segunda-feira, outubro 26, 2009

Vacinas e vogais abertas

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Para os observadores mais atentos, ou mais curiosos, do fenómeno que gira à volta do permanente queixume da nobre e invicta cidade do Porto sobre a secundarização das suas gentes e da região, é interessante reparar no número de vezes que as palavra hepatite, vacina e gripe A são pronunciadas hep(á)tite, v(á)cina e gripiá. É um indicador seguro de que, pelo menos em termos de epidemias, as gentes do Norte envolvidas no processo suplantam largamente a mouraria em geral e os betos da linha de Cascais em particular.

Falando ainda de termos ligados à saúde, há um de admirável consenso nacional. Na verdade a hemorragia é quase sempre pronunciada como hemorregia, seja a pessoa do Porto, de Lisboa, de Faro, de Beja, Viseu ou Bragança. É um valioso argumento para estancar as verdadeiras hemorregias verbais que vão por aí com a regionalização.
Vá. E agora vamos lá todos apanhar a vácina que o frio vem aí.
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sábado, janeiro 24, 2009

O giro de nestas coisa haver sempre uma relação de tio e sobrinho


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Não é fácil apartarmos o nosso dia a dia das “grandes questões nacionais". Mas a verdade é que, por muito que as achemos proporcionais à nossa pequenez e mesquinho decúbito perante os grandes desígnios das sociedade portuguesa, a verdade, dizia, é que há momentos em que questionamos com severidade as causas de uma série de acontecimentos que continuam a caracterizar o nosso colectivo (esta do nosso colectivo não é expressão que aprecie por aí além mas aqui vai bem).

Ainda há pouco acordei com o capítulo 2 da novela Freeport. Ele é o tio, o senhor Charles, o sobrinho que era ministro do governo do engenheiro Guterres, ele é o senhor Júlio e o senhor Charles, o ambiente e os estuários, as reuniões e os despachos com carimbos de urgente, mais um milhão de euros de luvas, mais Sócrates que se lembra da reunião mas não se lembra de ter sido o tio a pedi-la, ele é um enredo tão pelintra que nos faz olhar com bonomia para as alegadas corrupções de alguns países africanos onde, pelo menos e aparentemente, as coisas se fazem com um certo recato e, sobretudo, sem esta pincelada provinciana que não conseguimos contornar. Logo a seguir ao Freeport oiço Pinto da Costa a justificar uma derrota qualquer do Porto num jogo de basquetebol com o Benfica. Pinto da costa, dizia a apresentadora circunspecta, nunca mencionou o nome do Benfica (pormenor importante) mas falou em apitos encarnados (a subtileza nacional…). E então oiço Pinto da Costa ao vivo a dizer qualquer coisa (e cito de cor) como o F. C. Porto era o último resistente do Norte contra os senhores do Sul e mesmo contra os senhores do Norte que tinham escolhido o Sul. Tudo isto dito com uma expressão rígida e apropriada aos grandes momentos, não fosse algum senhor do Norte estar ali, naquela reunião, a pensar em mudar-se para o Sul.

É difícil imaginar cenário mentalmente mais pelintra, provinciano e bacoco. Sobretudo pouco recomendável para um cidadão acordar e apanhar, de chofre e supetão, duas histórias seguidas (seguidas, valha-me Deus…) deste jaez. Sócrates e Pinto da Costa, por si, já seriam dose que chegasse para atirar com o comando ao televisor, mudar de posição e dormir mais um pouco. Adornar estas duas criaturas com uma história de corrupção brega e um brado de "às armas, às armas, contra o Sul marchar, marchar" faz recear o pior para o equilíbrio psíquico de uma criatura que tem o péssimo descuido de adormecer com a televisão ligada.

Nota: Já depois deste episódio, anuncia-se com pompa e uma circunstância inusitada uma conferência de imprensa de José Sócrates para o meio-dia, no Porto. Onde ele dirá aquilo quem presumo, já disse. A única diferença poderá ser ele entretanto lembrar-se de o tio lhe ter pedido a reunião. A tal que houve mas ele não se lembra se foi o tio que pediu…

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sexta-feira, maio 25, 2007

Pronúncia do Norte





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O Forum TSF ontem decorria animado com a maioria das pessoas a zurzirem em Mário Lino por causa da história do deserto da margem Sul. Em determinada altura, Manuel Acácio (o Dr. Manuel Acácio, como a maioria dos ouvintes lhe chama) diz qualquer coisa como: “E agora temos um ouvinte, engenheiro geógrafo, que nos fala a partir de Lisboa… e é interrompido com energia pelo engenheiro geógrafo, quase zangado, que diz: “do Porto, Manuel Acácio, do Porto. Eu trabalho, eu vivo no Norte”.

Independentemente de ficar a saber do afinco com que os engenheiros geógrafos trabalham a norte do Douro, apraz-me saber que o ouvinte em questão consegue disponibilizar tempo suficiente para se inscrever no Fórum da TSF para participar no programa, sem quebra de ritmo no seu, certamente, elevado ritmo de trabalho.


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