segunda-feira, março 31, 2008

Mãe, o que é um vibrador?


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Filha de 8 anos (F): - Mamã, o que é vagina?
Mãe (M): - Vagina? É… quer dizer… pergunta ao papá.
Pai (P) – Filha, vagina é… pois… olha é o pipi das meninas.
F: - Papá, o que é um vibrador, aquela coisa que a senhora tem na mão??
P: - Vibrador… olha, pergunta à mamã.
M: - Ó filha, vibrador é uma coisa que vibra… assim como um telemóvel, já reparaste não é? A gente mete-lhe umas pilhas e depois aquilo vibra.
F: - Mas ó mamã porque é que se mete aquilo na vagina, no pipi?
M: -Porque… olha lá não queres ver o canal cartoon?
F:- Mããããe, diz lá, porque é que se mete aquilo no pipi? As senhoras dizem que se pode meter no pipi e que é bom…
P: - Olha lá filhota, já fizeste o TPC? E não são horas de ires para a caminha?
F: - Cama? Ainda são nove da noite, vocês dizem para eu ir para a cama às dez…
P: - Então porque é que não pões um DVD? Está aí aquele dos animais que…
F: - Olha, a senhora agora diz que aquela coisa também pode ser usada no banho e que o tamanho é normal, mas pode ser que as senhoras tenham maior em casa… a mamã tem daquilo?
M: (sussurrando para o P) – Muda-me a merda do canal…
F: - Mamã o que é fálica? A senhora na TV diz que o vibrador tem uma forma fálica.
M: - Fálica… fálica… olha lá, o que é que isso interessa?
F: - Mamã, diz lá…
M:- Fálica é uma coisa assim como a pilinha dos homens.
F: - Mas a pilinha dos homens também vibra?
M:- Não, como é que querias que vibrasse? A pilinha dos homens não tem pilhas.
F:- Mas porque é que aquelas coisas que vibram têm a forma das pilinhas? E porque é que a senhora da TV está a pôr aquilo na boca? As pilinhas também se metem na boca?
M: - (dirigindo-se ao pai): - Ó pá resolve lá isto, ou fechas a merda do televisor ou fazes tu as despesas da conversa…

Este pedaço de conversa pode muito bem ter acontecido ontem cerca das 21 horas em muitos lares portugueses, quando a SIC resolveu passar uma reportagem sobre vibradores. A horas próprias, como se vê, logo a seguir ao noticiário. Falou-se de vibradores, de tamanhos, e até de vibradores com controle remoto, i.e. a mulher vai a uma reunião com umas amigas, o marido lembra-se dela, acciona o comando tipo SMS e o vibrador vibra a quilómetros de distância. Falou ainda de vibradores tipo baton (lip stick, explicava a apresentadora) que são óptimos porque passam nas fronteiras e ninguém sabe o que é.

Eu não tenho nada contra vibradores com ou sem controle remoto. Acho até que têm uma certa graça. Mas uma reportagem destas não poderia ficar para mais tarde quando as criancinhas de oito anos já estão na cama? O que é que leva uma estação de televisão a passar uma reportagem sobre vibradores em horário nobre? Ou estou a fazer uma pergunta estúpida e anti-pedagógica?

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