segunda-feira, setembro 24, 2007

O balde



[2037]

Não tenho uma ideia muito firme sobre a
distribuição de seringas nas prisões. Numa primeira análise, parece-me que patrocinar e legalizar essa distribuição é admitir, sem ressalvas, que as drogas duras circulam alegremente pelas prisões. E isso, à partida, parece-me revelador de um deficiente controle, conivência de guardas prisionais e, eventualmente, participação no “negócio” por parte dos próprios agentes de segurança das prisões. Logo, distribuir seringas parece-me a assunção clara destas responsabilidades.

Do ponto de vista médico, porém, poderão existir razões que desaconselhem a interrupção, de chofre, das drogas a um recluso. Não sei. Presumo que sim. Mas que se faça da distribuição de seringas um mero objecto de propaganda política, que é o que declaradamente se faz e que não haja a preocupação de acabar com o vergonhoso balde higiénico é que me parece indigno, ainda que digno da forma como costumamos tratar estes problemas. A pontapé.

O tema é escabroso e, repito, podem existir mil razões para se encarar, sopesar e resolver a questão do consumo de drogas nas prisões. Mas fazê-lo, sobretudo com o alarido do costume, sem acabar de vez com os baldes é que suscita um desejo legítimo de mandar esta gente toda despejar os baldes todos os dias, antes de se armarem em moderníssimos agentes de causas.


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