quarta-feira, julho 20, 2011

Falando ainda de gravatas





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Ao longo da minha carreira profissional fui submetido a um número incontável de cursos de treino adequados às funções que fui exercendo. No capítulo da gestão de pessoas (recursos humanos), um dos mais importantes factores de sucesso de qualquer empresa reside na preocupação permanente em trazer as pessoas satisfeitas. Para isso contribuiriam diversas alíneas. Desde o nível salarial até ao conforto do ambiente de trabalho. O ar condicionado teve um papel muito importante neste desiderato, mantendo as pessoas frescas, activas, confortáveis, logo mais aptas aos desejáveis níveis de produção. Até em Portugal, onde subsistem conflitos estranhos enraizados nos seus cidadãos, como sejam o ar condicionado (porque tem muitos ácaros), o gelo e a água gelada que fazem muito mal á garganta (ainda hoje são inúmeros os restaurantes que nos servem dois ou três cubinhos de gelo semi-derretidos e de arestas boleadas, uma reacção mecânica ao conceito de que o gelo faz mal às amígdalas, esófago e piloro) e as correntes de ar, o ar condicionado acabou por ir alastrando a sua área de influência e os locais de trabalho foram-se tornando mais aprazíveis. Apesar dos esforços recorrentes dos cidadãos em geral que pedem para desligar os aparelhos de ar condicionado dos restaurantes e dos cinemas, e dos ministros em particular que fizeram umas contas de cabeça e acharam que vão poupar uns tostões não ligando o ar condicionado. Mesmo que os funcionários passem a andar suados, incomodados, com as camisas manchadas nas axilas e, de um modo geral, a cheirar a azedo. E sem vontade de trabalhar, naturalmente.
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quarta-feira, abril 08, 2009

Desde logo, sem gravata!


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De repente há um inusitado número de homens que aparecem esgargalados (entenda-se, sem gravata) nos locais mais diversos. Das reuniões de políticos aos domingos na Penha Longa, por exemplo, em que o habitual e tradicional jacket and tie required é substituído por um pretensioso (porque na moda) jacket and NO tie: compulsory, a comentadores de televisão e, até, apresentadores, eis que uma legião de desengravatados passou a enxamear-nos o "environment".

Eu pouco sei sobre gravatas, apesar de ter lido algures que este adorno masculino data do Século III antes de Cristo (ver aqui algumas curiosidades sobre o assunto), mas sei que, queiramos ou não, a gravata é indissociável do traje masculino. Não só ela complementa um enquadramento de desejável elegância como, ainda, parece ser reveladora do gosto de cada qual. Diz-se mesmo, mostra-me a tua gravata e dir-te-ei quem és.

Pouco a pouco, a gravata tem desaparecido. A coisa é mais em Portugal, conhecida a propensão dos portugueses para as modas, sobretudo quando elas, as modas, vêm a propósito de coisa nenhuma. E se as modas do nosso linguajar são talvez a expressão mais frequente das nossas idiossincrasias, temos agora a moda do colarinho desapertado com uma pretensa manifestação de bom gosto e aggiornamento social. Por mim, acho detestável. A ausência de gravata pressupõe um polo moderno, uma camisa Lacoste, ou outras camisas de corte de colarinho adequado. Agora ver camisas com cortes de colarinhos naturalmente ajustados ao uso da gravata, desprovidas da mesma é, no meu modesto entender, de mau gosto. Pior. De um pretensiosismo atroz. Assim uma espécie de “desde logo”, “repare” ou “é assim” ou “daquilo que são isto ou aquilo”.
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