecer um paralelismo dizendo, por exemplo, que o PSD cheira mal dos pés, ou tem recorrentes ataques de flatulência. É ler o artigo com atenção. Ele explica melhor o fenómeno do que eu...


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sexta-feira, outubro 16, 2015

Ontem é que o círculo ficou «quadratado»



[5324]

Pacheco Pereira está a passar à fase delirante. Ontem meteu os pés pelas mãos e entre achar que Marcelo não podia candidatar-se a PR por ter sido comentador na TVI e acusar frontalmente a Coligação de ter engendrado uma tramóia para empurrar Maria de Belém para uma candidatura à Presidência foi um passo. E da forma como o fez, matou dois coelhos de uma cajadada (na verdade, três, porque havia mais um Coelho ali à mesa e é apoiante de Maria de Belém). A Coligação passou, em definitivo, à condição de uma quadrilha de malfeitores que anda a infectar o espectro político da paróquia e as pessoas passaram a ser imbecis encartados que não se levantam e berram em uníssono que o Presidente tem de ser Sampaio da Nóvoa.

Ou a Quadratura do Círculo revê, conscienciosamente, os seus critérios de análise política e comentários ou um dia destes aquilo passa a uma versão revista e piorada de um Eixo do Mal, de gravata e diploma.

No meio daquela balbúrdia, prezo a paciência e correcção de Lobo Xavier. É obra. Registo ainda a frontalidade do nosso fadista premiado Carlos do Carmo que fez mais ou menos o mesmo que Pacheco Pereira, na Trindade. Só que em vez da Coligação acusou Maria de Belém. Que estava ali bem pertinho e, cá para mim, correu um sério risco de apanhar com um ré menor na cara, que o homem estava furibundo.

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sexta-feira, setembro 25, 2015

Desenhos pitorescos



Repare-se no ponto de exclamação à frente do PAF. Que PP, de resto, fez questão de salientar 

Foto do Paulo Pinto Mascarenhas

[5314]

Há umas quantas actividades que eu jamais poderia abraçar. De entre elas, árbitro de futebol e comentador político.

Penso e cultivo um forte de sentimento de solidariedade com Lobo Xavier, por exemplo. Como é que eu conseguiria ontem não agarrar num marcador e numa folha de papel e fazer um desenho que eu cá sei e dizer a Pacheco Pereira para o meter num sítio que eu também sei? E seria despedido na hora, claro, com justa causa.

Não há mesmo condições. Acho que o comentário político poderia até ser uma nobre e interessante actividade. Mas como lidar com gente ressabiada, de juízo obnubilado por carradas de ódio e frustração? Como é que eu conseguiria debater seja o que for com Ferreira Leite? Com que argumentos eu poderia dirimir um conceito ou opinião com o Pedro Marques Lopes, Adão e Silva ou Clara Ferreira Alves? Com Pacheco Pereira, haveria a vantagem de ele ser entendível, porque sempre usa um verbo escorreito e elevado. Já com os outros que referi, as dificuldades começavam logo no entendimento. Como perceber Ferreira Leite, se ela se expressa pior que o irmão a discutir futebol? E se desse um «desvairo» a Pedro Marques Lopes?

Bom, mas não sou nem nunca serei comentador político. Fico-me pela irritação de não conseguir, de todo, ignorar, de vez, estes comentadores/paineleiros. Porque às tantas só mesmo as magníficas séries americanas ou uma boa jogatana de futebol me prenderão à pantalha. E, que diabo, sempre gosto de saber o que vai por aí. Mesmo que já saiba o que muitos vão dizer.

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quinta-feira, setembro 03, 2015

Atenção ao dia cinco


[5291]

Não se trata de opinião. Trata-se de uma manobra fraudulenta e sem escrúpulos, a afirmação de Pacheco Pereira na «Quadratura» de que a comunicação social era tradicionalmente de esquerda e que agora é um importante instrumento de apoio à coligação.

Esta é uma extraordinária afirmação enformada numa desfaçatez impressionante. Não tenho memória, registo ou informação de alguma vez um governo ser tão severa e permanentemente fustigado pela Comunicação Social. Ele era artigos, comentários, cachas, fotografias, notícias tendenciosas, deformadas, alinhavadas, tudo assente numa evidente técnica de comunicação segundo a qual mesmo as notícias positivas eram, de imediato, «rodeadas» por outras negativas (os indicadores do INE são um bom exemplo) que «apagavam» ou esbatiam as outras.

