Greves de luxo
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As greves, na maioria dos casos, tornaram-se numa forma violenta de exercer direitos mais ou menos inexequíveis e com um lastro ideológico por parte de quem não sabe, não pode ou não quer aceitar o jogo da democracia. Digo maioria dos casos porque há, certamente, casos em que a greve é justificada e enformada por razões atendíveis.
Mas independentemente desse desiderato, constato que há greves a que eu chamaria greves de luxo. Porque há corporações que não se misturam com a plebe e, mais do que exigirem a observação das suas exigências, acham que têm a prerrogativa de escolher o respectivo ministro da tutela.
Eu não sei bem o que pretendem os médicos com a sua anunciada greve. Sei que ouvi o responsável pelo sindicato dos médicos e o bastonário da Ordem recusarem liminarmente discutir com o actual ministro. Discutem, sim, mas só se for com o primeiro-ministro. Esta é uma forma de pressão que reputo de inadmissível e que reflecte claramente uma síndrome de petulância. Que como qualquer síndrome, requer tratamento. Que para isso é que os médicos se fizeram. Para tratar síndromes.
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