domingo, janeiro 11, 2009

Bias e falta de nível


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Ainda sobre a matéria do post anterior, parece que pouca gente terá reparado o “Expresso da meia–noite”da passada Sexta-feira. Nicolau Santos e Ricardo Costa juntaram quatro personalidades num “prós e prós” sobre o conflito de Gaza. Se Miguel Portas e a inevitável Clara Ferreira Alves já não são notícia para ninguém, confesso que os outros dois “estudiosos” (assim apresentados em oráculo) me eram totalmente desconhecidos. De comum tinham todos eles a opinião sobre a acção desproporcionada de Israel. Todos eles, assim, hostis, a Israel. Se do ponto de vista jornalístico isto já me parece muito desonesto, a forma chocarreira como alguns assuntos eram tratados denunciou uma triste falta de nível por parte da estação de Carnaxide. Nem o laço de Nicolau a compõe. Miguel Portas, por exemplo, sobranceiramente, encerrou o programa criticando a acção da União Europeia. Julgo que por Sarkozi e Angela Merkel não pensarem como ele, Portas, imagine-se o despautério. Rematou dizendo que estava tudo na mesma e o que acontecia era nós (os europeus, julgo) andarmos a pagar pontes, escolas e hospitais para depois os israelitas irem lá destruí-los. Absolutamente lastimável.

Nota: Parece que JPP também reparou no programa. Mas como agora parece que muita gente faz gala em não o ler, provavelmente esta nota terá passado despercebida.

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A crítica fácil

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Apartando o folclore dos "furiosos" que vão efectuando as suas pantominas pelas capitais europeias, como ainda ontem se viu em Roma, Paris e Barcelona, em que turbas mais ou menos possessas ganham o seu momento de fama, tenho de admitir que há gente estimável verdadeiramente consciencializada sobre o destino cruel de se ter nascido palestiniano. Os palestinianos têm, naturalmente, mulheres, crianças e velhos que devem gostar tanto dos Hamas, Hezbollas e Fatahs como eu gostava de óleo de fígado de bacalhau – qualquer coisa que eu sabia detestável, mas sobre a qual tinha uma vaga ideia de que fazia muito bem, quanto mais não seja porque o meu pai mo dizia.

Também aceito a opinião de gente séria e genuinamente condoída pela sorte das inúmeras baixas inocentes decorrentes das acções israelitas. Ainda hoje li no Portugal dos Pequeninos, entre várias outras alusões do próprio João Gonçalves noutros posts, referências a outros bloggers em que a simpatia pelos destinos dos palestinianos e a repulsa pelas acções punitivas dos israelitas eram bem patentes. Uma dessas referências, do Dragoscópio, rezava que “…é tudo "espécie cinegética autorizada". Sejam quantos forem, o que sei, de propaganda certa, é que se dividem em duas categorias gerais e totalistas: os que têm um terrorista do Hamas oculto dentro deles; e os que têm um terrorista do Hamas escondido atrás deles. É por isso que, piedosa, cirúrgica e justiceiramente, vão ter que ser todos abatidos..." . Se no essencial até sou capaz de concordar com o que o Dragoscópio escreveu, a pergunta que deixo, simples, é: mas então, fazer o quê? Deixar que os dois terroristas, o que existe dentro deles e o que atrás deles se esconde, pura e simplesmente os exterminem?

Dispenso-me de fazer outras considerações sobre a consabida estratégia iraniana de exterminar os judeus, porque Alá o disse, usando os palestinianos, presa fácil, aliás, dessa mesma estratégia, por força do populismo dos objectivos pregados. Mas não seria, por isso mesmo, mais razoável acusar e isolar o Irão (à força se necessário fosse) pela desgraça do povo palestiniano do que manter esta insuportável hipocrisia de acusar os israelitas de matar só por não quererem morrer às mãos de bandos de fanáticos criminosos?
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