Foi uma entrada de pé em riste de PP, que faz adivinhar o que aí vem com o desenrolar da campanha. E preparemo-nos. Se a coligação, por um qualquer bambúrrio de fortuna, ganhar as eleições, vão ver o que acontece no dia cinco. Logo no dia seguinte? Perguntou C. Andrade. E acontecerá o quê? Vão ver, diz Pacheco. E ficamos todos suspensos da catástrofe. Porque só pode tratar-se de uma catástrofe. Coligação a ganhar a quatro e nós a vermos o que acontece a cinco.

Chega a tornar-se ridículo.

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sexta-feira, agosto 07, 2015

E é isto...



[5276]

Ler tudo aqui.

«…Perdido no meio de tantos livros, corre também ele o risco de se perder. Aliás, o seu último artigo na Sábado é de um homem cego pelo ódio ao actual Primeiro Ministro, e cheio de azedume. É raro ler um artigo com tanta desonestidade intelectual e política. Sem o mínimo de respeito pelo contexto histórico, Pacheco andou a procurar citações de Sá Carneiro para validar as suas opiniões. É um truque baixo, indigno de um “historiador” – se há quem perceba devidamente a importância de colocar as citações nos contextos históricos corretos são os historiadores – e ofensivo da memória de Sá Carneiro. Nem Santana Lopes, nos momentos de maior fervor populista dos Congressos do PSD, conseguiu instrumentalizar de um modo tão grosseiro o fundador do partido…»

«…Mas o pior estaria para vir com a vitória eleitoral de Passos Coelho e a sua elevação a PM; ainda por cima aliado a Paulo Portas: os dois ódios de estimação de Pacheco. Este ódio que o alimenta (e atormenta) tirou-lhe a lucidez que restava. Está há quatro anos a escrever o mesmo artigo, e duas vezes por semana; além de o repetir uma terceira vez na televisão. E aparentemente não percebe. Depois dos fracassos da política, adoptou como cronista a política do ódio e do ressentimento…»

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sexta-feira, abril 24, 2015

Home sweet home


[5239]

Uma pessoa anda circunstancialmente retirada da intriga política paroquial, regressa a casa e esbarra num círculo para o qual não há quadratura que chegue. Ainda que o quadrado tente avidamente uma geometria impossível, percorrendo os círculos possíveis que, apesar de possíveis, acabam sempre por não ter arestas, vértices e por ter os 360 graus que lhes caíram em sorte.

E foi embrenhado nesses círculos que voltei, com algum deleite, a ouvir a argumentação de Pacheco Pereira, hoje resumida a pouco mais que a imagem de um garoto a quem lhe roubaram o arco. E ela continha um novo conceito filosófico que vou gravar a ouro na minha memorabilia televisiva: - A realidade é um fenómeno meramente interpretativo, disse Pacheco Pereira. Em português de pastelaria às nove da manhã a coisa significa que eu empresto quinhentos euros a um amigo e ele depois interpreta essa dívida da forma que achar mais conveniente, em nome da tagarelice do costume à volta da dignidade, da fome, das penhoras e do mais que os sábios da paróquia usam e abusam para envergonhar uma direita que só acredita em mercados.

Houve mais, houve outras tiradas de estirpe, tudo à volta das linhas programáticas de um exercício que não é programa, muito menos a Bíblia, em que Centeno, Galamba e comandita emitem as epístolas, mesmo não sendo os apóstolos. Mas o que me ficou gravado foi mesmo a realidade levada à potência de fenómeno interpretável, longe da figura imutável do espectro político que a actual maioria nos proporcionou com o cortejo de constrangimentos que se conhece, com o aval da tróica versão António Costa, qual seja a formada por Passos Coelho, Portas e Cavaco. O que realmente me tolhe a paciência é não haver alguém que peça a Pacheco Pereira, desejavelmente até o moderador do programa, que «se explique» e que interprete a realidade lá à maneira dele para nós percebermos bem o que ele pretende. Ou, quem sabe desvende o segredo de Polichinelo que ele parece ter engasgado e que, por razões que me escapam, ele não consegue consubstanciar e detalhe, por fim, a unidade dos contrários de Polichinelo que ele parece defender com uma reserva assaz irritante, todavia teoricamente aceitável e própria dos eleitos.

