quarta-feira, julho 29, 2009

Em Lisboa, obra-se profusamente neste Verão


[3272]

Lisboa está insuportável. Obras, buracos, bandeirinhas, montes de areia, montes dessas indizíveis e malfadadas pedras da indizível e malfadada calçada portuguesa, sinais de trabalhos, desvios, poeira (nuvens de pó, uma das razões porque me questiono como é passa pela cabeça de alguém comprar um descapotável em Lisboa…), tambores vazios, ruas esventradas com uns cabos a aparecer que alguns operários me disseram ser fibra óptica, um mundo de incómodos, barulho, poluição, tudo refogado na caldeirada do desleixo, gritaria, palavrões, carrinhas estacionadas a esmo, de gente que está a trabalhar e total desorganização – uma imagem de marca afinal.

É assim que ao tradicional período de férias, em que Lisboa se torna mais ou menos habitável pelo notório decréscimo de trânsito automóvel, aconteceu este ano uma autêntica praga de obras e obrinhas que fazem desesperar um cidadão. Na parte que me toca, há uma inacabável obra na recta do Dafundo, onde se arranca a pedra da calçada, se faz valas, se tapa valas, se estaciona tractores e escavadoras ao longo do passeio. Certamente que a obra deve servir para alguma coisa, mas começou há cerca de um mês e pelo andar da carruagem deve haver ali marmelada para mais um mês ou dois. Ou seja, para quando toda a gente vier de férias.

Decidi-me a passar a usar a A5. O problema é que há sempre um acidente junto à pimenteira, ou junto à saída para Carnaxide, ou junto a uma treta qualquer que obriga a circular só numa faixa, provocando uma bicha (na rádio, cuidadosos e reverentes, os locutores dizem fila) que começa no viaduto Duarte Pacheco. Será que me acabaram com um dos pouco prazeres lisboetas que sobreviviam ao caos – leia-se circular, comer e ir ao cinema no Verão?
.

Etiquetas: ,

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

É preciso ter (muita) lata


[2943]

Tudo farinha do mesmo saco. António Costa resolveu prosseguir a tradição das catilinárias do Partido Socialista, sempre que é necessário sacudir a água do capote. Diz ele ser uma vergonha que durante os anos das obras do Terreiro do Paço o PSD não se ter "lembrado" de fazer os esgotos.

Estas declarações são de uma desfaçatez inaceitável e de uma desonestidade a toda a prova. Se eu fosse jornalista, muito provavelmente teria abundante material para demonstrar a ineficácia, a trapalhada, as derrapagens de custos, as obras mal feitas, mal pensadas e mal paridas, os tratos de polé, enfim, por que passaram a obras do metro do Terreiro do Paço. E esse material, lembro-me bem, deixa o PS muito tremido na fotografia. Como é, aliás, habitual, sempre que a competência e a probidade de métodos são chamados à pedra. Tanto quanto consigo lembrar-me os onze anos das obras e a derrapagem de uma mão cheia de milhões de euros têm a ver com as características inatas do Partido Socialista que, como é público e notório, acha que governar com eficiência é insultar a “concorrência” e esconder as suas próprias limitações e trampolinices. É assim uma espécie de cultura de claque de super dragões que o PS não hesita em usar sempre que precisa de atirar poeira para os olhos dos outros. Pasma-me é como a coisa vai funcionando…

.

Etiquetas: ,

quinta-feira, setembro 27, 2007

Baiúcas




[2045]

O aeroporto está uma baiuca. Caótico, gente aos encontrões, gritaria, correrias, uma cafetaria sobrelotada e uma vaga sensação de dúvida se estamos no aeroporto ou no Bolhão, sem ofensa para o mulherio do mercado portuense.

Resolvam lá a cena do novo aeroporto porque “aquilo”, da forma que está, um dia destes vai ser tipo aquele filme do Tom Hanks, “Um dia a casa bem abaixo”. Não sei porquê, é só uma sensação. Além, de que para vergonha nacional já temos a estação (???) do Cais do Sodré e as obras do Terreiro do Paço, isto para só falar de Lisboa. Já desisti completamente de tentar perceber sequer o que se quer fazer ali, sobretudo na estação do Cais do Sodré.

Relativamente à estação, é só dar uma vista de olhos às fotos acima e pensar há quanto tempo "aquilo" está assim...

.

Etiquetas: