terça-feira, agosto 14, 2007



Isto foi o que de mais aproximado encontrei no Google. Mas estes sao redondos e não têm o suporte de papel...
[1945]


Agora que sei o que são malacuecos, vem-me à ideia um dos bolos por que eu mais me lambia na meninice. Eram assim uma espécie de croquetes de coco, muito brancos, com muito açúcar e tudo coco. Vinham servidos num pequeno papel, tipo naperon, daqueles que a gente acaba a raspar com os dentes.

Nunca soube o nome destes bolinhos de coco, brancos e doces, que me deliciavam o palato e me transportavam ao mistério africano, que era o que África era para mim. Um mistério. E era entre o deleite e o mistério que eu me sentava na Versailles (onde os bolinhos de coco eram os melhores e os mais brancos) a degustar um deles.


Mais tarde conheci África, comi cocos, mas os bolinhos desapareceram. A avaliar pelos nomes de bolos que oiço referir numa pastelaria (uma variedade sem paralelo em nenhum outro país, acho eu…), estranho terem descontinuado um dos mas populares e saborosos bolos da minha infância.
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Malacuecos e Maria Cachucha



[1944]


Fiquei a saber o que eram os malacuecos. Eu tinha uma ideia de que malacuecos significariam qualquer coisa. Mais alguém, do que qualquer coisa. Por outro lado, admitia que malacueco fosse uma expressão das muitas que a sabedoria do nosso povo adoptou como irrecusáveis, depois de entrarem no léxico regional ou mesmo nacional. Como “maria cachucha” que é, presumo, expressão nacional. Mas o significado de maria cachucha, verdadeiramente não sei. Maria cachucha é um termo que me remete para a recordação da minha avó que em termos de expressões populares era imbatível, apesar de ser alfacinha do centro da gema. Porque a verdade é que para qualquer tipo de situação ela tinha uma expressão adequada e a maria cachucha era uma delas. E eu oscilava na dúvida se ser do tempo da maria cachucha era ser muito velho ou ser de um tempo conotado com algo de pejorativo que não sabia identificar muito bem.


A verdade é que a minha avó morreu e eu nunca cheguei a perguntar-lhe quem teria sido e quando teria vivido a maria cachucha. Mais: se era pessoa que se recomendasse. E eis como os malacuecos da f. trouxeram um pouco de luz às minhas dúvidas de adolescência. Posso imaginar agora, inocentemente, uma maria cachucha a comer um malacueco. Porque pelo que sabia, uma maria cachucha a comer um malacueco era uma cena assim a resvalar para a cueca.


Contente pelo alargamento dos meus conhecimentos, graças à f.,fica-me todavia a desilusão de não poder saborear mais a imagem de uma maria cachucha a comer um malacueco. É o que dá aprendermos o que não devíamos.

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