segunda-feira, setembro 12, 2011

A liberdade e a barbárie




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Comemorou-se ontem o décimo aniversário do assassinato em massa ocorrido nas torres do WTC.

Assisti na televisão a vários apontamentos de reportagem e não posso deixar de registar o seguinte:

- Os americanos continuam a ser exímios a dizer o que é preciso, sem perderem o impacto necessário nem a solenidade dos momentos, ao contrário de nós que por tudo e por nada tagarelamos. O nosso discurso é tagarela, frequentemente fútil, redundante e pífio. E de uma toleima insuportável. A nossa produtividade subiria para o triplo se disséssemos só o que é necessário, sobretudo no trabalho;

- Nova Iorque é, de facto, o verdadeiro melting pot anunciado. Basta atentar na relação dos nomes das vítimas para o percebermos, ao ver a diversidade das suas origens. Não obstante, são cidadãos americanos, de direito e de facto, e «proud of it», ao contrário de uma grande porção de imigrantes na Europa que não só recusam a aculturação desejável, já que é na Europa que vivem, como mantêm um ostensivo orgulho na sua condição alienígena. E «proud of it»;

- Mantém-se viva e de saúde a teoria da conspiração. Que as torres caíram por que o Bush bla bla bla e o petróleo do Iraque bla bla bla. Numa escala mais modesta mantém-se o registo da nossa comunicação social que por cada vez que se refere ao ataque às torres diz dez vezes que não havia armas de destruição maciça no Iraque, que Guantanamo isto e Abu Ghabri aquilo. É o costume.

- O «nine eleven» continua a ser um símbolo bem vincado da diferença entre a liberdade plena e a barbárie. O resto é conversa pegada para curtir no Eixo do Mal ou palcos correlativos.
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sexta-feira, setembro 11, 2009

É a liberdade, estúpidos


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Dois episódios na minha vida, mais do que quaisquer outros, ajudaram-me a perceber melhor os homens e o mundo. O período pós 25 de Abril e a destruição das torres de Manhattan. Este último aconteceu exactamente há oito anos, quando o mundo, estupefacto, ou pelo menos parte dele, assistiu à tragédia.

Aqui fica a evocação da data e o desejo que, ao menos, as vítimas não tenham morrido em vão mas, ao contrário, tenham contribuído, com o seu sacrifício, para a preservação do maior e mais nobre valor de que dispomos – esse mesmo, a liberdade.
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quarta-feira, setembro 12, 2007

Dignidade e profissionalismo



[2007]

Por vezes, é perante a morte que se descobrem as grandes lições de vida.

Por qualquer razão, eu não sabia que tinha sido possível acompanhar alguns momentos do drama do American 11 antes de o avião embater fragorosamente numa das torres gémeas. A RTP apresentou ontem uma reconstituição do que pode ter sido esses últimos momentos da viagem, sobretudo através de ligações telefónicas com as assistentes de bordo e por filme foi reconfortante verificar como a acção decidida e, sobretudo, controlada e muito profissionalizada de um grupo de mulheres conseguiu fornecer a informação necessária para a identificação dos animais criminosos que se apropriaram do avião.

É certo que não salvaram ninguém, mas puderam, pelo menos, amenizar os últimos momentos de um grupo de passageiros que nem sequer perceberam que a morte estava ali a poucos minutos esperando por eles, através de uma acção apropriada a evitar o pânico descontrolado. Puderam ainda prestar valiosa informação que serviu para, mais tarde, prender alguns dos responsáveis

É neste cenário que os últimos posts de Daniel Oliveira no seu Arrastão me chegam a parecer obscenos. No 31 da Armada acham-no de "mau gosto" . Por mim, custa a entender que se consiga encontrar ali uma espécie de ressabiamento, de raiva, uma permanente e nem sequer disfarçada animosidade em tudo o que Daniel de Oliveira escreveu neste últimos dias sobre o 9/11. Não entendendo, nada me tolhe, todavia, no sentido de apontar a dedo aquilo que me parece, repito, uma obscenidade. E uma profunda falta de respeito pelas vítimas (aqui é a parte em que Daniel Oliveira, se respondesse a este post, diria “então e as vítimas no Iraque?”)

Uma vez mais, quanto às assistentes de bordo do American 11, o meu profundo respeito pela sua digna acção. São episódios destes que fazem com que continuemos a acreditar em valores como a dignidade, o profissionalismo, a integridade e o espírito de missão. Nos homens, enfim. Vocábulos estranhos a muita gente, eu sei.



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