segunda-feira, dezembro 29, 2014

Os grandes perigos dos trópicos


Ilhéu das Rolas - S. Tomé

[5211]

Ora aqui está. Percebam agora porque me mantenho mais ou menos aquiescido entre 3 graus de temperatura, roupa abafante, estrangulado pelo trânsito, afogado em notícias da SIC Notícias e comentários no FB das almas revoltadas com o défice democrático decorrente da prisão de Sócrates e da devolução do livro de Arnaut. É que isto de ir para os trópicos nesta altura tem os seus quês… vai uma pessoa despreocupada, sem frio, sem roupa, sem trânsito, sem Sócrates e sem Ana Lourenço, Bagão Félix, Adão e Silva, Marques Lopes, Daniel de Oliveira, Clarinha, Costa Pinto, Marques Mendes nem Miguel Sousa Tavares e apanha com um coco na cabeça.

E daí… hummmm… ainda vou pensar no que dói mais!

*
*

Etiquetas: ,

quinta-feira, junho 03, 2010

É lalanja, lalanja, é lalanja mia sinhóra


[3782]

Esta mulher é angolana e eu apostaria singelo contra dobrado que ela desconhece as luzes dos palcos, os aplausos de plateias compostinhas. Muito menos ouviu falar de escalas, notas, claves, semifusas ou semicolcheias. Também não saberá o que é um maestro, uma batuta, partitura ou outros palavrões do género. Limita-se a ter a alma dos poetas anónimos que criam os sons quentes e ritmados dos trópicos, em harmonia com a beleza nostálgica de um pôr de sol na Muxima ou a sombra de um embondeiro. E usa com mestria o jeito inato que se lhe arrumou nos dedos para extrair duma viola manhosa um ritmo sincopado e bem típico do sortilégio africano. Ora oiçam. E vejam, também, porque é digno de ser ver. E vejam depressa, porque provavelmente a artista terá de pegar na quitanda e ir para o bairro de cimento apregoar “…é lalanja, lalanja, lalanja, é lalanja, mia sinhóra…”

Vídeo subtraído à sorrelfa via Beatriz Moita de Deus que entre dois «fortune cookies» é absolutamente exímia a descobrir estas coisas.
.

Etiquetas: , , ,