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sexta-feira, dezembro 19, 2014

Protestar – como acto político


[5205]

Ontem assisti a uma das mais patéticas sessões da Quadratura do Círculo que me ocorre. Pacheco Pereira, pois claro. E pasmo como um homem com a sua envergadura intelectual esteja verdadeiramente peado por preconceitos ideológicos (por vezes me interrogo se será mesmo por razões ideológicas), sempre que se dispõe a tosar o governo. Vilipendiar o actual governo tornou-se para PP uma verdadeira obsessão e vá lá perceber-se porquê. Ontem falava-se da greve da TAP e da requisição civil. PP desbobinava um verbo erudito, mas falacioso e inconsequente. 

Ele não é contra a greve. Mas também não é contra a privatização. Ele acha é que… perdi-me na sintaxe do que ele acha, apenas me ocorre a sua forma verdadeiramente insidiosa de abordar questões sérias, primordiais para o nosso país, sobretudo no estado depauperado em que o puseram. E nessa forma insidiosa, PP relembra-me aquela forma mais ou menos romântica de se fazer oposição como, por exemplo, quando eu era um jovem estudante, politicamente impreparado e me atrevi a perguntar aos mais velhos sobre a substância política que me deveria levar a partir montras nas lojas da Rua da Sofia e me foi dito que isso era um acto político. E quando pedi para serem mais específicos, foi-me dito que tudo na vida era um acto político, que o cagar era um acto político.

PP parece viver ainda essa fase de romantismo quando faz a apologia do protesto. Ele acha que é preciso protestar. No caso da TAP, ele concorda com a privatização, ele concorda com a greve, mas é preciso protestar. Sobretudo se estamos a ser governados por um governo mentiroso. Ora esta forma de estar, que eu chamaria um caldo de romantismo e reviralho inconsequente acaba por inquinar o pensamento político de um intelectual como ele. Que chega aos sessenta e cinco anos e ainda acha que independentemente do propósito, o que é preciso é protestar. Não deixa de ser um acto político mas isso, já nos meus verdes vinte anos me diziam que actos políticos até o movimento peristáltico produzia.

Esperemos que ele proteste muito mas que não interrompa tanto o Lobo Xavier sempre que este proteste sobre o protesto de PP. E, por uma vez, que se protestasse menos, não penteássemos tanto o ego e, sobretudo, que deixássemos de ser um país engravatado todo o ano e a assoar-se na gravata por engano.

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sexta-feira, junho 20, 2014

Aquilo azedou. Definitivamente.


[5141]

Se bem me lembro, a Quadratura do Círculo de ontem começou com uma questão muito concreta, qual seja a afirmação de António Costa sobre o aumento de riqueza preconizado pelo edil. O comentário dado a Pacheco Pereira, em poucos segundos, repito, segundos, passou para mais uma violenta tareia no governo e no PSD e não mais se falou na patética afirmação de Costa, por via da qual ele acha que resolve os nossos problemas produzindo riqueza. Depois de cerca de 14 minutos (!!!!!) de tareia no governo, o comentário passou para Lobo Xavier. Este, bem intencionado, tentou trazer à liça a célebre carta do Governo à «troika», pedra angular de uma série de diatribes de Costa e Pacheco no último programa. E digo tentou, porque…não foi capaz. Pacheco Pereira interrompia a cada cinco segundos (nervoso por se ver ali denunciado) e «encavalitou-se» mesmo em Lobo Xavier, num estilo e num modo que só os socialistas empedernidos conseguem adoptar. A partir daí o tema foi a carta e não mais se falou na alquimia de António Costa, como constava da agenda. Pelo meio ouvi os mais díspares disparates e a mais preconceituosa moderação de Carlos Andrade.

