quinta-feira, novembro 10, 2016

Um notável discurso




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Um notável discurso. Simples, fluente, sem vícios de linguagem, sem constrangimentos fonéticos e, mesmo que condicionado por algum, compreensível, condicionalismo, duma clareza e de um fundamental respeito pelas ideias, pelas convicções, pelas pessoas, pelas instituições, pela democracia. 

É este tipo de atitudes e esta qualidade de verbo que nos faz sentir constrangidos quando nos transportamos à comparação inevitável com quadros semelhantes cá pela paróquia, de que o episódio mais recente foi a atitude do insuportável Costa. Tanto pelo atropelo que fez à democracia como pela forma inqualificável como ele (não) aceitou a derrota e, minutos depois dos resultados finais das legislativas, se portou. Pelo que disse e pelo que fez, sem respeito pelo país, pelas pessoas, pela democracia. Para não falar no registo chocarreiro de piadolas que utiliza a todo o momento com um sorriso já insuportável, como ainda ontem o fez, respondendo com graçolas às perguntas dos jornalistas sobre a vitória de Trump e rematado com a “má notícia que teve de noite”.

Eu amo o meu país. O que não me impede, ou talvez por isso mesmo, de sentir um profundo constrangimento de cada vez que sou confrontado com situações deste género.

Um discurso notável. Viva Obama. Viva Trump. Viva a democracia. Long live America.


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segunda-feira, outubro 01, 2012

Democracia directa?

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Tenho Pacheco Pereira em elevado apreço pela sua intelectualidade e pelo valor da sua obra literária e de pesquisa. Mas ouvi-lo discernir, num programa de televisão, sobre exemplos de democracia directa, para o que evocou a democracia ateniense, e deixar transparecer uma certa nostalgia (ou um mero tique académico?) porque cerca de dois mil e quinhentos anos depois não podemos chegar à nossa Acrópole e reivindicar os nossos direitos em nome da qualidade do nosso vinagre ou azeite, faz-me recear que Pacheco Pereira não equacione as realidades factuais, curtidas por mais de dois milénios. PP parece achar que sim e, por vezes, chega a parecer que, para ele, bastaria um Aristófanes para desmascarar o papel nocivo dos demagogos e denunciar a destruição económica, militar e cultural para que pudéssemos manter o exercício da democracia ateniense na sua génese mais pura.
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