quarta-feira, outubro 05, 2016

A geringonça e a República



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Ouvi, mecanicamente, os discursos de Medina e Marcelo hoje, a propósito do 5 de Outubro. Se Marcelo conseguiu um discurso adequado e, diria, honesto, já Medina transfigurou o que devia ser a comemoração de uma data da nossa história no mais infecto episódio de propaganda à geringonça.

Medina é livre de fazer a propaganda que quiser à geringonça, mas nos lugares apropriados e, sobretudo, em palcos onde não esteja percebendo um salário suportado pelos seus munícipes e, muito menos, quando se encontra representando uma instituição. Provavelmente nem ele se apercebe da desonestidade e inadequação da coisa e age convencido que está a elaborar um discurso de longo alcance substancial conteúdo. Não está. Primeiro, porque não vejo bem o que é que há para propagandear na acção da geringonça, um mecanismo que nos fará recordar, amargamente, a existência de um grupo de trapaceiros a levar-nos para uma situação sem retorno, sobretudo quanto todos nós tivermos necessidade fisiológica de deixarmos de conter a respiração e nos virmos obrigados a respirar de novo (metáfora usada ontem por Passos Coelho a Clara de Sousa na entrevista) – certamente já sem oxigénio que nos acuda. Segundo, porque, repito, Medina não tem o direito de usar o tempo dele para, em vez de usar um discurso apropriado à ocasião, nos instile uma reles acção de propaganda.

Medina é um case study para mim. Ainda não percebi onde se gerou a ideia de que será um duro candidato à CML a abater, já porque nele não vejo nada de duro nem de consistente. Vejo apenas um rapazinho rodado nos salamaleques das escolas dos Yes-men e oriundo duma, ao que parece, família progressista do Porto. Os pais eram comunistas o que, como se sabe, é uma forte alínea do currículo que se deseja a um socialista. Para além disso entrou na política com Guterres e começou a ganhar algum protagonismo com Sócrates. Tudo recomenda e justifica o discurso com que hoje nos brindou.


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sexta-feira, outubro 05, 2012

A chachada do 5 de Outubro

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O 5 de Outubro foi uma chachada. António Costa, um socialista emérito e com uma brilhante carreira de jota, deputado, ministro, vereador em Loures, vencedor de uma corrida entre um burro e um Ferrari, paineleiro da Quadratura do Círculo, presidente da Câmara de Lisboa (onde já fez uma rotunda dentro da rotunda do Marquês e uniformizou umas mesas de restaurante na baixa), afinal tinha ali à mão a magna solução para os nossos problemas e tratou de no-la explicar. Para isso, fez um discurso incisivo e quase zangado, no qual nos disse que isto estava tragicamente complicado, mas que havia alternativas. Quais? Aguardei eu com ansiedade. Fácil, e ele explicou. Educação, sofisticação da economia. Empreendedorismo, conhecimento, valorização do trabalho, semear para colher, crescer e produzir e outras coisas que não me ocorre mas que podem ser encontradas facilmente por quem tiver a pachorra para ler o discurso todo. Voilá. Aqui está o segredo, a cana para o foguete, a chave do aloquete. É só seguir os concelhos de Costa e a coisa anda para a frente.

A seguir veio Cavaco falar de juventude, podia ter falado de moda ou de futebol, dava na mesma, já que o propósito era mostrar-se suprapartidário. No fim apareceu uma fulana decotada (vim a saber que era cantora lírica e se chamava Ana Maria Pinto) a cantar uma treta qualquer e foi deprimente reparar que os presentes na cerimónia não estavam certos se aquilo fazia parte do programa ou não. Não fazia. Foi «espontâneo», como os apupos aos ministros pelas comissões de utentes. A encerrar, uma mulher que recebe €200 de reforma entrou por ali dentro a fazer barulho. Os jornalistas andavam excitadíssimos e continuaram por ali como baratas tontas. Os convidados, esses, iam-se esgueirando porta fora, como podiam, leve-leve e sem fazer ondas

Uma lástima. Um bom retrato da república.
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Relapsos, desleixados, sem classe

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Quando um militar americano morre, há um momento muito solene nas exéquias. Um grupo de militares dobra cuidadosa e respeitosamente aquele venerando símbolo nacional e entrega-o à viúva, a um filho ou a um pai. Mas isto é nos países onde a bandeira ocupa o lugar que merece e recolhe dos cidadãos todo o respeito e simbolismo que lhe é devido.

Por cá as coisas são diferentes. A guelra republicana e socialista de Soares, por exemplo, levou-o a pisotear uma bandeira em Londres e ele ficou muito contente. Quando a selecção de futebol vai jogar a qualquer lado, muitos cidadãos enfeitam as janelas com as bandeirinhas (se calha ser no Natal, ao lado daqueles meninos Jesus a treparem pelas varandas). Ou então, numa cerimónia (???) como a de hoje, um «fabiano» qualquer pegou no trapo, enfiou-lhe a corda enquanto enrolava um cigarro ou ia discutindo a saída do Sá Pinto do Sporting e o resultado foi um Presidente da República e um presidente de câmara içarem uma bandeira de pernas para o ar. A bandeira, eles estavam de pernas para o chão, mas provavelmente se estivessem também a fazer o pino não se notava muito.

As coisas são o que são. Os socialistas têm a mania de nos dizer «habituem-se». Mas eu que não há meio de me habituar a esta forma relapsa de sermos…


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