segunda-feira, setembro 21, 2015

Camaleonismo



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Não entendo bem porquê, mas vai por aí uma excitação grande pela vitória de Tsipras e do Syriza 2, como já lhe chamam. E é bem feito para o Varoufakis que ficou estilhaçado nos seus 3% de votos. Esta é a corrente actual dos nossos habituais comentadores e comunicação social em geral. Mais alguns bloguistas e adeptos do FB afinam pelo mesmo diapasão. De euforia.

Não percebo esta euforia. Tsipras é crescidinho e não creio que tenho mudado de cor por mor de uma epifania qualquer que tenha tido numa madrugada de insónia. Tsipras pensou e pensa no desenho de uma série de medidas que, em última análise se destinavam a destruir o establishment europeu e por isso e em nome disso se desdobrou em declarações, em actos e medidas, das quais nem uma visita a Putin faltou.

Perante a evidência e apesar da imensa paciência e bonomia dos seus interlocutores, resolveu mudar. Assim um pouco como o Mário Soares, quando achou que devia meter o socialismo na gaveta à espera de melhor oportunidade.

Não confio nesta gente que muda de ideias overnight. Mudar de pele só as cobras, quando estão velhas ou os camaleões quando precisam de atacar ou defender-se. Neste caso, Tsipras achou que era um jovem e houve por bem ajustar-se à realidade vestindo uma fatiota mais consentânea com a realidade. Está aqui, está de gravata. E quando a mudanças, nem cobras nem camaleões me inspiram confiança por aí além.


Mal por mal, antes Varoufakis. É um torcionário de ideias mas manteve-se fiel ao seu receituário. Perdeu votos, mas achou que um dia salvará o mundo. Fica-lhe bem e nós sabemos com o que podemos contar.

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domingo, março 01, 2015

Indecoroso


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Tenho votado ao Syriza e correlativos a indiferença e o desprezo que me merecem as acções de meia dúzia de lunáticos que vêm ao mundo convencidos que vão descobrir a cana para o foguete. Não escondo alguma irritação por algumas das suas acções e pelo foguetório de muita da sua verve idiota, mentirosa e que há-de conduzir a Grécia a um buraco sem fundo de onde dificilmente se safarão. Pior ainda, porque na queda do buraco arrastarão alguns fracos como eles, sem embargo de que esses, pelo menos, se ativeram a uma posição de reflexão que resultou no desenvolvimento de acções adequadas que, mau grado alguns acidentes de percurso estão a dar já resultados. Por muitos «tudólogos» que têm saído ao caminho e sairão sempre, faz parte do compêndio da história que nos há-de (des)carrilar por, quem sabe, mais 900 anos.

Mas há um pequeno incidente, no meio disto tudo, que realmente me eriçou a paciência e me fez apetecer desatar ao estalo. Que haja oposição, que cada um tenha a sua opinião, que cada um discorde, berre e até insulte, é coisa que com mais ou menos resiliência (outro vocábulo muito em uso nesta repartição…) do nosso aparelho gastrointestinal se vai ultrapassando. Mas que o Bloco de Esquerda se tenha prestado a trazer um fedelho malcriado ao Porto, aqui a casa, para papaguear umas macacadas, nas quais usa a prerrogativa que o Bloco lhe conferiu para insultar o nosso primeiro-ministro e me dar lições sobre liberdade já, genuinamente, me chateia. E não é por ser Passos Coelho. Fosse Costa, ou outro, a minha irritação manter-se-ia pela falta de estofo que esta gente do Bloco tem para a sua condição de políticos com legítima representação popular. Era só.

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