Já agora...

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Sempre achei que os portugueses eram exímios na arte de explanar razões, usando uma lógica que só eles entendem. Melhor, nem eles entendem, mas sabem que o uso continuado de um fluxo de argumentos mais ou menos alinhavados em torno de um tema poderão e deverão chegar para conseguir o fim em vista. Acho que não sei explicar melhor, mas exactamente porque sou português, estarei, quiçá, a cair no mesmo pecadilho.
Isto a propósito de uma série de explicações técnicas que começam a esboçar-se por aí sobre a legalidade do perdão de uma dívida a um cliente de um banco que, por coincidência, é filho do presidente do próprio banco. De jornais da especialidade a alguns blogues que tuteiam estes assuntos de finanças surgiram já várias razões para “percebermos” que nada de ilegal de passou.
Apesar de tudo eu, que não tenho nem devo dinheiro ao BCP, apetece-me lançar daqui um apelo a todos os que têm e devem para inundar a administração com pedidos de perdão de dívidas. Por incapacidade. Por falta de meios. Porque não lhes apetece. Qualquer coisa.
É, simplesmente, imoral, o que se passa. Por muitas razões técnicas que nos dêem. O facto mantém-se inalterável. Alguém foi perdoado em 12.5 milhões de euros enquanto os nomes de muitas centenas, ou milhares, todos dos dias são remetido para o Banco de Portugal por incumprimento e sobre os quais se iniciam processos de execução fiscal.



