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A reacção que se espera de alguns sectores mais conservadores da sociedade portuguesa à iniciativa da PlayBoy portuguesa em colocar Jesus Cristo no meio de umas quantas «peladas» e alusões avulso ao «Evangelho segundo Jesus Cristo» não pode passar como muleta à esquerda avançada para criticar o putativo (que bem calha aqui este adjectivo) conservadorismo português. Na verdade eu creio que o que menos choca nesta manobra da PlayBoy é ver Jesus Cristo em boa companhia. Aquilo que me parece realmente cretino é esta pulsão idiota de misturar alhos com bugalhos e a preocupação de alguns intelectualóides portugueses em não desperdiçar qualquer possibilidade que se lhes depare para agitarem o estandarte modernaço da esquerda que acha que pôr Cristo no seio (literalmente) de umas quantas «gajas boas» pode ajudar a uma visão mais progressista da obra e do carácter de Saramago.
Há, a meu ver, muito de esquizofrénico neste tipo de manobras. E de idiota também. Mas esta gente vive contente e feliz por ter nascido, continuando a fazer os possíveis e os impossíveis para que, de uma forma geral, continuem a considerar os portugueses um bando de idiotas agarrados à ortodoxia de uma esquerda que, na maioria dos países, algumas gerações já só conhecem de ouvir dizer.
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