Há já algum tempo que deixei pura e simplesmente de ouvir os «desvairos» de Marques Lopes, Daniel Oliveira, Clara Ferreira Alves e a retórica titubeante e apologética do Luís Pedro Nunes, quanto mais não fosse por uma questão de higiene. Mas tenho continuado a assistir à Quadratura. Pouco tempo faltará, porém, para a descontinuar dos meus momentos televisivos. É pena porque sempre achei que tanto Pacheco Pereira como Lobo Xavier (não direi o mesmo de António Costa por, claramente, destoar do restante painel) têm uma envergadura cultural e política que nenhum dos comentadores «axiais» tem. Mas tornou-se óbvio que Pacheco Pereira espuma, agora, de raiva, ele não contém o ódio e a amargura e a sua hemoglobina transformou-se numa forma acabada de «mãe do vinagre». Costa não deslustra da sua habitual irrelevância e Lobo Xavier vê-se em palpos de aranha para aguentar aquilo tudo, enquanto a Carlos Andrade só lhe faltam as asas para ser o serafim de serviço.

É demais. Chega de Quadratura.

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sexta-feira, junho 24, 2011

Crítica? Ou fábrica de água a ferver?



[4328]

Não gosto dos abúlicos. São inertes, parecem até desprovidos de matéria. Mas uma coisa é a abulia e outra, bem diferente, o sentido criterioso de justiça e a honestidade intelectual. Não vale criticar só para que não nos acusem de abúlicos. E, todavia, aquilo que Pacheco Pereira tem vindo a fazer ultimamente aproxima-se, infelizmente, deste desiderato. Criticar por criticar ou em obediência àquilo que se convencionou ser uma forma de existir em política é pedante e releva de uma atitude política em que o «reviralho» fez escola. É batota. Se em determinadas épocas o «reviralho» pode ser plausível como uma consequência própria do irrequietismo juvenil, naquela altura em que queremos tudo depressa e bem e costumamos levar uma data de tempo a remediar o que fazemos de mal, já há fases de nossa vida em que a maturidade, a honestidade política e, até, um certo recato em adejarmos as asas da vaidade pessoal, deveriam constituir a matriz desejável do nosso comportamento.

Admirador indefectível do talento, cultura e inteligência de Pacheco Pereira, receio que nestes últimos tempos ele se esteja a deixar dominar por uma síndrome «reviralhista» a todos os títulos condenável. Refiro-me, naturalmente, à sua conduta na Quadratura do Círculo.
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sexta-feira, outubro 30, 2009

O folclore de Trás-os-Montes e a comiseração devida aos maluquinhos

[3446]

Ângela Silva e o Expresso já desmentiram Pacheco Pereira ou andam distraídos? Assim de repente, é visível que a escrita de Ângela mais parece um passe de capoeira do que uma peça jornalística e, talvez por isso, a exigência de Pacheco Pereira tem todo o cabimento e era bom que Ângela se explicasse, quanto mais não seja pelo respeito que um órgão de comunicação social como o Expresso deve ao seus leitores.

Pacheco Pereira está, realmente, a meter-se numa camisa de onze varas. Quando uma pessoa como ele começa a ser tratado com uma espécie de bonomia, compreensão tipo coitado, está maluquinho, há que se lhe dar o desconto, é porque a coisa está mesmo séria. Ainda ontem na Quadratura do Círculo foi visível na expressão de António Costa aquilo que parece estar a tornar-se a expressão nacional, jornais, rádios e blogues, em relação a Pacheco Pereira. Está maluquinho, senil, responsável pelo fracasso do PSD através das suas estratégias conspirativas. O que acontece é que ninguém acaba por concretamente desmontar aquilo que me parece ser uma análise lúcida da situação de poder em Portugal. Tudo se fica por sorrisos e arrogância disfarçada da tal bonomia devida aos maluquinhos, condição que, de repente, pasme-se, atacou Pacheco Pereira.

Entretanto a estação de rádio do senhor Nuno Cabral vai continuando a emitir exclusivamente folclore de Trás-os-Montes. E nós vamo-lo dançando com alacridade.
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domingo, março 23, 2008

A turba e a ignorância militante


[2404]

Gostava de ter escrito isto - um notável artigo de José Pacheco Pereira no Público de ontem (link reservado apenas a assinantes).

