sexta-feira, novembro 02, 2007

Deus, no sentido lato da coisa



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As barbearias continuam a ser um local de excelência para aumentarmos o acervo dos nossos conhecimentos. Foi assim que um caldinho no Luís Novais Tito me possibilitou ficar a saber mais sobre as origens do Pão por Deus, versão portuguesa do globalizado Trick or Treat dos americanos, se bem que, naturalmente, a tradição portuguesa seja mais antiga. Não admira, somos mais velhos, temos mais tradições, depois há o fado, o destino, os pobrezinhos, a desgraçadinha e assim. Aqui deixo, pois, os meus agradecimentos ao LNT.

Mas isto para dizer que me apareceu um rancho de miúdos à porta a pedir pão por Deus. Vendo que estavam bem vestidinhos e se expressavam bem, longe portanto da imagem estereotipada do pobrezinho com moscas, descalço e com fome, puxei por eles e acabei por perguntar se preferiam dinheiro ou um pãozinho saloio, o que estaria sempre mais de harmonia com o espírito da coisa. A resposta veio célere e determinada: - Dinheiro. Porque estamos a ver se juntamos o suficiente para comprar uma Play Station.

Perante esta franqueza, acabei por participar no pecúlio desejado para a play station. A seguir, experimentei uma sensação estranha, uma espécie de remorso em panela de pressão, qual fosse a de desejar que aparecessem mais miúdos a pedir-me pão. Ou bolos. Ou qualquer coisa que se comesse. Mas não apareceu ninguém. Felizmente. Pelo que a minha contribuição foi directamente parar ao espectro consumista que qualquer psicólogo encartado da RTP poderia descascar com eficácia e fazer um programa sobre o assunto e explicar-me o fenómeno dos pobrezinhos que andam a pedir pão para Deus lhes dar uma play station.

Mas sabem? Talvez tenha sido melhor assim…

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