quarta-feira, março 26, 2008

O bom-gosto de Maria


Foto desta última viagem, de costas para o Conselho Executivo da cidade. Ao fundo, o Hotel Rovuma


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Feiosa, desengonçada, péssimo gosto a vestir e até o nome Maria não ajudava muito. A maledicência nacional, um dos desportos favoritos dos portugueses, não poupou Maria Cavaco Silva ao tempo da eleição do marido como presidente da república.

Na visita do casal, presidente e primeira-dama, a Moçambique, Maria tem distribuído simpatia e sobretudo uma noção muito exacta da realidade moçambicana. Integrou-se com naturalidade nos termos e assuntos moçambicanos sem que isso demonstrasse o artificialismo usual nestas coisas. As palavras mamã e kanimambo, dois dos termos com mais significado no léxico moçambicano foram usadas com um sorriso de mamã mesmo e do fundo do coração, como os moçambicanos gostam. Foi a propósito da visita de Maria ao Josina Machel, uma escola onde ela leccionou no tempo colonial.

Não sei se Maria levava a lição estudada ou não. Mas se levava, ia tão bem estudada que pareceu não o ter sido e, antes, espalhou desenvoltura e uma alegria genuína na partilha do momento com os jovens estudantes moçambicanos. Sobretudo, muito natural, muito genuína.

Para quem conhece África em geral e Moçambique em particular sabe que um episódio destes vale mais que mil expressões coloquiais que, frequentemente, são tiradas dos blocos de apontamentos para a oratória de alguns políticos que não têm a mais remota noção do que estão a fazer ou dizer, sempre que lidando com lugares ou gentes africanos.

Maria prestou um bom serviço a Portugal.
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