A turba que grita “crime” conforta-se com meia dúzia de verdades, muitas falsidades e uma ignorância militante

Existe em Portugal um delito de opinião para o qual uma pequena turba, que só parece grande porque é alimentada pelo silêncio de muitos, pede punição, censura, opróbrio, confissão pública de crime, rasgar de vestes. Esse delito de opinião é ter estado a favor da invasão do Iraque e é particularmente agravado nos casos raríssimos em que se continua a estar a favor, esses então de reincidência patológica que justificam prisão e banimento. Esta persistência no erro só pode mostrar tenebrosos defeitos de carácter e uma crueldade sem limites, que são apontados a dedo como devendo justificar o ostracismo e a incapacidade cívica. Como só se aplica a meia dúzia de pessoas, visto que a maioria doas apoiantes originais abjurou como Durão Barroso, ainda é mais fácil apontar o dedo. Se houvesse pelourinho na cidade, a turba lá nos levaria a mim e ao José Manuel Fernandes, que suporta nove décimos de ataques à sua direcção do PÚBLICO por causa deste delito de opinião, para a humilhação pública.

Para essa turba que grita “crime” os factos interessam pouco, o conhecimento do que aconteceu fica confortado com meia dúzia de meias verdades, muitas falsidades, mas acima de tudo uma ignorância militante que não só não sabe como não quer aprender. Os factos não lhes interessam de todo. Olharem o Iraque em 2003, 2006, 2008 é a mesma coisa, só muda o final do ano. Têm uma tese e, aconteça o que acontecer, o que vale é a tese e essa tese é normalmente uma visão do mundo assente num único pilar, o antiamericanismo militante por razões puramente ideológicas. Essas razões existem, mas raras vezes são enunciadas para não prejudicar o bater no peito moral com a suspeita de que a mão que bate o faz por uma política radical que não ousa mostrar-se. Desse ponto de vista, as críticas a Bush têm um precedente curioso, parecem as críticas a Churchill e a Reagan.

Há, como em todas as regras, meia dúzia de excepções de pessoas que foram contra a guerra e que o foram por razões mais sérias e que foram capazes de apontar erros reais da actuação dos americanos, em particular os que vinham quer da ignorância da dimensão daquilo em que se estavam a meter, quer da sua impreparação para o fazer e das suas erradas prioridades. Essas objecções sérias merecem ser discutidas e, nalguns casos, deve-se-lhes o reconhecimento da razão que tiveram antes do tempo. Mas, insisto, os interlocutores sérios são a excepção. Nesta matéria, quem faz a lei ideológica e tribunícia é o Bloco de Esquerda, muitas vezes secundado pela voz de Mário Soares. Todos falam com a linguagem, os slogans, os tiques, os excessos verbais, a arrogância moral e a pesporrência do Bloco de Esquerda e não querem saber de mais nada do que da condenação moral dos"responsáveis” por “muitas centenas de milhares de mortos”. Os números são plásticos, podem ser exagerados porque são sempre números do “crime”. Não lhes interessa Saddam, não lhes interessa a submissão dos xiitas, não lhes interessa a natureza de um regime que atacou aldeias curdas com armas químicas, não lhes interessa um ditador que provocou guerras, essas sim, com mais de um milhão de mortos, e que invadiu os países vizinhos. Nada mais lhes interessa.

Dito isto, vamos pois continuar a cometer delito de opinião. A última coisa que direi é que, cinco anos depois, na operação iraquiana tudo correu bem, porque, em muitos aspectos, correu até bastante mal. Só que não é pelas mesmas razões, nem pelas mesmas causas, nem pelos mesmos motivos, dos que bradam ao crime e “à mentira”. Mais adiante voltaremos aqui, mas comecemos pelo princípio.

Primeiro há os pressupostos da decisão de invadir, tomada muito antes da invasão e não necessariamente pelas mesmas razões apresentadas publicamente para o justificar. A decisão de invadir tem pouco a ver com a existência de armas de destruição maciça, ou com a possibilidade de Saddam ser um apoiante da Al-Qaeda, que não era. A origem da decisão tem a ver com uma ideia mais global da resposta à crise suscitada pelo terrorismo apocalíptico que se verificou nas torres nova-iorquinas e no Pentágono, mas também nas embaixadas africanas dos EUA, nas discotecas de Bali, no metro de Londres, nos comboios suburbanos de Madrid e um pouco por todo o lado, da Índia à China, do Cáucaso aos Balcãs.

