terça-feira, outubro 20, 2009

O Caim matou Abel?


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Saramago vive num país onde lhe é possível dizer o que lhe vem na gana. De certeza absoluta que não é o país onde ele (diz que) acha que se devia viver. Ele acha que para vivermos felizes só deveríamos dizer aquilo que ele e outros iluminados como ele acham que se pode e deve dizer e disso deu abundantes provas quando, no Diário de Notícias, pôs mais de uma vintena de jornalistas na rua, gente herética, obscura e que não concordava com o main stream ideológico da época. Daí que o facto de Saramago se ter lembrado agora de perpetrar mais uma campanha publicitária para o seu novo livro não surpreenda por aí além.

Não se percebe bem é que as televisões andem há dois dias a repetir à exaustão a imagem de Saramago a dizer que Caim não existiu, que Eva era uma badalhoca interesseira e o Adão um papalvo enleado nas teias que o império já nessa altura tecia. E, sobretudo, que devíamos pôs as crianças a salvo de tamanha pornografia.

Felizmente que a reacção generalizada de crentes, cristãos e judeus, tem sido civilizada e com a bonomia que, por piedade, se deve conceder a um homem que nasceu, viveu e há-de morrer azedo como um limão bolorento. Porque há gente assim. Zangada com a vida, zangada com ela própria. E que têm como única forma de se satisfazerem e realizarem procurar que toda a gente se zangue entre si. Mas, de caminho, lhe vá comprando uns livrinhos, que a vida está cara para toda a gente.
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