Na Administração americana surgiu a ideia de que, para combater a nova forma de guerra que é o terrorismo, não bastava erradicar as bases terroristas onde elas existiam (como no Afeganistão ou Sudão), o que era visto como um sintoma, mas ir à causa, à relação de forças que bloqueava todos os processos políticos que deveriam “distender” o Médio Oriente e permitir a resolução de conflitos antigos como o da Palestina. Esses conflitos não eram a causa do terrorismo da Al-Qaeda, de uma natureza diferente do Hezbollah ou do Hamas, mas, ao funcionarem como um irritante geral, bloqueavam as forças moderadas e moderadoras no mundo árabe-muçulmano e impediam a estabilização da região. A importância geoestratégica do Médio Oriente era crucial para o resto do mundo por causa da dependência do petróleo, líquido que tem a tendência natural para surgir só em sítios complicados.

Se a discussão se centrar neste ponto, o da natureza da resposta americana e da sua razoabilidade, ela é frutuosa, porque contém um genuíno problema: o terrorismo fundamentalista e o modo de o defrontar. Para o discutir há que entrar em conta com os aspectos de maior complexidade que não só estão contidos no problema, como na suposta “solução” que estava implícita na invasão. E aqui é que existem as objecções mais sérias, como também muito do que correu mal no processo iraquiano e que podia ter sido evitado. Sim, porque nem tudo o que aconteceu no Iraque se deveu à invasão em si, nem aos pressupostos da invasão (alguns dos quais mostraram apontar no sentido correcto nos primeiros momentos), mas ao modo como foi efectuada a ocupação do Iraque. Ou seja, nem tudo o que aconteceu depois de 2003 se deve à invasão, nem é sua consequência necessária ou inevitável, nem a tem como pressuposto.

Muito do que aconteceu no Iraque deve-se a erros cometidos depois da invasão, uns inevitáveis devido ao modo ingénuo, ignorante e incompetente como foi previsto o período de ocupação, outros perfeitamente evitáveis e que se devem a erros clamorosos da Administração Bush. Toas as críticas que salientam a imprudência e a impreparação americana para lidar com uma das áreas mais complexas do mundo, onde existe há muito tempo um nó górdio da política mundial, criado pelas potências europeias desde a divisão do império otomano e agravado por uma miríade de ideias ocidental como o marxismo, o nacionalismo e mesmo a forma moderna do fundamentalismo islâmico, têm razão de ser. Mas uma coisa é criticar os americanos pela sua ocupação do Iraque e outra é contestar a sua decisão de invadir e negar que nem todos os efeitos da invasão foram desastrosos e alguns foram conseguidos. Por detrás do fumo dos atentados em Bagdad, a única coisa que vemos na televisão, há muita coisa a mudar no Iraque e alguma no sentido desejado pelos americanos. Mas dizer isto parece que causa escândalo. Talvez por isso, fechar o que está a acontecer no Iraque debaixo de conclusões férreas, definidas de antemão desde 2003, e a que pouco interessa a realidade que não seja a dos atentados, é mais do domínio da propaganda do que a realidade.

Segundo, há a questão das “armas de destruição massivas”. (Continua)

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quinta-feira, setembro 06, 2007

Clube dos amigos de Pacheco Pereira




[1999]

Estou com o Carlos Carapinha e, portanto, adiro ao clube daqueles que gostam de Pacheco Pereira., na tomada de posições que se vai desenhando lá pelo 31 da Armada.

Só me irrita é Pacheco Pereira ainda dizer máior e máioria. Ainda ontem na Quadratura do Círculo disse máior 6 vezes. Mas também, ninguém é perfeito, caramba. Desde que ele não se passe para a Optimus e traia a lisboetíssima Vodafone, deixo-o dizer máior mais vezes e continuo a ser amigo dele.
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quarta-feira, maio 02, 2007

Diferenças

[1713]

Que bom ser Pacheco Pereira!... Chega à SIC – Notícias e diz, preto no branco e verbatim, que Ségoléne Royal se fartou de dizer asneiras no seu discurso eleitoral, enfeitando-o com aquelas tiradas sobre o grande capital, as multinacionais e blá blá blá, aquela retórica habitual em que o vazio e a obsolescência reinam. Ninguém lhe vai à mão e ninguém lhe telefona ou manda e-mails reverberando o estilo e a substância do que diz. Outros pobres, como eu, não têm a mesma sorte. É só tocar na virtude da senhora e é o suficiente para sermos olhados com desdém, com aquela expressão de quem acha que não fazemos ideia nenhuma do que estamos a dizer.
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